Vanessa Barbosa
Exame.com
Estudo mostra prejuízos das ligações de luz clandestinas, prática ilícita e perigosa que já fez mais de 400 vítimas fatais. Sem ela, conta de luz cairia 3,1% em média
Wikimedia Commons
Os "gatos" sugam energia suficiente para
abastecer uma cidade de 10 milhões de habitantes
São Paulo – Está previsto no artigo 155 da Lei federal 2848/40 do Código Penal: subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel, incluindo energia elétrica, é crime com pena de reclusão de um a quatro anos, e multa. Mesmo assim, as ligações clandestinas de luz, o popular “gato”, ainda são prática corriqueira no Brasil, o oitavo país com a maior taxa de furto de luz no mundo, 18%.
Prova disso é o prejuízo do crime: 8 bilhões de reais, segundo projeções das distribuidoras para este ano. Na prática, os gatos sugam 25.751 gigawatts-hora (GWH), o suficiente para abastecer uma cidade de 10 milhões de habitantes, como São Paulo ou o estado do Paraná.
Os dados fazem parte de um estudo da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee). Além de pesar no bolso dos consumidores, a prática ilícita é perigosa: em dez anos, 444 pessoas morreram ao fazer ligação clandestina. Só em 2011 foram 60 mortes.
De acordo com a pesquisa, sem os gatos, a conta de luz paga pelos consumidores brasileiros poderia cair 3,1% em média. A região Norte é a que mais se beneficiaria, com uma redução de até 6,9%, seguida do Nordeste (3,6%), Sudeste (3,1%), Centro-Oeste (2,8%) e Sul (1,7%).
Veja abaixo os 10 países com maior taxa de furto de energia:
|
País
|
Furto
|
|
Paraguai
|
51%
|
|
Uruguai
|
39%
|
|
Índia
|
32%
|
|
Colômbia
|
28%
|
|
Equador
|
26%
|
|
Uruguai
|
22%
|
|
México
|
21%
|
|
Brasil
|
18%
|
|
Turquia
|
17%
|
|
Bolívia
|
16%
|
E aqui, a proporção de energia perdida para os "gatos" por distribuidoras no Brasil:
|
Distribuidora
|
Perda
|
Distribuidora
|
Perda
|
|
1- Ceal (AL)
|
25%
|
15- CEB (DF)
|
4,6%
|
|
2- Cepisa (PI)
|
24,7%
|
16- Coelba (BA)
|
4,2%
|
|
3- Light (RJ)
|
19,8%
|
17- Energisa
(SE)
|
4,2%
|
|
4- Celpa (PA)
|
19,5%
|
18- Cemig (MG)
|
3,3%
|
|
5- Ampla (RJ)
|
12,3%
|
19- Ceig (GO)
|
3,2%
|
|
6- Cemat (MT)
|
10,8%
|
20- CPFL Paulista (SP)
|
3,2%
|
|
7- Cemar (MA)
|
10%
|
21- Copel (PR)
|
2,7%
|
|
8- CEEE (RS)
|
10%
|
22- Elektro (SP)
|
2,5%
|
|
9- Celpe (PE)
|
9,5%
|
23-Coelce
(CE)
|
2,0%
|
|
10- Escelsa (ES)
|
9,3%
|
24- CPFL Piratininga (SP)
|
1,6%
|
|
11- Enersul (MS)
|
9,0%
|
25-
Celesc (SC)
|
1,5%
|
|
12- Bandeirante (SP)
|
7,3%
|
26- RGE (RS)
|
1,5%
|
|
13- Energisa (SE)
|
4,8%
|
27- AES Sul
(RS)
|
1,4%
|
|
14- Eletropaulo (SP)
|
4,7%
|
28- Cosern (RN)
|
1,1%
|
