quarta-feira, abril 18, 2007

Alta das commodities sustenta aposta em real mais forte

João Caminoto , Estadão

Ao final de 2006, muitas pessoas nos mercados acreditavam que a escalada dos preços das commodities registrada nos últimos anos perderia o fôlego em 2007 diante da perspectiva de desaquecimento econômico nos Estados Unidos e suas implicações para o ritmo de atividade global. Se isso ocorresse, países emergentes cujas balanças comerciais têm se beneficiado da pujança das matérias-primas, poderiam enfrentar, no mínimo, um ambiente menos favorável.
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Mas passados menos de quatro meses de 2007, o que se vê é a sustentação e, em muitos casos, uma maior alta dos preços das commodities. E, para muitos especialistas, essa tendência deve continuar ao longo do ano, a menos que ocorra uma surpresa desagradável com a economia norte-americana, cenário não considerado como o mais provável pelos mercados.
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Confirmado esse cenário benigno, países como Brasil, seriam beneficiados pelo choque positivo sobre seus termos de comércio. Mesmo que o real cada vez mais forte reduza os volumes das exportações brasileiras como um todo, a alta nos preços das matérias-primas pode permitir a manutenção de fluxos relevantes para o balanço de pagamento do País. Essa é justamente uma das razões que tem levado analistas a apostarem que a cotação do real poderá se aproximar dos R$ 1,90 diante do dólar nos próximos meses.
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Exportadores agrícolas
Os preços das commodities agrícolas, que registraram fortes aumentos nos últimos dois anos, voltaram a subir nos últimos meses. “Acreditamos que a natureza desses movimentos é estrutural, ligados em parte à crescente demanda por biocombustíveis, e esperamos maiores altas nos preços agrícolas nos próximos doze meses”, afirmaram Themistoklis Fiotakis e Jens Nordvig, economistas do banco Goldman Sachs.
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Segundo eles, essa mudança já é suficientemente ampla para ter implicações no nível macroeconômico. “Especificamente, ela vai beneficiar os grandes exportadores agrícolas, como o Brasil e a Argentina”, afirmaram. “Por outro lado, alguns grandes importadores de alimentos da Ásia, como a Indonésia, que vão ter uma experiência negativa do efeito dos termos de comércio.” Por isso, dizem os economistas, o vigor dos preços agrícolas deverá ter algum impacto positivo sobre o real brasileiro e o peso argentino, e negativo para algumas moedas asiáticas.
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Um estudo do banco alemão atribui um risco de apenas 5% para uma recessão norte-americana em 2007. Mas Lewis alerta que, caso a inflação dos Estados Unidos permaneça elevada, impossibilitando cortes nos juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), o cenário no próximo ano poderá ser mais preocupante. “Caso o Fed não corte os juros nesse ano, isso aumentaria os perigos de um desaquecimento mais forte na economia dos Estados Unidos durante 2008, alertou.