Adelson Elias Vasconcellos
Está mais do que provado que a turma que se diz contrária ao Código Florestal aprovado na Câmara, não se deu ao trabalho de ao menos ler o que ele contém. Muitos adotaram um discurso terrorista e vigarista sobre os defeitos que o texto conteria apenas porque fulano ou beltrano disse que é ou era assim.
Neste sentido, o papel que a rainha da floresta, Marina Silva, vem desempenhando é vexatório. Já provamos aqui que o Brasil tem, sim, apesar dos discursos, muito do que se orgulhar no que diz respeito à preservação de suas florestas. É o único no mundo todo a manter intactas 70% de sua cobertura florestal original. Quem disse o contrário, é mentiroso e vigarista.
Pois bem: quer se quer impor ao país que, tanto os desmatamentos recentes quanto os últimos assassinatos no Pará e em Rondônia, foram provocados pelo novo Código. Esqueceram, contudo, de informar que, no caso dos assassinatos, uns se deram por brigas internas nos assentamentos em que os crimes ocorreram. Outros, foram motivados pela briga entre trabalhadores rurais e madeireiras. E aí começa de fato o grande nó de toda a discussão.
O grande problema que venho apontando para melhor proteção às florestas, no caso, a Amazônica, ao contrário do que os ambientalista insinuam, nada tem a ver com os produtores rurais brasileiros. O que falta é melhor e maior vigilância quanto à ação predatória de madeireiras, garimpos e bio pirataria. Poderia incluir neste rol a ação das quadrilhas de traficantes de drogas que destroem parte da floresta para a construção de aeroportos clandestinos.
Já disse certa vez que boi não come árvore, e é esta tônica que tem servido de apelo para o desmatamento ilegal. O que existe de madeireiras atuando de forma ilegal no interior da Amazônia é um despropósito. E atenção: muito desta extração e comércio posterior, tem sido obtido através de licenças emitidas de maneira fraudulenta por órgãos públicos. Ou seja: é dentro do poder público que a corrupção “autoriza” o desmate. Isto conjugado à fiscalização insuficiente e ineficaz acabam produzindo os desastres que diariamente a grande imprensa tem nos informado. Porém, é sobre os produtores rurais que os inimigos do novo código florestal querem investir, esquecendo-se que é o fruto do trabalho de mais de 3,5 milhões de pequenos e médios produtores que se assenta a estabilidade econômica do país. Disto já escrevemos muito, outros autores mais renomados também, mas parece ser insuficiente para provar, porque a mistificação e o engodo dos ambientalistas, por produzirem mais barulho, acaba falando mais alto, sem contudo se justificarem em momento algum.
Querem mais? Vejam reportagem da Folha que reproduzimos nesta edição: por usinas, governo vai reduzir áreas de proteção na Amazônia. Pois é, e querem culpar o código florestal, né? No texto, somos informados de que o governo vai reduzir, por Medida Provisória, ou seja, sem discutir com o Congresso ou mesmo com a sociedade, sete unidades de conservação na Amazônia para permitir a construção de seis hidrelétricas --uma delas seria a quarta maior do país.
E onde será esta investida? No vale dos rios Tapajós e Jamanxim, no Pará, uma das áreas mais preservadas e mais biodiversas da floresta.
Mas prestem atenção ao que o texto ainda acrescenta: segundo o ICMBio (Instituto Chico Mendes para a Conservação da Biodiversidade), a ideia é ter um projeto de lei ou Medida Provisória determinando a redução das áreas protegidas até agosto.
E como se tudo isto ainda não bastasse, a decisão foi tomada “... sem estudos técnicos e tem oposição unânime dos chefes das unidades...” Pergunto: neste caso, o governo liga para o novo código florestal, ou mesmo para o antigo? Resposta é: não dá a menor importância nem para um nem para outro.
Sabemos que o país precisa aumentar sua capacidade de geração elétrica. Mas será que não existem outras alternativas, de menor impacto? Para que se tenha a exata dimensão da atitude proposta pelo governo, a área a ser alagada pelas as usinas seria de 3.200 km² !!!!
Vale para a geração de energia o mesmo que para o caso da Copa Mundo: a pressa em fazer não justifica, nunca, em momento algum, que se abandonem as leis e os cuidados que se deve ter para evitar-se arrependimentos futuros ou um excesso de gastos que poderiam ser evitados.
É o caso, por exemplo, de Belo Monte. Se a usina é indispensável ao progresso do país que então ela seja construída, porém, sem atropelar as regras existentes que devem nortear toda e qualquer obra pública, principalmente, quando impacta, como será o caso, o meio ambiente. Se sua construção para se justificar inteiramente, exige o atendimento de dezenas de postulados, que a obra se execute dentro destes parâmetros.
Assim, não pode o mesmo governo que defende mudanças no texto do Código Florestal já aprovado, em nome da preservação, mas penalizando de forma arbitrária mais de 3,5 milhões de pequenos agricultores, muitos deles sem outra alternativa de sobrevivência, e presentes nas atuais áreas há dezenas de anos sem prejuízos ambientais de nenhuma espécie, por outro lado, em nome de seu “progressismo” inconsequente, reduzir e impactar áreas de preservação já constituídas. É uma forma estúpida de compensação.
Agora reparem no quadro abaixo:
Os dados referentes à agropecuária são do Censo Agropecuário de 2006, do IBGE. As outras fontes estão especificadas logo abaixo.
Ali se vê o seguinte: a agropecuária brasileira, que se pode dizer, tranquilamente, ser a mais competitiva em termos mundiais, ocupa apenas 329.941.393 dos 851 milhões de hectares do Brasil — ou 38,8%.
Mas um dado é interessante : dentro desses quase 330 milhões de hectares, 98.479.628 (30%) são matas e florestas que compõem as Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal. Isso significa que sobram para a atividade agroindustrial 231.461.765 milhões de hectares — ou 27% do total.
O IPEA, que já foi um instituto sério e em favor do país, atualmente braço de um partido, o PT, fez divulgar na imprensa um “estudo” (?), afirmando que o passivo ambiental do país seria de 159,3 milhões de hectares. Como consequência do que pretendem os ambientalistas, seria preciso entregar 69% da área atualmente destinada à agricultura e pastagem para a “conservação”, deixando que o mato ali se transforme em “riqueza natural”. Em consequência, restariam para produzir comida 72.161.765 hectares, ou 8% do território brasileiro, com um redução de consideráveis 28% da atual área ocupada pela agropecuária nacional. Não é preciso ser um especialista em economia para se perceber que o desabastecimento seria inevitável, além do aumento indiscriminado nos índices de inflação pela oferta menor, além de um rombo na balança de comércio exterior que se tornaria deficitária, obrigando o país a gastar reservas internacionais, uma das bases de sua atual estabilidade. E a troco do quê? De nada, ou melhor, de se atender o apetite vigarista de ONGs cafajestes e vigaristas, a maioria estrangeiras, que teriam na redução da competitividade brasileira no mercado externo, o seu verdadeiro ganho de capital. A floresta, senhores, é apenas um pretexto, o caminho artificial de que se valem para retirar o Brasil da cena mundial.
O interessante é que, se estes picaretas fossem atendidos, a agropecuária que alimenta praticamente 200 milhões de brasileiros, ficaria reduzida a apenas 8%, enquanto as áreas destinadas aos índios, que compõem menos de 0,5% da população, têm reservas que somam 12,6% do território. E há quem queira aumentá-las. Cadê o critério e onde foi parar a coerência?
Claro que os terroristas da causa ambiental se negam em discutir a partir dos verdadeiros números. Partem para uma espécie de umbral filosofal, cheios de ternuras e fantasias, onde a verdade fica sepultada em definitivo e proibida de ser divulgada. Troca-se o fato e o argumento que os números reais impõem, pelo barulho, pela chantagem, pelo apelo imbecil, pela mistificação. Já nos basta que, no Brasil, precisamos conviver com a situação absurda de que, matar pessoas, produz penas menores do que matar onças e jacarés!!!
