quinta-feira, novembro 08, 2012

Gatos custam R$ 8 bi ao país – ou uma São Paulo em energia


Vanessa Barbosa
Exame.com

Estudo mostra prejuízos das ligações de luz clandestinas, prática ilícita e perigosa que já fez mais de 400 vítimas fatais. Sem ela, conta de luz cairia 3,1% em média

Wikimedia Commons
Os "gatos" sugam energia suficiente para 
abastecer uma cidade de 10 milhões de habitantes

São Paulo – Está previsto no artigo 155 da Lei federal 2848/40 do Código Penal: subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel, incluindo energia elétrica, é crime com pena de reclusão de um a quatro anos, e multa. Mesmo assim, as ligações clandestinas de luz, o popular “gato”, ainda são prática corriqueira no Brasil, o oitavo país com a maior taxa de furto de luz no mundo, 18%. 

Prova disso é o prejuízo do crime: 8 bilhões de reais, segundo projeções das distribuidoras para este ano. Na prática, os gatos sugam 25.751 gigawatts-hora (GWH), o suficiente para abastecer uma cidade de 10 milhões de habitantes, como São Paulo ou o estado do Paraná.

Os dados fazem parte de um estudo da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee). Além de pesar no bolso dos consumidores, a prática ilícita é perigosa: em dez anos, 444 pessoas morreram ao fazer ligação clandestina. Só em 2011 foram 60 mortes.

De acordo com a pesquisa, sem os gatos, a conta de luz paga pelos consumidores brasileiros poderia cair 3,1% em média. A região Norte é a que mais se beneficiaria, com uma redução de até 6,9%, seguida do Nordeste (3,6%), Sudeste (3,1%), Centro-Oeste (2,8%) e Sul (1,7%).

Veja abaixo os 10 países com maior taxa de furto de energia:

País       
Furto
Paraguai                   
51%
Uruguai                     
39%
Índia    
32%
Colômbia                 
28%
Equador                    
26%
Uruguai                     
22%
México                      
21%
Brasil   
18%
Turquia                     
17%
Bolívia
16%

E aqui, a proporção de energia perdida para os "gatos" por distribuidoras no Brasil:

Distribuidora
Perda
 Distribuidora
Perda
1- Ceal (AL)
 25%
15- CEB (DF)
4,6%
2- Cepisa (PI)
 24,7%
16- Coelba (BA)
4,2%
3- Light (RJ)
19,8%
17- Energisa (SE)
4,2%
4- Celpa (PA)
19,5%
18- Cemig (MG)
3,3%
5- Ampla (RJ)
12,3%
19- Ceig (GO)
3,2%
6- Cemat (MT)
10,8%
20- CPFL Paulista (SP)
3,2%
7- Cemar (MA)
10%
21- Copel (PR)
2,7%
8- CEEE (RS)
10%
22- Elektro (SP)
2,5%
9- Celpe (PE)
9,5%
23-Coelce (CE)
2,0%
10- Escelsa (ES)
9,3%
24- CPFL Piratininga (SP)
1,6%
11- Enersul (MS)
9,0%
25- Celesc  (SC)
1,5%
12- Bandeirante (SP)
7,3%
26- RGE (RS)
1,5%
13- Energisa (SE)
4,8%
27- AES Sul (RS)
1,4%
14- Eletropaulo (SP)
4,7%
28- Cosern (RN)
1,1%