Estado garante que não há risco de epidemia
A Secretaria Estadual de Saúde ainda não recebeu do TCU o relatório da auditoria, mas já anunciou que vai analisar o processo administrativo que culminou no desembolso de R$ 804 mil para a compra de mochilhas que custaram, segundo notas fiscais, mais de R$ 400 cada uma. Segundo a assessoria de imprensa, que destacou que a compra foi feita ainda na gestão passada, se for encontrada alguma irregularidade, uma sindicância interna será instaurada. A mesma análise vai ser feita no caso das falhas no pagamento da contrapartida do Estado em relação aos repasses feitos pela União.
Em relação ao uso do dinheiro da dengue para pagamento de diária em hotel de luxo, a secretaria disse não saber explicar o que aconteceu e que aguarda mais esclarecimentos do TCU para analisar o caso mais profundamente. A assessoria explicou, mesmo assim, que o procedimento padrão adotado pelo órgão é o adiantamento de R$ 24 de diária para servidores que vão participar de congressos. Na volta, mediante apresentação de notas fiscais, o resto do valor gasto com hospedagem e alimentação é reembolsado.
A secretaria disse que a meta de visitas quinzenais dos agentes a locais onde foram verificados focos de mosquito, sugerida pelo TCU, é impossível de ser realizada atualmente. O órgão informou, ainda, que o Ministério da Saúde estaria providenciando um novo larvicida, mais resistente e com baixo risco para a população.
O Estado garante, também, que o Rio de Janeiro, hoje, não corre risco de epidemia. Segundo a secretaria, a discrepância verificada pelo TCU nos índices de pendência nada alteram o planejamento das ações de combate à dengue, porque o estado de "alerta" e de "alto risco" são a mesma coisa, na prática.
ENQUANTO ISSO...
Rio registra três casos da doença a cada hora
Breno Costa e Roberta Ferreira Pinto, Jornal do Brasil
Enquanto o Tribunal de Contas da União identifica várias irregularidades e falhas nas ações de combate à dengue no Rio, a doença continua se espalhando pela cidade - e causando vítimas. No início do mês, morreu a 14ª vítima de dengue hemorrágica no Estado. De 1º de janeiro a 18 de junho deste ano, a Secretaria Municipal de Saúde já contabilizou 13.731 casos. São três casos por hora.
A dona-de-casa Jussilene Pinheiro, de 32 anos, se sentiu mal há cerca de três semanas e foi para o Hospital Municipal Souza Aguiar. Com fortes dores no corpo, febre, vômito e dor de cabeça, recebeu soro, injeção e foi liberada em seguida. Quando chegou em casa, piorou. Era dengue hemorrágica.
- Enfrentamos um calvário dentro do hospital. Minha mulher teve de ficar esperando horas na fila. O atendimento foi péssimo. Infelizmente, quem precisa da saúde pública está perdido - declarou José Augusto Costa, 31 anos, marido da vítima e que agora terá que cuidar sozinho de dois filhos, de 3 e 8 anos.
Ainda na mesma semana, a dona-de-casa, que morava no bairro da Saúde, no Centro, procurou um posto de saúde, onde foi feito um exame de sangue.
- A médica confirmou que era dengue e passou uns remédios, mas já não adiantava mais - conta o marido.
A Secretaria de Saúde desconhece o caso de Jussilene. Em nota, informa que vai investigar para confirmar se a paciente realmente estava com dengue.
José Augusto vai processar, por negligência, o hospital que atendeu sua mulher. No sábado seguinte, ela deu entrada na unidade às 5h30 e só foi para a CTI às 13h30. A jovem morreu no domingo de manhã. (...)
(..) A dengue hemorrágica ainda não fez vítimas fatais na Zona Sul este ano, mas vem assustando os moradores, apesar de os indicadores oficiais não mostrarem essa realidade. Em um apartamento na Rua Sousa Lima, em Copacabana, um casal está há 11 dias de cama, com febre de 39 graus, muita dor no corpo e manchas pela pele. O diagnóstico básico já foi dado por um médico do Hospital São Lucas: estão com dengue hemorrágica. Agora, eles estão ansiosos com a chegada do dia 28, quando saberão exatamente que tipo de dengue possuem. (...)
A Secretaria Estadual de Saúde ainda não recebeu do TCU o relatório da auditoria, mas já anunciou que vai analisar o processo administrativo que culminou no desembolso de R$ 804 mil para a compra de mochilhas que custaram, segundo notas fiscais, mais de R$ 400 cada uma. Segundo a assessoria de imprensa, que destacou que a compra foi feita ainda na gestão passada, se for encontrada alguma irregularidade, uma sindicância interna será instaurada. A mesma análise vai ser feita no caso das falhas no pagamento da contrapartida do Estado em relação aos repasses feitos pela União.
Em relação ao uso do dinheiro da dengue para pagamento de diária em hotel de luxo, a secretaria disse não saber explicar o que aconteceu e que aguarda mais esclarecimentos do TCU para analisar o caso mais profundamente. A assessoria explicou, mesmo assim, que o procedimento padrão adotado pelo órgão é o adiantamento de R$ 24 de diária para servidores que vão participar de congressos. Na volta, mediante apresentação de notas fiscais, o resto do valor gasto com hospedagem e alimentação é reembolsado.
A secretaria disse que a meta de visitas quinzenais dos agentes a locais onde foram verificados focos de mosquito, sugerida pelo TCU, é impossível de ser realizada atualmente. O órgão informou, ainda, que o Ministério da Saúde estaria providenciando um novo larvicida, mais resistente e com baixo risco para a população.
O Estado garante, também, que o Rio de Janeiro, hoje, não corre risco de epidemia. Segundo a secretaria, a discrepância verificada pelo TCU nos índices de pendência nada alteram o planejamento das ações de combate à dengue, porque o estado de "alerta" e de "alto risco" são a mesma coisa, na prática.
ENQUANTO ISSO...
Rio registra três casos da doença a cada hora
Breno Costa e Roberta Ferreira Pinto, Jornal do Brasil
Enquanto o Tribunal de Contas da União identifica várias irregularidades e falhas nas ações de combate à dengue no Rio, a doença continua se espalhando pela cidade - e causando vítimas. No início do mês, morreu a 14ª vítima de dengue hemorrágica no Estado. De 1º de janeiro a 18 de junho deste ano, a Secretaria Municipal de Saúde já contabilizou 13.731 casos. São três casos por hora.
A dona-de-casa Jussilene Pinheiro, de 32 anos, se sentiu mal há cerca de três semanas e foi para o Hospital Municipal Souza Aguiar. Com fortes dores no corpo, febre, vômito e dor de cabeça, recebeu soro, injeção e foi liberada em seguida. Quando chegou em casa, piorou. Era dengue hemorrágica.
- Enfrentamos um calvário dentro do hospital. Minha mulher teve de ficar esperando horas na fila. O atendimento foi péssimo. Infelizmente, quem precisa da saúde pública está perdido - declarou José Augusto Costa, 31 anos, marido da vítima e que agora terá que cuidar sozinho de dois filhos, de 3 e 8 anos.
Ainda na mesma semana, a dona-de-casa, que morava no bairro da Saúde, no Centro, procurou um posto de saúde, onde foi feito um exame de sangue.
- A médica confirmou que era dengue e passou uns remédios, mas já não adiantava mais - conta o marido.
A Secretaria de Saúde desconhece o caso de Jussilene. Em nota, informa que vai investigar para confirmar se a paciente realmente estava com dengue.
José Augusto vai processar, por negligência, o hospital que atendeu sua mulher. No sábado seguinte, ela deu entrada na unidade às 5h30 e só foi para a CTI às 13h30. A jovem morreu no domingo de manhã. (...)
(..) A dengue hemorrágica ainda não fez vítimas fatais na Zona Sul este ano, mas vem assustando os moradores, apesar de os indicadores oficiais não mostrarem essa realidade. Em um apartamento na Rua Sousa Lima, em Copacabana, um casal está há 11 dias de cama, com febre de 39 graus, muita dor no corpo e manchas pela pele. O diagnóstico básico já foi dado por um médico do Hospital São Lucas: estão com dengue hemorrágica. Agora, eles estão ansiosos com a chegada do dia 28, quando saberão exatamente que tipo de dengue possuem. (...)
*** COMENTANDO A NOTÍCIA: No mesmo dia, em outra reportagem do mesmo Jornal do Brasil, lemos que “(...)As ações de combate à dengue no Rio receberam, na última semana, sinal vermelho do Tribunal de Contas da União (TCU). E o alerta é grave. Em auditoria realizada nos meses de abril e maio, os técnicos do tribunal concluíram - e os ministros do TCU concordaram - que o dinheiro repassado pelo governo federal para o Estado e o município investirem no combate à doença estão sendo muito mal usados.
O relatório, assinado pelo ministro Valmir Campelo e aprovado na última quarta-feira, mostra que há fortes indícios de fraude e superfaturamento na compra de materiais usados no combate ao mosquito Aedes aegypti e desvio de recursos repassados pelo Ministério da Saúde com gastos, pelo Estado, sem relação com ações de prevenção ou combate à dengue. Além disso, também foram verificadas falhas nas ações e na logística de controle da proliferação dos mosquitos. (...)”.
Isto representa dizer o seguinte: primeiro, que o Estado mente com relação à ameaça, que é real, de uma epidemia de dengue em plena realização dos Jogos Panamericanos. E que age de forma criminosa na aplicação da verba que lhe é repassada pelo governo federal para prevenção e combate conforme atesta o relatório do TCU. Mas há um fato que precisa ficar mais claro: se a verba é federal, onde está o acompanhamento obrigatório que o Ministério da Saúde deveria fazer quanto a real e competente aplicação do dinheiro público ? Se falhas estão ocorrendo de parte dos governos municipal e estadual, o federal não pode ser isentado de culpa. Não justifica o fato de Sérgio Cabral ser aliado de Lula, e este liberar dinheiro para uma ação pública sem a devida prestação de contas. Duvido que tanta facilidade seja para liberar seja para não cobrar a execução correta do dinheiro, o governo federal adote com os governos estaduais cujos administradores pertençam a partidos em oposição ao governo federal. Seriedade, responsabilidade e honestidade serve tanto para um quanto para o outro. Afinal, até hoje dinheiro público não tem partido. Ou ao menos não deveria ter.