Josias de Souza
A Procuradoria da República decidiu requerer novas diligências da Polícia Federal no inquérito que apura o vazamento de questões do Enem de 2011 no Ceará. Os procuradores que cuidam do caso consideraram insufientes as conclusões do primeiro relatório policial.
A PF responsabilizou pelo vazamento de 14 questões um professor e um funcionário do Colégio Christus, de Fortaleza. A dupla foi indiciada sob a acusação de ter cometido o crime de estelionato. O relatório chegou ao Ministério Público Federal na última sexta (20).
Ao analisá-lo, os procuradores Oscar Costa Filho e Maria Candelária Di Ciero concluíram que o trabalho da PF não oferece segurança para a formulação de uma denúncia. Alegam necessitar de “elementos mais convincentes”. Daí a requisição de novas diligências policiais.
Tomados pelas palavras, os procuradores parecem desejar que a PF leve suas apurações para dentro do Ministério da Educação e do Inep, órgão que administra o Enem.
A procuradora Maria Candelaria declara, por exemplo, que o acesso aos cadernos de pré-teste por funcionários do colégio cearense “por si só não tem a garantia de que as questões neles contidas figurariam na prova final” do Enem.
Mais explícito, o procurador Oscar Filho afirma que “o vazamento não pode ser interpretado como problema local”, circunscrito ao Ceará. Acha que é preciso esclarecer o problema em toda sua amplitude. Está em jogo, segundo ele, “a própria credibilidade do Enem”.
Nesta terça (24), ao desperdir-se de Fernando Haddad, que trocou a pasta da Educação pelos palanques de São Paulo, Dilma Rousseff reconheceu que o Enem tem problemas. Mas fez nova defesa do Exame. Cabe, segundo ela, corrigir as falhas e avançar. Choveu no molhado, como se diz. Os críticos do Enem não defendem a extinção do exame. Pedem justamente a interrupção das falhas, que são recorrentes.
Também nesta terça, a Justiça cassou a liminar que obrigava o MEC a exibir as correções das redações do Enem-2011 a todos os candidatos. Na semana passada, Haddad utilizara a encrenca das redações como pretexto para um recuo.
Alegara que a sobrecarga de trabalho imposto pela decisão judicial impedia o MEC de levar adiante o plano de realizar dois exames do Enem em 2011. A previsível cassação da liminar fulmina o pretexto.
- Em tempo: Ilustração, charge do Humberto, via ‘Jornal do Commercio.’
