Agência Estado
Apesar de o governo brasileiro ter concedido visto para a blogueira cubana Yoani Sánchez, que se tornou uma das principais vozes críticas ao governo de Cuba, a presidente Dilma Rousseff não pretende incluir em sua agenda o pedido de audiência feito por oposicionistas daquele País.
A concessão do visto e a nota publicada pelo Itamaraty anunciando a decisão foram consideradas um "gesto público forte" do governo no sentido de posicionar em relação à questão.
Auxiliares da presidente asseguram que receber os oposicionistas seria um ataque direto ao regime cubano, o que atrapalharia o bom rendimento da visita de três dias de Dilma a Havana, que começa na próxima segunda-feira.
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
A negativa de Dilma em receber a cubana Yoani Sánchez não se constitui em surpresa alguma. Era o previsto.Para afastar o clima de insensível ao relação a uma outra mulher, a soberana aprovou o visto de entrada, mas, claro, somente depois de certificar-se de que o regime cubano também o concederia. Isto é o lado marqueteiro da história. Outro, e bem diferente, é encarar a ditadura cubana para receber queixosos de um regime que faz dobradinha com os caudilhos mais retrógrados do continente. Aliás, faz é escola, mesmo.
Assim, resolve parte do problema que a imagem ruim em negar o visto certamente se criaria, mas fica de escanteio e se nega em receber a blogueira cubana em respeito aos sanguinários Irmãos Castro. É um critério sim, apesar de cretino, porque prova que direitos humanos vale apenas para os “outros”, nunca, jamais para os companheiros. Querem ver como funciona o esquema? É só repararem como Dilma age em relação a ministros e auxiliares dos outros partidos de sua base quando envolvidos em denúncias de corrupção, e como a reação é totalmente diferente quando o envolvido é um petista. Dois pesos, duas medidas.
E que se reconheça: Dilma, a soberana, não difere de Lula em muitos aspectos, apesar do seu marketing tenta vender esta imagem.