Willian Waack, G1
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Deixa o homem descansar depois de tanto discursar pedindo mais ousadia, coragem, pressa e criatividade aos integrantes de seu governo. A política externa brasileira vai precisar mesmo de tudo isso em 2007.
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Coragem, por exemplo, para chamar pelo nome o que merece ser chamado pelo nome: o governo do Sudão é o responsável por uma brutal limpeza étnica em Darfour, mas o Brasil acha que não é vantajoso acusá-lo de violação de direitos humanos. Está preocupado em se aproximar de países da África.
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Pressa, por exemplo, para frear a desagregação interna do Mercosul promovida pelo "muy amigo" Hugo Chávez. Se o Brasil não acordar logo, o bloco terá perdido o restinho de consistência e capacidade de ação coordenada. Chávez e Morales estão acabando com um projeto que já foi estratégico para Brasil e Argentina.
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Ousadia, por exemplo, para enfrentar o tipo de neo-populismo peronista com o qual Nestor Kirchner, presidente da nossa principal vizinha, a Argentina, transforma o Brasil e suas empresas em bode expiatório para seus próprios problemas. Com eleições aproximando-se por lá, é provável que Kirchner se comporte de maneira ainda mais áspera.
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Criatividade, por exemplo, para encontrar alguma outra forma de fazer com que o Brasil tenha mais voz nos principais assuntos internacionais. Pelo jeito, só nós acreditamos nas negociações da rodada Doha -enquanto todo mundo busca acordos bilaterais, nós continuamos pregando no deserto, abandonados até pelos nossos supostos "parceiros", como Índia e China.
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Lula trata da política externa dos últimos quatro anos com imenso orgulho. É difícil encontrar fatos que justifiquem essa percepção. Os assessores do presidente e os principais dirigentes do Itamaraty reagem amuados às críticas ao "eixo Sul-Sul", à maneira claudicante com que foi contemplada a hostilidade boliviana, ao rolo compressor político desatado por Chávez e à nossa clara insignificância nos principais assuntos internacionais.
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Reiteram que a política externa agora é "soberana". Quando não foi? Lula repetiu em seu discurso de posse, no Congresso, o argumento de que o Brasil agora está mais próximo de seu berço, mais próximo da África. Deixando de lado o fato de que temos igualmente um berço importantíssimo na Europa (e no Japão, e no Oriente Médio...), cabe perguntar: e daí?
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Os velhos clássicos das relações internacionais trazem ainda muitas lições úteis. A política externa de qualquer país é ditada pela sua posição geográfica, pela força militar, pelo poderio econômico -mas também pela cultura, sistema político, participação em alianças e, não vamos nos esquecer, pela vontade de se projetar.
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Nossa posição geográfica, força militar e economia nos deixam distantes dos grandes centros de decisão (mas também dos grandes conflitos). Nossa herança cultural decisiva e nosso sistema político nos colocam dentro daquilo que genericamente se descreve como "mundo cristão ocidental". Isto não significa, reitero, não implica em qualquer alinhamento automático com os países que se dizem líderes do "ocidente".
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O que falta, realmente, é uma vontade de projeção internacional que vá mais além da retórica de 30, 40 ou 50 anos atrás. Falta definir e concentrar nossos esforços nos nossos reais interesses: liderar de fato a América do Sul, competir pela conquista de espaços nos principais mercados do mundo (enfrentando Índia e China), mostrar que somos coerentes na defesa de princípios.
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Para quem acha que os últimos quatro anos foram um sucesso para a nossa política externa, é hora mesmo de descansar.
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Deixa o homem descansar depois de tanto discursar pedindo mais ousadia, coragem, pressa e criatividade aos integrantes de seu governo. A política externa brasileira vai precisar mesmo de tudo isso em 2007.
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Coragem, por exemplo, para chamar pelo nome o que merece ser chamado pelo nome: o governo do Sudão é o responsável por uma brutal limpeza étnica em Darfour, mas o Brasil acha que não é vantajoso acusá-lo de violação de direitos humanos. Está preocupado em se aproximar de países da África.
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Pressa, por exemplo, para frear a desagregação interna do Mercosul promovida pelo "muy amigo" Hugo Chávez. Se o Brasil não acordar logo, o bloco terá perdido o restinho de consistência e capacidade de ação coordenada. Chávez e Morales estão acabando com um projeto que já foi estratégico para Brasil e Argentina.
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Ousadia, por exemplo, para enfrentar o tipo de neo-populismo peronista com o qual Nestor Kirchner, presidente da nossa principal vizinha, a Argentina, transforma o Brasil e suas empresas em bode expiatório para seus próprios problemas. Com eleições aproximando-se por lá, é provável que Kirchner se comporte de maneira ainda mais áspera.
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Criatividade, por exemplo, para encontrar alguma outra forma de fazer com que o Brasil tenha mais voz nos principais assuntos internacionais. Pelo jeito, só nós acreditamos nas negociações da rodada Doha -enquanto todo mundo busca acordos bilaterais, nós continuamos pregando no deserto, abandonados até pelos nossos supostos "parceiros", como Índia e China.
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Lula trata da política externa dos últimos quatro anos com imenso orgulho. É difícil encontrar fatos que justifiquem essa percepção. Os assessores do presidente e os principais dirigentes do Itamaraty reagem amuados às críticas ao "eixo Sul-Sul", à maneira claudicante com que foi contemplada a hostilidade boliviana, ao rolo compressor político desatado por Chávez e à nossa clara insignificância nos principais assuntos internacionais.
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Reiteram que a política externa agora é "soberana". Quando não foi? Lula repetiu em seu discurso de posse, no Congresso, o argumento de que o Brasil agora está mais próximo de seu berço, mais próximo da África. Deixando de lado o fato de que temos igualmente um berço importantíssimo na Europa (e no Japão, e no Oriente Médio...), cabe perguntar: e daí?
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Os velhos clássicos das relações internacionais trazem ainda muitas lições úteis. A política externa de qualquer país é ditada pela sua posição geográfica, pela força militar, pelo poderio econômico -mas também pela cultura, sistema político, participação em alianças e, não vamos nos esquecer, pela vontade de se projetar.
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Nossa posição geográfica, força militar e economia nos deixam distantes dos grandes centros de decisão (mas também dos grandes conflitos). Nossa herança cultural decisiva e nosso sistema político nos colocam dentro daquilo que genericamente se descreve como "mundo cristão ocidental". Isto não significa, reitero, não implica em qualquer alinhamento automático com os países que se dizem líderes do "ocidente".
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O que falta, realmente, é uma vontade de projeção internacional que vá mais além da retórica de 30, 40 ou 50 anos atrás. Falta definir e concentrar nossos esforços nos nossos reais interesses: liderar de fato a América do Sul, competir pela conquista de espaços nos principais mercados do mundo (enfrentando Índia e China), mostrar que somos coerentes na defesa de princípios.
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Para quem acha que os últimos quatro anos foram um sucesso para a nossa política externa, é hora mesmo de descansar.