sexta-feira, janeiro 27, 2012

E continua a sujeira no governo Dilma



Foram dois artigos do Noblat sobre um mesmo tema: a propalada e decantada competência ética da presidente. Porém, tirando o discurso e a propaganda, o que sobra é o que vemos em dois casos lembrados pelo Noblat. E para constar: como sempre acontece nestes casos, a corda acaba arrebentando do lado mais fraco. Para manter o ministro, rezando para não surgirem novas lambanças e denúncias, corta-se a cabeça de seu imediato mais próximo. Foi o que aconteceu hoje: Dilma mandou avisar ao chefe do DNOCS, Elias Fernandes, que ele pedira demissão e que ela havia aceito...   

Seguem os textos em um mesmo post.
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Os principais personagens, cada um ao seu modo, confirmam o que Leandro Collon, repórter da Foha de S. Paulo, apurou e o jornal publica hoje.

Escreveu Leandro: "Integrantes da cúpula do PP discutiram no ano passado com uma empresa de informática sua participação num projeto milionário do Ministério das Cidades antes que fosse aberta licitação pública para sua contratação.

O assunto foi tratado em reuniões no apartamento funcional do deputado João Pizzolatti (SC), ex-líder do PP na Câmara e aliado do ministro Mário Negromonte, único representante do partido no primeiro escalão do governo.

O próprio ministro participou de um dos encontros. Eles permitiram que a empresa, a Poliedro Informática, fizesse contato com a equipe de Negromonte e discutisse o assunto com o governo antes de outros interessados.

Também estiveram nas reuniões o secretário-executivo do ministério e braço direito de Negromonte, Roberto Muniz, o lobista Mauro César dos Santos e o ex-deputado Pedro Corrêa, cassado por conta de seu envolvimento no escândalo do mensalão.

(...) O ministério quer contratar uma empresa para gerenciar suas redes de computadores e monitorar obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). O valor do contrato é estimado em R$ 12 milhões, mas o dono da Poliedro diz que ele pode alcançar R$ 60 milhões."

Com a palavra, alguns dos personagens.

"Negromonte admite ter encontrado o dono da Poliedro pelo menos uma vez no apartamento de Pizzolatti, mas nega ter discutido com ele detalhes do projeto que despertou o interesse de Garcia. 

O empresário confirmou que foi à casa do deputado para tratar do assunto. "Estive lá para apresentar um projeto técnico", afirmou. "Eles [Corrêa e Pizzolatti] me disseram: 'Vai lá no meu apartamento'. Eles não entendem de informática, mas entendem de gestão de governo."

Pizzolatti e Corrêa disseram que não se lembram de suas conversas com Garcia. 

"Foi uma conversa de apresentação", afirmou o lobista Santos. "A gente passou lá para tomar um vinho como amigos (...) e coincidiu de o [Roberto] Muniz passar, assim como o Negromonte." 

E aí, presidente Dilma? Vai retomar a faxina ética?

Ou a faxina de fato foi enterrada quando a senhora fechou os olhos ao fato de o ministro Fernando Pimentel, seu amigo querido, ter recebido dinheiro como consultor sem ter prestado consultoria?

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Mais sujeira que a faxineira ética faz que não vê

Está no relatório da Controladoria Geral da União (CGU), concluído em dezembro de 2011: registrados prejuízos de R$ 312 milhões na gestão de pessoal e em contratações irregulares do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs).

O que houve? "Uma sucessão de pagamentos superfaturados, contratos com preços superestimados e "inércia" da direção do órgão para sanar irregularidades que prosperaram ao longo da última década."

Quer mais?

"A CGU também aponta "concentração significativa" de convênios para ações preventivas de Defesa Civil no Rio Grande do Norte, estado do diretor-geral do Dnocs, Elias Fernandes, e de seu padrinho político, o líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).".

E então?

Então Fernando Bezerra Coelho, ministro da Integração Nacional, informou à Casa Civil da presidência da República que estava pronto para demitir o diretor-geral do Dnocs.

A Casa Civil repassou a informação a presidente Dilma e ao vice-presidente Michel Temer. E Bezerra Coelho acabou impedido de fazer o que queria.

O que queria, não. O que deveria fazer - se esse de fato é um governo sério, se a presidente de fato não compactua com malfeitos, muito menos o vice-presidente e presidente licenciado do PMDB.

A Folha de S. Paulo, ontem, publicou que empresário interessado em fazer negócio com o Ministério das Cidades discutiu com o ministro Mário Negromonte os termos de uma licitação que ali seria aberta.

Deu no quê?

Por ora deu em nada. Ou casos assim viram escândalo e o governo se vê forçado a agir ou acabam ficando por isso mesmo.

Às vezes viram escândalo e nem por isso o governo se mexe. Não foi o que aconteceu com o minitro Fernando Pimentel - o consultor que ganhou dinheiro sem conseguir provar que prestou consultoria?

Por que Pimentel foi poupado pela "faxineira ética"?

Porque é o queridinho da "faxineira". E é ela quem manda.