Carlos Chagas, Tribuna da Imprensa
Um dos momentos mais altos da História do Brasil aconteceu quando os estudantes foram às ruas para protestar contra a ditadura, nos anos 60 e 70. Passeatas de mais de cem mil jovens no Rio, São Paulo e outras capitais demonstraram ao mundo que nem tudo estava perdido por aqui. Necessárias, as manifestações eram sublimes e arriscadas.
Meninos e meninas enfrentavam a polícia, defendiam-se da cavalaria que os agredia e eram presos aos milhares em estádios. Saíram na frente, na longa caminhada pelo restabelecimento da democracia. Foram credores da nação. O singular é que agora, quando não há mais ditadura, estudantes tenham decidido sair outra vez às ruas, mas para protestar contra o quê? Para criticar o governo por não dar aos companheiros pobres os devidos cuidados? Para sustentar a autonomia da universidade? Para exigir melhores condições de ensino?
Convenhamos, esses são motivos para continuar a luta, mas não parecem razão suficiente para justificar a ocupação de reitorias e a tomada das ruas para protestos ruidosos. No Estado de Direito Democrático, são outros os instrumentos de luta. Para isso existe a Justiça, como em casos extremos existirá a greve. Jamais, no entanto, a sagrada violência justificada apenas no enfrentamento das ditaduras.
A quadrilha age
Mais cedo do que se pensava, registram-se os efeitos da liberação precipitada dos ladravazes acusados na Operação Navalha. Soltos, Zuleido Veras e asseclas se organizam para montar uma versão comum dos acontecimentos, digna do Pinóquio. Combinaram dizer que eram obras cujas concessões já possuíam e necessitavam ser explicitadas junto ao governo. O dinheiro flagrado entrando em gabinetes governamentais era para fazer em face de despesas emergenciais.
Estivessem atrás das grades e acabariam dando com a língua nos dentes, entregando a roubalheira a que se dedicavam. Livres, preparam defesas em condições de levá-los à barra dos tribunais como um grupo de Congregados Marianos, injustiçados pela cruel Polícia Federal. Não se discutem decisões do Poder Judiciário.
Cumprem-se. Aqui para nós, como foram infelizes as liberações promovidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça! Enviaram as raposas para o galinheiro. Não há quem imagine que venha a ser condenado um só dos 49 detidos, hoje em liberdade. E isso depois de anos e anos da tramitação dos respectivos processos. A prisão preventiva, prevista em lei, serve para que se completem as investigações. Ao menos na teoria, pode ser prorrogada. Como decidiram interrompê-la...
Guerra
Parece confronto entre dois "Exércitos Brancaleone". De um lado o Senado, intrometendo-se na política interna do vizinho e declarando guerra ao presidente Chávez. A causa até que parece justa, porque o dirigente daquele país exorbitou ao tirar do ar a mais importante emissora de televisão. O Senado, no entanto, carece de legitimidade para disparar suas diatribes, tendo em vista que, pela Constituição, quem fala pelo Brasil é o presidente.
Aos senadores, cabe exprimir a Federação. Do outro lado, nessa guerra de mentirinha, está o histriônico Chávez, que resolveu voltar baterias contra o Congresso. Destemperado, disse que o Senado age como papagaio do Congresso dos EUA. Alhos nada têm a ver com bugalhos, mas o presidente venezuelano completou dizendo ser mais fácil o Brasil voltar a ser colônia de Portugal do que ele permitir que a emissora volte a transmitir sinais. Uma lambança dos diabos. Lula preferiu dizer que não se intrometeria em assuntos internos dos vizinhos. Acertou.
Espuma
Sem comparação desairosa, importa referir que o futuro ministro Mangabeira Unger dá mostras de poder transformar-se no Clodovil do Executivo. Porque trapalhada, também produz. Primeiro por aceitar tornar-se ministro do futuro, tendo chamado esse mesmo governo de "o mais corrupto da História".
Depois, por negar-se a ser empossado logo, preferindo voltar ao seu país, os Estados Unidos, para continuar ministrando cursos de Direito em Harward e Cambridge. Em seguida, por confirmar que entrou com ação contra a Brasil Telecom, empresa onde o governo é representado. Por último, anunciando a retirada da ação. Se antes de assumir já cria tantos casos e faz tanta espuma, imagine-se quando iniciar a tarefa de programar o futuro do País...
Um dos momentos mais altos da História do Brasil aconteceu quando os estudantes foram às ruas para protestar contra a ditadura, nos anos 60 e 70. Passeatas de mais de cem mil jovens no Rio, São Paulo e outras capitais demonstraram ao mundo que nem tudo estava perdido por aqui. Necessárias, as manifestações eram sublimes e arriscadas.
Meninos e meninas enfrentavam a polícia, defendiam-se da cavalaria que os agredia e eram presos aos milhares em estádios. Saíram na frente, na longa caminhada pelo restabelecimento da democracia. Foram credores da nação. O singular é que agora, quando não há mais ditadura, estudantes tenham decidido sair outra vez às ruas, mas para protestar contra o quê? Para criticar o governo por não dar aos companheiros pobres os devidos cuidados? Para sustentar a autonomia da universidade? Para exigir melhores condições de ensino?
Convenhamos, esses são motivos para continuar a luta, mas não parecem razão suficiente para justificar a ocupação de reitorias e a tomada das ruas para protestos ruidosos. No Estado de Direito Democrático, são outros os instrumentos de luta. Para isso existe a Justiça, como em casos extremos existirá a greve. Jamais, no entanto, a sagrada violência justificada apenas no enfrentamento das ditaduras.
A quadrilha age
Mais cedo do que se pensava, registram-se os efeitos da liberação precipitada dos ladravazes acusados na Operação Navalha. Soltos, Zuleido Veras e asseclas se organizam para montar uma versão comum dos acontecimentos, digna do Pinóquio. Combinaram dizer que eram obras cujas concessões já possuíam e necessitavam ser explicitadas junto ao governo. O dinheiro flagrado entrando em gabinetes governamentais era para fazer em face de despesas emergenciais.
Estivessem atrás das grades e acabariam dando com a língua nos dentes, entregando a roubalheira a que se dedicavam. Livres, preparam defesas em condições de levá-los à barra dos tribunais como um grupo de Congregados Marianos, injustiçados pela cruel Polícia Federal. Não se discutem decisões do Poder Judiciário.
Cumprem-se. Aqui para nós, como foram infelizes as liberações promovidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça! Enviaram as raposas para o galinheiro. Não há quem imagine que venha a ser condenado um só dos 49 detidos, hoje em liberdade. E isso depois de anos e anos da tramitação dos respectivos processos. A prisão preventiva, prevista em lei, serve para que se completem as investigações. Ao menos na teoria, pode ser prorrogada. Como decidiram interrompê-la...
Guerra
Parece confronto entre dois "Exércitos Brancaleone". De um lado o Senado, intrometendo-se na política interna do vizinho e declarando guerra ao presidente Chávez. A causa até que parece justa, porque o dirigente daquele país exorbitou ao tirar do ar a mais importante emissora de televisão. O Senado, no entanto, carece de legitimidade para disparar suas diatribes, tendo em vista que, pela Constituição, quem fala pelo Brasil é o presidente.
Aos senadores, cabe exprimir a Federação. Do outro lado, nessa guerra de mentirinha, está o histriônico Chávez, que resolveu voltar baterias contra o Congresso. Destemperado, disse que o Senado age como papagaio do Congresso dos EUA. Alhos nada têm a ver com bugalhos, mas o presidente venezuelano completou dizendo ser mais fácil o Brasil voltar a ser colônia de Portugal do que ele permitir que a emissora volte a transmitir sinais. Uma lambança dos diabos. Lula preferiu dizer que não se intrometeria em assuntos internos dos vizinhos. Acertou.
Espuma
Sem comparação desairosa, importa referir que o futuro ministro Mangabeira Unger dá mostras de poder transformar-se no Clodovil do Executivo. Porque trapalhada, também produz. Primeiro por aceitar tornar-se ministro do futuro, tendo chamado esse mesmo governo de "o mais corrupto da História".
Depois, por negar-se a ser empossado logo, preferindo voltar ao seu país, os Estados Unidos, para continuar ministrando cursos de Direito em Harward e Cambridge. Em seguida, por confirmar que entrou com ação contra a Brasil Telecom, empresa onde o governo é representado. Por último, anunciando a retirada da ação. Se antes de assumir já cria tantos casos e faz tanta espuma, imagine-se quando iniciar a tarefa de programar o futuro do País...