.
A oposição comemorou timidamente o fato de os grampos da Polícia Federal terem pego o irmão do presidente Lula, não só porque isso acaba passando a imagem de isenção do presidente até mesmo em relação à sua família.
O motivo maior de preocupação, tanto da oposição quanto dos governistas, é que a Polícia Federal acabe se tornando um instrumento de vigilância generalizada sobre os cidadãos, uma espécie de Grande Irmão do livro 1984, de George Orwell, que tudo sabia sobre o dia-a-dia de todos. Do ponto de vista tecnológico, já há condições bem próximas disso. O site do partido Democratas ontem relatava:
"Centenas de pessoas podem estar sendo grampeadas ilegalmente no Brasil”.
O grampo estaria sendo feito em larga escala graças ao sistema Guardião, um dos instrumentos de escuta mais caros do mercado e que está instalado na sede da Polícia Federal em Brasília. O Guardião é um software que tem capacidade para grampear 3 mil linhas telefônicas simultaneamente. Você leu certo: 3 mil. O equipamento é capaz de escutar, redirigir, gravar e armazenar conversações por meio de telefonia fixa ou móvel. Permite identificar a antena retransmissora do sinal telefônico e a estação rádio-base em que está operando o número interceptado. Como cria uma rede de escuta, o Guardião pode ser usado sem autorização judicial: qualquer um que ligar para determinado investigado cai na rede e passa a ser vítima da escuta tendo ou não cometido irregularidades. Ou seja: com uma única autorização judicial podem ser grampeadas 2.999 que não são suspeitas nem estão sendo investigadas. O irmão do presidente Lula teria sido "interceptado" dessa maneira.
A coluna foi ouvir também o líder do Democratas na Câmara, deputado Onyx Lorenzoni (RS). Explicou:
"Lembra da CPI dos Correios? Tínhamos uma tremenda dificuldade de obter autorizações judiciais para quebra de sigilos telefônicos. Nós respeitamos o trabalho da Polícia Federal, mas temos que vigiar para que ela não se torne uma espécie de Grande Irmão, uma polícia política, com poder discricionário, que atropela o estado de direito".
Outro arauto da oposição, o presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), também chamou ontem a atenção para o assunto em seu blog. Ao seu modo, naturalmente, mas no fundo preocupado com o mesmo ponto, o excesso de poder dos aparelhos de escuta: "A busca na casa do irmão do Lula parece um pretexto para agudizar ações do aparato. Depois do Vavá, pode tudo, até você. É covarde, pois a nomenclatura usa telefone antigrampo".
Pior, ao que se saiba, a PF não está usando apenas um desses guardiões. Haveria vários deles em plena atuação. Podem significar dezenas de milhares de pessoas grampeadas exatamente neste momento.
Guerra na PF
Há uma outra versão circulando em Brasília a respeito da escuta no telefone do irmão do presidente Lula. A de que ela é resultado de uma guerra interna na Polícia Federal, causada pelo fato de não se saber se o atual diretor-geral, Paulo Lacerda, vai mesmo ficar definitivamente no cargo. Estaria havendo uma disputa pela sua sucessão e sobrou para o presidente.
Balas perdidas
Pergunta que não se consegue calar em Brasília: se as escutas telefônicas chegaram ao irmão do presidente, não há nada que impeça que elas também tenham sido direcionadas ao filho de Lula, o Lulinha.
Felizes da vida
Os aliados do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não admitem. Mas, reservadamente, estão dando pulos de alegria com essa história de escuta nos telefones do irmão do presidente Lula. É que, com isso, diminuiu ainda mais o espaço no noticiário para o affair Renan-Mônica Veloso, que já vinha caindo.
E que bilhetinho!
Um rascunho deixado sobre a mesa de reunião do gabinete do ministro das Comunicações, Hélio Costa, deixou em polvorosa ontem duas assessoras do órgão. Costa tinha acabado de receber presidentes de operadoras telefônicas. Não se sabe de quem era o papel, que a turma do abafa tentou recuperar, em vão, das mãos de jornalistas. A curiosidade dos repórteres era para um dos itens, com a seguinte frase: "Jackson Lago: urgência". Trata-se do governador do Maranhão, quase preso na Operação Navalha da PF.
Segura o Pan
O presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, teve um longo bate-papo ontem o presidente da Serviços Auxiliares de Transportes Aéreos (Sata), Mario Mariz. Acertaram praticamente todos os ponteiros e espantaram os boatos de que a empresa poderia interromper suas atividades. A Sata é a única empresa brasileira especializada em transporte aéreo de cargas especiais, como, por exemplo, de cavalos. Se parasse de funcionar, estariam ameaçadas até mesmo algumas provas dos jogos Pan-Americanos do Rio.
Vaga do DEM
Está cada dia mais renhida dentro do partido Democratas a luta pela vaga de candidato à sucessão do prefeito do Rio, César Maia. O prefeito avisou ao partido que a legenda terá candidato próprio e que está em dúvida entre três nomes: o ex-secretário de Administração Indio da Costa, a secretária do Meio Ambiente, Rosa Fernandes, e a ex-secretária de Habitação Solange Amaral.
Boquinha
Outra batalha feroz trava-se pela vaga no Tribunal de Contas do Município deixada por Sérgio Cabral, pai, que se aposentou. Em certo momento, César Maia chegou até a empinar a candidatura de seu genro, conhecido como Formiga, mas foi tão forte a reação negativa que ele recuou. O favorito para o lugar - um dos mais maravilhosos empregos na Cidade Maravilhosa, salário lá em cima, vitalício, carro novo todo ano e cheio de assessorias - continua a ser o presidente da Câmara de Vereadores, Ivan Moreira (DEM).
O motivo maior de preocupação, tanto da oposição quanto dos governistas, é que a Polícia Federal acabe se tornando um instrumento de vigilância generalizada sobre os cidadãos, uma espécie de Grande Irmão do livro 1984, de George Orwell, que tudo sabia sobre o dia-a-dia de todos. Do ponto de vista tecnológico, já há condições bem próximas disso. O site do partido Democratas ontem relatava:
"Centenas de pessoas podem estar sendo grampeadas ilegalmente no Brasil”.
O grampo estaria sendo feito em larga escala graças ao sistema Guardião, um dos instrumentos de escuta mais caros do mercado e que está instalado na sede da Polícia Federal em Brasília. O Guardião é um software que tem capacidade para grampear 3 mil linhas telefônicas simultaneamente. Você leu certo: 3 mil. O equipamento é capaz de escutar, redirigir, gravar e armazenar conversações por meio de telefonia fixa ou móvel. Permite identificar a antena retransmissora do sinal telefônico e a estação rádio-base em que está operando o número interceptado. Como cria uma rede de escuta, o Guardião pode ser usado sem autorização judicial: qualquer um que ligar para determinado investigado cai na rede e passa a ser vítima da escuta tendo ou não cometido irregularidades. Ou seja: com uma única autorização judicial podem ser grampeadas 2.999 que não são suspeitas nem estão sendo investigadas. O irmão do presidente Lula teria sido "interceptado" dessa maneira.
A coluna foi ouvir também o líder do Democratas na Câmara, deputado Onyx Lorenzoni (RS). Explicou:
"Lembra da CPI dos Correios? Tínhamos uma tremenda dificuldade de obter autorizações judiciais para quebra de sigilos telefônicos. Nós respeitamos o trabalho da Polícia Federal, mas temos que vigiar para que ela não se torne uma espécie de Grande Irmão, uma polícia política, com poder discricionário, que atropela o estado de direito".
Outro arauto da oposição, o presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), também chamou ontem a atenção para o assunto em seu blog. Ao seu modo, naturalmente, mas no fundo preocupado com o mesmo ponto, o excesso de poder dos aparelhos de escuta: "A busca na casa do irmão do Lula parece um pretexto para agudizar ações do aparato. Depois do Vavá, pode tudo, até você. É covarde, pois a nomenclatura usa telefone antigrampo".
Pior, ao que se saiba, a PF não está usando apenas um desses guardiões. Haveria vários deles em plena atuação. Podem significar dezenas de milhares de pessoas grampeadas exatamente neste momento.
Guerra na PF
Há uma outra versão circulando em Brasília a respeito da escuta no telefone do irmão do presidente Lula. A de que ela é resultado de uma guerra interna na Polícia Federal, causada pelo fato de não se saber se o atual diretor-geral, Paulo Lacerda, vai mesmo ficar definitivamente no cargo. Estaria havendo uma disputa pela sua sucessão e sobrou para o presidente.
Balas perdidas
Pergunta que não se consegue calar em Brasília: se as escutas telefônicas chegaram ao irmão do presidente, não há nada que impeça que elas também tenham sido direcionadas ao filho de Lula, o Lulinha.
Felizes da vida
Os aliados do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não admitem. Mas, reservadamente, estão dando pulos de alegria com essa história de escuta nos telefones do irmão do presidente Lula. É que, com isso, diminuiu ainda mais o espaço no noticiário para o affair Renan-Mônica Veloso, que já vinha caindo.
E que bilhetinho!
Um rascunho deixado sobre a mesa de reunião do gabinete do ministro das Comunicações, Hélio Costa, deixou em polvorosa ontem duas assessoras do órgão. Costa tinha acabado de receber presidentes de operadoras telefônicas. Não se sabe de quem era o papel, que a turma do abafa tentou recuperar, em vão, das mãos de jornalistas. A curiosidade dos repórteres era para um dos itens, com a seguinte frase: "Jackson Lago: urgência". Trata-se do governador do Maranhão, quase preso na Operação Navalha da PF.
Segura o Pan
O presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, teve um longo bate-papo ontem o presidente da Serviços Auxiliares de Transportes Aéreos (Sata), Mario Mariz. Acertaram praticamente todos os ponteiros e espantaram os boatos de que a empresa poderia interromper suas atividades. A Sata é a única empresa brasileira especializada em transporte aéreo de cargas especiais, como, por exemplo, de cavalos. Se parasse de funcionar, estariam ameaçadas até mesmo algumas provas dos jogos Pan-Americanos do Rio.
Vaga do DEM
Está cada dia mais renhida dentro do partido Democratas a luta pela vaga de candidato à sucessão do prefeito do Rio, César Maia. O prefeito avisou ao partido que a legenda terá candidato próprio e que está em dúvida entre três nomes: o ex-secretário de Administração Indio da Costa, a secretária do Meio Ambiente, Rosa Fernandes, e a ex-secretária de Habitação Solange Amaral.
Boquinha
Outra batalha feroz trava-se pela vaga no Tribunal de Contas do Município deixada por Sérgio Cabral, pai, que se aposentou. Em certo momento, César Maia chegou até a empinar a candidatura de seu genro, conhecido como Formiga, mas foi tão forte a reação negativa que ele recuou. O favorito para o lugar - um dos mais maravilhosos empregos na Cidade Maravilhosa, salário lá em cima, vitalício, carro novo todo ano e cheio de assessorias - continua a ser o presidente da Câmara de Vereadores, Ivan Moreira (DEM).