quarta-feira, abril 18, 2007

Carajás: a mentira onze anos depois

Adelson Elias Vasconcellos

Já manifestei em diferentes ocasiões e sobre diversos aspectos, p quanto faz mal para o país um petê no poder. A começar porque o partido se vale da “legalidade” para praticar sua “ilegalidade. Vejam o caso do MST. Mais exemplar impossível.

Por inúmeras vezes assisti ao vídeo do chamado “Massacre de Carajás”, que completou 11 anos. Em nenhuma delas, repito, em nenhuma, vi soldados e policiais a tomarem a iniciativa do “combate”. Estavam perfilados, formando um imenso cordão, quando uma turba enfurecida, portando pedras, paus, facões e foices partiu para cima dos militares. Tudo bem que aqui se cometeu abusos, mas vamos entender que se tratavam tanto os policiais quanto a companheirada do MST de seres humanos. E neste sentido, os policiais trataram de defender suas próprias vidas. De forma isenta assistam ao vídeo uma, duas, dez vezes, e vocês a mesma conclusão. A iniciativa da agressão partiu dos invasores, jamais dos policiais. A este competia repelir o movimento, e sentindo-se atacados e ameaçados, fizeram aquilo que lhes ocorreu naquele. E aqui não pode ignorar a culpa das autoridades, que gastam horrores com exibicionismo, ladroagem e corrupção, além das imorais regalias, mas são ruins de gastos com relação por exemplo ao aparelhamento das forças de segurança pública. Daí a minha insistência que se “romanceou” um massacre que, na verdade, seria invertido, se os policias não se defendessem do ataque de uma turba armada, e raivosa. Notem um detalhe: a companheirada era invasora, a companheirada perturbava a ordem, e a companheirada investiu contra policiais militares armada e violentamente. O que se esperava ?

Há no país uma séria transgressão mental e política: tudo o que se fizer contrário à lei vigente, se tenta justificar o criminoso como vítima do sistema criado pela própria lei. Quão poucos ainda vêem no regime de leis, a verdadeira grandeza de uma sociedade. A lei harmoniza as pessoas, e não permite que uma se sobreponha sobre o direito da outra. Aqui, se alguém se achar no direito de tomar o que não lhe pertence, a lei é reconhecida como repressora, quando na verdade estamos diante de um ladrão que quer roubar, e depois se desculpa com cretinice e com histórias estapafúrdias. E o que é pior: tem que lhe compra a história, e sai espalhando o ridículo.

Reafirmo que o MST como entidade devotada a uma causa social legítima, já perdeu a identidade há muito tempo. E a partir do momento em que o governo federal passou a aceitar sua chantagem, com a concessão de verbas e estas tem sido cada vez mais volumosas, deu ao movimento uma sustentação ilegítima. O que se vê hoje, é um monstro a sugar a sociedade através de “doações” orçamentárias afora outros paparicos, que fortalece o próprio movimento a ter luz própria para continuar a perturbar a paz e a ordem, transgredir a lei, a invadir, depredar patrimônio alheio, na maior vagabundagem sustentável que se tem notícia. E acreditem: o que menos o MST deseja é uma reforma agrária. Porque isto os obrigará a ter que trabalhar, a ter que se sustentar com seu próprio esforço, além de perderem o encanto de pobres coitados com que seduzem parte da opinião pública. Do jeito que está, o movimento continua tão irresponsável como sempre foi, agindo criminosamente como sempre agiu, e ainda recebendo o sustento do Estado fraco que chantageiam em seu próprio proveito.

Claro que existem muitos “especialistas” a lograrem tributo nas ações bandidas mas que para tais “especialistas” são tudo culpa do Estado e da sociedade. Nas duas últimas semanas foram inúmeros relatos reais que publicamos que dão mostra que se o Estado é culpado, não se pode dizer o mesmo da sociedade. O zé barnabé que mora num subúrbio de São Paulo, por exemplo, tem haver o quê com a tal reforma agrária ? Por que deveria ele sentir-se culpado por esta gente lutar para ter um pedaço de chão para plantarem e o Estado brasileiro lhes dar as costas ?

Há como fazer reforma agrária em paz, sem ferir as leis vigentes ? Sim, há e o governo FHC tentou e conseguiu com êxito mais de 400 mil assentamentos. Ontem publicamos a posição do próprio MST em relação ao governo Lula: em janeiro de 2003 havia 150.000 companheiros nos acampamentos do movimento, e hoje, quatro anos depois, permanecem os mesmos 150.000, sintoma de que o governo Lula praticamente nada fez pela reforma que foi,durante o tempo em que esteve na oposição,uma das bandeiras de luta do partido.

Um dos problemas de Lula é achar que com cargos e verbas é capaz de cooptar a qualquer um. Para este ex-operário parece não existir idealista, ou pessoas com caráter suficiente para não se venderem. E por mais aversão que guarde em relação ao MST, já li entrevistas de alguns de seus dirigentes e estes dizerem que não adianta dar dinheiro. Eles querem terra para plantar e se sustentar. Infelizmente, foram apenas dois dirigentes. Mas isto prova o quanto Lula se acha distante em atender uma reivindicação que, se é justa pelo conteúdo, é totalmente criminosa na sua ação de realizar-se.

Poderia o governo, tivesse uma política decente para o setor realizar um belo trabalho e trazer paz para o campo. Mas isto seria ferir um dos dogmas do partido. Para esta brava gente o que importa é impor o caos, o regime do terror, da dependência, do paternalismo canalha, é enfraquecer as instituições, porque imaginam que somente numa sociedade anárquica é que se perpetuarão no poder. E se olharmos atentamente para o governo Lula e a ação do petê no período, encontraremos por aí respostas para muitas questões. Uma delas, sem dúvida, é porque para o petê é tão importante por o Poder Legislativa no cabresto, e além disto, de enfraquecer o Judiciário, fortalecendo a Polícia Federal. Porque é importante manter sob o controle do partido, o comando das principais estatais, e a gerência das principais verbais federais, além do aparelhamento irresponsável da máquina pública.

Quando num país onde invasores de propriedade privada, partindo armados contra um força policial, e estes mais não fizeram do que defender sua própria integridade, anos após de muita mentira, são transformados em vítimas numa dramatização calhorda e mistificadora, então é porque a transgressão mental da dignidade já somou pontos suficientes para converter a ideologia do atraso e da mediocridade em pensamento maior, dogma superior a que todos os cidadãos deste país serão um dia submetidos.