terça-feira, maio 15, 2007

Não haverá aeroportos

Carlos Sardenberg, Portal G1

Eis o fato, divulgado dias atrás: o transporte aéreo de passageiros no mercado doméstico brasileiro cresceu 13,8% no período janeiro/abril, na comparação com o mesmo quadrimestre do ano passado. E parece que esse crescimento está acelerando. Quando se comparam os números de abril deste ano com o mesmo mês do ano passado, o número de passageiros cresce 20,3%.A explicação: ganhos de renda da população e, especialmente, aumento do crédito, numa combinação de mais dinheiro, menos juros e mais prazo. Basta ver os pacotes anunciados fartamente. A maior parte dos passageiros está a serviço, mas o crédito favorece também as empresas. Ficou mais barato despachar funcionários pelo país.
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O problema: nesse ritmo de crescimento, não haverá aeroportos suficientes. Já não são. Basta ver as filas e os congestionamentos, de passageiros e aviões, em qualquer momento de movimento mais intenso.
Há no momento uma aparente tranqüilidade no setor, porque os controladores de vôo estão quietinhos e, muito especialmente, porque passageiros já se acostumaram e se programaram para os atrasos. Passageiros chegam com mais antecedência para o check in, empresas mandam o funcionário de véspera se a reunião é de manhã cedo. O público se organiza para os atrasos e considera que se o avião sai uma hora depois, já está mais que bom.
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Mas isso é custo Brasil.
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E vai piorar, pois as obras nos aeroportos vão devagar quase parando.
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Para todos os aeroportos do Brasil, o PAC reservou R$ 3 bilhões. Segundo estudos técnicos, só os três principais aeroportos de São Paulo (Congonhas, Guarulhos e Viracopos) precisariam imediatamente de uns R$ 7 bilhões para serem adequados à demanda atual e crescente.
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Resumo da ópera: o setor privado faz sua parte, as companhias crescem, compram aviões, abrem linhas. O governo, que controla todos os aeroportos e o tráfego, não consegue acompanhar.
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A ministra do Turismo, Marta Suplicy, pretende ampliar o turismo social, com pacotes para a população de baixa renda. Com certeza, as agências de turismo e companhias aéreas saberiam montar esses pacotes. Mas não haverá aeroportos.