O PROBLEMA É FALTA DE AUTORIDADE
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
Depois de mais semanal infernal nos aeroportos, o Brasil parecia assistir o começo de uma solução: Lula chamou o comandante da Aeronáutica, Brigadeiro Juniti Sato, e deu-lhe carta branca para agir e por ordem no galinheiro. Imediatamente, e bem ao estilo militar, como aliás deveria ser desde o princípio desta zorra toda, o Brigadeiro Sato deu voz de prisão para quem deveria, afastou meia dúzia de insubordinados, e começou a mostrar para os controladores que disciplina e ordem seriam conjugados com a veemência merecida. O que se viu? A crise começou a arrefecer e parecia que se encaminharia para um espirro final.
Diante das tendências deste sábado, ou Lula se deu conta, ou algum vagabundo assessor dos ditos “especiais” soprou-lhe no ouvido que, do modo como as coisas andavam, quem sairia ganhando seria o comandante da Aeronáutica, que demonstraria competência e mais do que nunca a autoridade necessária para enfrentar a crise. Uma luz se acendeu na cabeça do presidente: “mas o presidente sou eu”. E pronto, já estava feita a meleca. Sua extremada vaidade não admitira sair politicamente ferido do episódio. E começou a dar sinais de voltar atrás de algumas decisões encaminhadas pelo comandante da Aeronáutica.
Leiam o que diz Cláudio Humberto em sua página (link ao lado):
Suposto recuo de Lula preocupa militares
Oficiais do Alto Comando da Aeronáutica estão muito preocupados com "sinais" - detectados por aliados do governo - de que o presidente Lula examina a possibilidade de ordenar ao comandante da FAB, brigadeiro Juniti Saito, um "recuo" na decisão de punir exemplarmente os controladores de vôo que sabotaram o tráfego aéreo nacional. "Se o presidente deixar o brigadeiro Juniti Saito na mão, desautorizando sua ação disciplinadora, aí teremos a completa anarquia nos quartéis", adverte um preocupado brigadeiro. Pelo plano submetido por Saito a Lula, os controladores serão afastados e transferidos para outros setores, enquanto se estuda o passo seguinte, que poderá ser até a expulsão da tropa com desonra. No despacho com o comandante da Aeronáutica, sexta-feira, o presidente autorizou até mesmo - na hipótese de agravamento da insubordinação - que os controladores sabotadores sejam considerados "terroristas".
É de se esperar que isto não passe ou de mal entendido ou de um daqueles murmúrios especulativos. Solta-se a notícia em off, observa-se a reação e depois ou se confirma ou se desmente dependendo da reação inicial.
Porque, convenhamos, a ser verdadeira a intenção de Lula de reverter as punições, Lula está deflagrando uma crise institucional sem precedentes. E a troco de nada. De graça. Confirmada a reversão, a primeira coisa que acontecerá é dar aos moleques que sabotaram o controle de tráfego aéreo uma autoridade maior do que a que se concedeu ao comandante da Aeronáutica. Assim, nem há porque o Brigadeiro Sato continuar comandando a Aeronáutica, nem tampouco há porque exigir-lhe que execute uma autoridade sobre seus comandados que lhe foi solapada pelo próprio presidente da república.
Nesse caso, melhor faria o Brigadeiro retirando-se do comando, e nenhum outro aceitar a nomeação. Além disso, já seria provocação demais depois do caso Lamarca, juntado à insatisfação de serem comandados por alguém como Waldir Pires. Claro, existem e não faltam razões para os militares estarem totalmente descontentes como governo Lula. É claro que a disciplina que os caracteriza não os fará agir irracional e inconstitucionalmente. Porém, o precedente é perigoso e vai abrir um caminho que julgávamos enterrado para sempre.
Para seu próprio bem, Lula deveria deixar a coisa como está e não se sentir tentado a por a mão em vespeiro. Mas há um outro lado que é importante a gente destacar: toda a balbúrdia que vive o país, em todos os campos, representam a total falta de autoridade. Lula pode exercer a liderança que quiser junto aos seus, mas falta-lhe o espírito necessário para governar o país com a qualidade que se requer: não sabe exercer a autoridade que o cargo lhe reveste. Exercer autoridade não é simplesmente dar ordens. É vê-las sendo cumpridas. Não é simplesmente combater adversários políticos com discursos cretinos, é saber convencê-los com lógica, equilíbrio e bom senso. Ou, ao tacão autoritário, mandar calar os críticos. É fazer como FHC fez com o MST: enquadrá-los ao estado de direito e não permitir a baderna. Tanto que em seu governo, sem que precisasse (e poderia) empregar a força policial fez menos invasões do que sob o governo Lula que, por não ter autoridade, permite que a baderna corra solta no país, de norte a sul.
A crise aérea tem sim, algo com a falta dos investimentos reclamados e não atendidos. Mas tem, também, com a intromissão indevida de pessoas desqualificadas em assuntos em que não têm a menor competência para se intrometer, Lula inclusive. Aliás, no artigo da Eliane Catanhêde que reproduzimos aqui. “A culpa é de Lula”, ela reproduziu bem duas oportunidades em que a intervenção de Lula foi pra lá de inconseqüente e indevida.
Em todos os governos dito de esquerda, o cenário é sempre este mesmo: baderna, balbúrdia, confusão, crises, porque para os amigos do poder, que não passam de aliados e cúmplices, tudo é permitido, e a autoridade do governante ditador de plantão é mera figuração. O presidente brasileiro tem dado mostras em outra ação patética que é a crise com a Bolívia por conta do fornecimento de gás. Quanto mais deixa de impor ao vizinho, mais este se sente tentado a lhe chutar o traseiro do Brasil, e sem que Lula demonstre a menor insatisfação com o fato. Estamos subordinando o interesse do país, a uma amizade prejudicial a este interesse. Os prejuízos ? Lula nem está preocupado com isto, afinal de contas, não será ele que arcará com isto.
De qualquer mordo, espero que Lula não caia na tentação de reverter as punições levadas a efeito pelo Brigadeiro Saito. Isto pode lhe custar uma crise sem precedentes. E acabaria por comprometer a totalidade de seu segundo mandato. E não falo de uma crise do apagão aéreo. Seria este o menor dos problemas. A crise seria institucional, com a autoridade da presidência perdendo terreno e minando-se por conta própria em todas as instâncias do poder. Diante dela, o caminho para uma ruptura seria aberto com toda a clareza. O país já vive crises localizadas demais, o povo foi fragmentado em nichos de classes por força de políticas idiotas implantadas ainda no primeiro mandato.
Se algum destes “assessores” especiais se considera amigo do peito do presidente é bom orientá-lo a se resguardar, e deixar o assunto como está, nas mãos de quem sabe o que fazer. Qualquer outra orientação no sentido contrário, estará contaminando o país, e alimentando um curto prazo com muito incêndio e pouca água para apagar. E neste sentido, o que não faltam são incendiários. Assim como faltam controladores em número suficiente, faltarão bombeiros em quantidade capaz de controlar a situação.
E, para piorar e agravar o quadro, e a exemplo da afirmação de que sobram incendiários malucos por aí,m o irresponsável é o Paulinho da CUT ameaçando invadir os aeroportos caso as punições se confirmem. Este cidadão além de irresponsável, é um débil mental e cretino: sua preocupação não está nos milhares de passageiros e sua já prolongada agonia. Ele quer preservar da punição os moleques que jogam no lixo qualquer compromisso com o serviço que deveriam e não o fazem por birra e canalhice. A patética ameaça é o endosso de que, para as esquerdas o que o conta é o estado de caos: quanto pior melhor. Esta sempre foi a aposta destes “admiráveis” senhores da ignorância e da baderna. A única autoridade que eles admitem é aquela que aniquila com os adversários de seu sectarismo: se preciso, matar torna-se até necessário. Os milhões de cadáveres que deixaram pelo mundo afora, atestam tudo isto.
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
Depois de mais semanal infernal nos aeroportos, o Brasil parecia assistir o começo de uma solução: Lula chamou o comandante da Aeronáutica, Brigadeiro Juniti Sato, e deu-lhe carta branca para agir e por ordem no galinheiro. Imediatamente, e bem ao estilo militar, como aliás deveria ser desde o princípio desta zorra toda, o Brigadeiro Sato deu voz de prisão para quem deveria, afastou meia dúzia de insubordinados, e começou a mostrar para os controladores que disciplina e ordem seriam conjugados com a veemência merecida. O que se viu? A crise começou a arrefecer e parecia que se encaminharia para um espirro final.
Diante das tendências deste sábado, ou Lula se deu conta, ou algum vagabundo assessor dos ditos “especiais” soprou-lhe no ouvido que, do modo como as coisas andavam, quem sairia ganhando seria o comandante da Aeronáutica, que demonstraria competência e mais do que nunca a autoridade necessária para enfrentar a crise. Uma luz se acendeu na cabeça do presidente: “mas o presidente sou eu”. E pronto, já estava feita a meleca. Sua extremada vaidade não admitira sair politicamente ferido do episódio. E começou a dar sinais de voltar atrás de algumas decisões encaminhadas pelo comandante da Aeronáutica.
Leiam o que diz Cláudio Humberto em sua página (link ao lado):
Suposto recuo de Lula preocupa militares
Oficiais do Alto Comando da Aeronáutica estão muito preocupados com "sinais" - detectados por aliados do governo - de que o presidente Lula examina a possibilidade de ordenar ao comandante da FAB, brigadeiro Juniti Saito, um "recuo" na decisão de punir exemplarmente os controladores de vôo que sabotaram o tráfego aéreo nacional. "Se o presidente deixar o brigadeiro Juniti Saito na mão, desautorizando sua ação disciplinadora, aí teremos a completa anarquia nos quartéis", adverte um preocupado brigadeiro. Pelo plano submetido por Saito a Lula, os controladores serão afastados e transferidos para outros setores, enquanto se estuda o passo seguinte, que poderá ser até a expulsão da tropa com desonra. No despacho com o comandante da Aeronáutica, sexta-feira, o presidente autorizou até mesmo - na hipótese de agravamento da insubordinação - que os controladores sabotadores sejam considerados "terroristas".
É de se esperar que isto não passe ou de mal entendido ou de um daqueles murmúrios especulativos. Solta-se a notícia em off, observa-se a reação e depois ou se confirma ou se desmente dependendo da reação inicial.
Porque, convenhamos, a ser verdadeira a intenção de Lula de reverter as punições, Lula está deflagrando uma crise institucional sem precedentes. E a troco de nada. De graça. Confirmada a reversão, a primeira coisa que acontecerá é dar aos moleques que sabotaram o controle de tráfego aéreo uma autoridade maior do que a que se concedeu ao comandante da Aeronáutica. Assim, nem há porque o Brigadeiro Sato continuar comandando a Aeronáutica, nem tampouco há porque exigir-lhe que execute uma autoridade sobre seus comandados que lhe foi solapada pelo próprio presidente da república.
Nesse caso, melhor faria o Brigadeiro retirando-se do comando, e nenhum outro aceitar a nomeação. Além disso, já seria provocação demais depois do caso Lamarca, juntado à insatisfação de serem comandados por alguém como Waldir Pires. Claro, existem e não faltam razões para os militares estarem totalmente descontentes como governo Lula. É claro que a disciplina que os caracteriza não os fará agir irracional e inconstitucionalmente. Porém, o precedente é perigoso e vai abrir um caminho que julgávamos enterrado para sempre.
Para seu próprio bem, Lula deveria deixar a coisa como está e não se sentir tentado a por a mão em vespeiro. Mas há um outro lado que é importante a gente destacar: toda a balbúrdia que vive o país, em todos os campos, representam a total falta de autoridade. Lula pode exercer a liderança que quiser junto aos seus, mas falta-lhe o espírito necessário para governar o país com a qualidade que se requer: não sabe exercer a autoridade que o cargo lhe reveste. Exercer autoridade não é simplesmente dar ordens. É vê-las sendo cumpridas. Não é simplesmente combater adversários políticos com discursos cretinos, é saber convencê-los com lógica, equilíbrio e bom senso. Ou, ao tacão autoritário, mandar calar os críticos. É fazer como FHC fez com o MST: enquadrá-los ao estado de direito e não permitir a baderna. Tanto que em seu governo, sem que precisasse (e poderia) empregar a força policial fez menos invasões do que sob o governo Lula que, por não ter autoridade, permite que a baderna corra solta no país, de norte a sul.
A crise aérea tem sim, algo com a falta dos investimentos reclamados e não atendidos. Mas tem, também, com a intromissão indevida de pessoas desqualificadas em assuntos em que não têm a menor competência para se intrometer, Lula inclusive. Aliás, no artigo da Eliane Catanhêde que reproduzimos aqui. “A culpa é de Lula”, ela reproduziu bem duas oportunidades em que a intervenção de Lula foi pra lá de inconseqüente e indevida.
Em todos os governos dito de esquerda, o cenário é sempre este mesmo: baderna, balbúrdia, confusão, crises, porque para os amigos do poder, que não passam de aliados e cúmplices, tudo é permitido, e a autoridade do governante ditador de plantão é mera figuração. O presidente brasileiro tem dado mostras em outra ação patética que é a crise com a Bolívia por conta do fornecimento de gás. Quanto mais deixa de impor ao vizinho, mais este se sente tentado a lhe chutar o traseiro do Brasil, e sem que Lula demonstre a menor insatisfação com o fato. Estamos subordinando o interesse do país, a uma amizade prejudicial a este interesse. Os prejuízos ? Lula nem está preocupado com isto, afinal de contas, não será ele que arcará com isto.
De qualquer mordo, espero que Lula não caia na tentação de reverter as punições levadas a efeito pelo Brigadeiro Saito. Isto pode lhe custar uma crise sem precedentes. E acabaria por comprometer a totalidade de seu segundo mandato. E não falo de uma crise do apagão aéreo. Seria este o menor dos problemas. A crise seria institucional, com a autoridade da presidência perdendo terreno e minando-se por conta própria em todas as instâncias do poder. Diante dela, o caminho para uma ruptura seria aberto com toda a clareza. O país já vive crises localizadas demais, o povo foi fragmentado em nichos de classes por força de políticas idiotas implantadas ainda no primeiro mandato.
Se algum destes “assessores” especiais se considera amigo do peito do presidente é bom orientá-lo a se resguardar, e deixar o assunto como está, nas mãos de quem sabe o que fazer. Qualquer outra orientação no sentido contrário, estará contaminando o país, e alimentando um curto prazo com muito incêndio e pouca água para apagar. E neste sentido, o que não faltam são incendiários. Assim como faltam controladores em número suficiente, faltarão bombeiros em quantidade capaz de controlar a situação.
E, para piorar e agravar o quadro, e a exemplo da afirmação de que sobram incendiários malucos por aí,m o irresponsável é o Paulinho da CUT ameaçando invadir os aeroportos caso as punições se confirmem. Este cidadão além de irresponsável, é um débil mental e cretino: sua preocupação não está nos milhares de passageiros e sua já prolongada agonia. Ele quer preservar da punição os moleques que jogam no lixo qualquer compromisso com o serviço que deveriam e não o fazem por birra e canalhice. A patética ameaça é o endosso de que, para as esquerdas o que o conta é o estado de caos: quanto pior melhor. Esta sempre foi a aposta destes “admiráveis” senhores da ignorância e da baderna. A única autoridade que eles admitem é aquela que aniquila com os adversários de seu sectarismo: se preciso, matar torna-se até necessário. Os milhões de cadáveres que deixaram pelo mundo afora, atestam tudo isto.