sexta-feira, janeiro 27, 2012

Senado volta a contratar FGV sem licitação. De novo???!!!

Por Agência Estado

Alegação foi de que a contratação direta da entidade, que fará o processo de inscrições para o concurso da casa, se deve à necessidade de "reposição imediata" de parte das 650 aposentadorias ocorridas desde 2008

Foto: Divulgação

Contratada sem licitação, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) deve arrecadar cerca de R$ 15 milhões com as inscrições para o concurso do Senado. A alegação do Senado é que a contratação direta da entidade se deve à necessidade de "reposição imediata" de parte das 650 aposentadorias ocorridas desde 2008. Serão preenchidas 246 vagas, além das que estão ocupadas por 3.174 servidores efetivos, 3053 comissionados e os 3 mil terceirizados. O valor total das inscrições será da FGV.

Chega-se aos R$ 15 milhões, pela estimativa da Casa de que 80 mil pessoas se inscreverão pagando os seguintes preços: os que disputarem as 104 vagas do nível médio, com salário inicial de R$ 13.833,64, pagarão R$ 180. Os concorrentes das 133 vagas de nível superior de analista legislativo, salário de R$ 18.440,64 pagarão a inscrição no valor de R$ 190. E é de R$ 200 o preço da inscrição na disputa do maior salário, de R$ 23.826,57, para as 9 vagas de consultor.

Procurados, Senado e FGV não quiseram se manifestar. A entidade não retornou a ligação e na Casa prevalece a informação de que somente o presidente da comissão responsável pelo concurso, Davi Anjos Paiva, pode falar do assunto. Com um detalhe: o órgão de imprensa tem de aguardar a ligação de Paiva, o que não ocorreu.

As provas serão realizadas dia 11 de março, podendo o candidato fazer as provas para os cargos de ensino médio é a de consultor pela manhã e a de analista à tarde, o que deve aumentar a arrecadação da FGV. Até agora, a Diretoria-Geral do Senado publicou sete retificações aos editais do concurso sobre a mudança de termos ou de normas.

A senadora Ana Amélia (PP-RS) pediu esclarecimentos sobre vários pontos do concurso, entre eles o valor da inscrição que considerou "elevada" e a dispensa de licitação. Ela considerou "vagas" as respostas prestadas por Davi Paiva. Ele afirma que o valor da inscrição foi calculado "levando-se em consideração os altos custos provenientes da realização do certame em todas as capitais". Diz ainda que "candidatos hipossuficientes" (carentes) podem se escreve gratuitamente. Sobre a contratação direta da FGV, informa que com a "realização do processo licitatório, além da demora, corria-se o risco de contratar instituição sem a tarimba necessária para prestar o serviço, o que poderia ser prejudicial ao Senado".

É praxe no Senado contratar a FGV sem licitação. Em 1995, na primeira gestão do senador José Sarney (PMDB-AP) na presidência da Casa, a FGV foi contratada por R$ 882 mil - o que equivaleria hoje pela atualização do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) R$ 2,87 milhões - para fazer uma reforma administrativa na Casa. O dinheiro foi pago em quatro parcelas, mas não houve sinal de execução da tal reforma. Em 2009, novamente com Sarney, a FGV voltou a ser contratada para fazer outra reforma, mas a proposta apresentada não agradou. E o texto que propõe mudanças na estrutura da Casa, e que será votado em fevereiro na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), foi feito por servidores da Casa.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
A última vez que se contratou a FGV, Sarney alegou uma pretensa necessidade de reformas na estrutura do Senado. Ao que se saiba, além de o relatório de sugestões manter-se engavetado, nenhuma das sugestões foi acatada ou implementada.  O que Sarney era tirar os holofotes das inúmeras que pipocavam na época.

Desta vez, vai se contratar a FGV sem licitação com a desculpa esfarrapada de se repor de forma imediata os funcionários que se aposentaram. 

Além da dispendiosa e desnecessária estrutura atual do Senado, o papo furado de reposição é conversa para enganar bobo. Até porque, caso o senhor Sarney tivesse levado adiante as sugestões de reestruturação do Senado apresentadas pela FGV, e muito provavelmente, ao  invés de repor, ele até poderia dispensar aquela enormidade de gente, muitos dos quais sem função alguma. 

No Brasil, o que se desperdiça de dinheiro público em coisas absolutamente dispensáveis, e de forma atabalhoada e irresponsável, é uma enormidade.  
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