Adelson Elias Vasconcellos
No post lá em cima, comento sobre a atuação da agora ministra das Relações Institucionais no Senado. E, especificamente, me detive quanto ao seu temperamento que, entendo, não a recomenda para uma função em que o equilíbrio emocional, a temperança diplomática são atributos indispensáveis para o desempenho do cargo.
Mas Ideli tem um passado recente que deveria ter pesado melhor na avaliação da presidente. Lembram-se do ministro do Turismo que andou gastando dinheiro público para o pagamento de motel? Apesar da imoralidade e desonestidade, acabou ministro mesmo assim. Pois então, Ideli também foi alvo de denúncia igual.
O texto a seguir é da Folha de São Paulo de janeiro deste ano. Retorno depois.
A futura ministra da Pesca, senadora Ideli Salvatti (PT-SC), gastou mais de R$ 4.000 em verba indenizatória do Senado com pagamento de diárias de um hotel em Brasília enquanto recebia auxílio-moradia, o que é irregular. O Senado informou que o uso da verba indenizatória para essa finalidade não é permitido, uma vez que os senadores já recebem um benefício para custear despesas com moradia em Brasília no valor de R$ 3.800 mensais. Ou seja, ela recebeu duas vezes pela mesma despesa.
Após ser procurada ontem, Ideli, há oito anos no Senado, disse por meio de nota ter havido um erro da sua assessoria e mandou devolver o dinheiro aos cofres públicos.
A Folha apurou que a petista pediu ainda ao Senado que apague a informação sobre o gasto no site da Casa, onde ficam registradas todas as despesas dos senadores com a verba indenizatória, após o ressarcimento. A verba, no valor de R$ 15 mil mensais, só pode ser usada para custear despesas com os escritórios dos senadores “exclusivamente no Estado do parlamentar” ou com o pagamento de aluguel de jatinho para uso dentro de seu Estado.
Conforme registro oficial, a senadora pediu e recebeu ressarcimento do Senado para pagar diárias no hotel San Marco em vários dias dos meses de janeiro, novembro e dezembro deste ano. A Casa informou que só agora, depois de questionado pela reportagem, a petista percebeu ter havido “erro”.
A Folha encontrou notas fiscais do hotel que somam R$ 4.606,68. O site do Senado só passou a dar transparência a esses gastos a partir de abril do ano passado. No mês passado, Ideli apresentou cinco notas com valores variados: R$ 260,70, R$ 747,01, R$ 475,64, R$ 571,89 e 198,99. Elas somam R$ 2.254,23. Neste mês, apresentou três notas. Somadas, elas chegam a R$ 1.607,65. Em janeiro, foi apresentada uma nota de R$ 744,80. Os senadores podem optar pelo apartamento funcional ou por usar o auxílio moradia para se hospedar em Brasília -neste caso, o auxílio é pago automaticamente mesmo que o congressista tenha casa própria na cidade.
Segundo a assessoria de Ideli, ela optou pelo hotel San Marco, um quatro estrelas em bairro nobre.
A petista liderou no segundo mandato de Lula a tropa de choque do governo no Senado. Ela defendeu colegas da base acusados de irregularidades, entre eles Renan Calheiros (PMDB-AL) e José Sarney (PMDB-AP). Defendeu ainda a então ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), quando a hoje presidente eleita foi acusada de envolvimento na elaboração de um dossiê com gastos do governo tucano. A fidelidade levou Ideli a ser convidada para o ministério da Pesca, após a derrota na eleição para o governo do Estado de Santa Catarina.
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COMENTO:
O que me intriga nestas nomeações, também em outras deste mesmo governo e até no de Lula, será que não há no PT gente com currículo sem máculas? Será que todos, de um modo ou de outro, são chegados a se apropriarem de favores e dinheiro público para fins pessoais? Não existirá nos quadros petistas pessoas que se dediquem ou se dedicaram à vida pública de forma retilínea? Ou será justamente estes pecadilhos as “virtudes” que os torna habilitados a pertencerem aos quadros do partido, além é claro, de se declararem como de “esquerda”?
Não é à toa que os governos petistas, em qualquer nível, sempre acabam atropelados por escândalos de toda a sorte.
Bem que dona Dilma poderia ser mais precavida porque, pela pressa em nomear os “fiéis” sem importar-se com seus pecados, acabará sendo engolida por eles e pelos fatos desagradáveis que acabarão criando. Assim, ao invés de dedicar tempo em tocar seu governo, com projetos e programas em favor do país, acabará dedicando mais tempo em administrar crises internas. Considerando o imenso leque de apoio parlamentar, e a irrelevância da atual oposição preocupada muito mais em se autodestruir, é não entender o momento excepcional que desfruta para realizar um excelente governo ficar exposta a crises por falta de melhor julgamento. E olhem que sequer estou considerando a questão ideológica, que é muito mais perniciosa do que a pressa em nomear gente duvidosa.