segunda-feira, abril 23, 2007

ENQUANTO ISSO...

Lula cobra 'cumplicidade' de empresários
Carolina Iskandarian Do G1

Durante discurso na cerimônia de posse do novo presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou o desempenho do setor automobilístico brasileiro e, diante de uma platéia de empresários, cobrou “cumplicidade” para construir o futuro do país, “ao invés de ficar diagnosticando desgraça”. A declaração foi direcionada ao novo presidente da Anfavea, o empresário Jackson Schneider. “Você tem o governo todo como um parceiro, para que juntos, ao invés de ficarmos diagnosticando desgraça, possamos construir o futuro desse país”, afirmou.
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Lula voltou a dizer que o Brasil só tem condições de crescer se houver um esforço conjunto de todos os setores da sociedade. “Precisamos estabelecer uma cumplicidade, porque não existe problema que o governo e a indústria automobilísticas enfrentem sozinhos. Temos de estabelecer regras de conversação.” O presidente elogiou o desempenho do setor automotivo, que, segundo Schneider, em meio século produziu 50 milhões de veículos.
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Ao ressaltar a importância do programa dos biocombustíveis, o presidente cometeu uma gafe quando apontou as vantagens do carro flex, que funciona tanto a álcool como a gasolina.

“A engenharia conseguiu mostrar um carro que será o pacote mais extraordinário que a gente pode oferecer ao mundo: um carro que tem alternância de combustível. Um carro menos poluente. E que será o carro do futuro, se cumprirmos as regras estabelecidas pelos estados para diminuir o aumento da caloria do nosso planeta”.

Incompatibilidade zero
Segundo Lula, não há incompatibilidade entre a produção dos biocombustíveis e a produção de alimentos porque o Brasil teria milhões de hectares livres para plantio. Otimista, o presidente disse até ser possível uma "combinação perfeita" entre os dois.

"Não existe nenhuma possibilidade de a gente entrar em choque nisso", afirmou o presidente, acrescentando que o programa de biocombustíveis "foi pensado para a África, América Central e América do Sul".

Lula recorreu aos seus tempos de sindicalista para dizer que aprendeu "como construir um leque de forças" para garantir que o Brasil tivesse peso nas negociações mundiais. E lembrou que as conversas sobre acordos comerciais entre as principais nações do mundo passam hoje pelo G-20, grupo de países em desenvolvimento do qual o Brasil é um dos líderes.

Estiveram presentes também no evento os ministros Luiz Marinho (Previdência) e Miguel Jorge (Desenvolvimento e Comércio Exterior), além do vice-governador de São Paulo, Alberto Goldman.

Enquanto isso...

Lula revoga corte no Judiciário e Legislativo
Do G1, em Brasília

O corte no orçamento chegava a R$ 1,2 bilhão.
Revogação ocorre às vésperas de o STF decidir futuro da CPI do Apagão.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva revogou o decreto que bloqueava parte dos orçamentos do Judiciário e do Legislativo. O corte chegava a um R$ 1,2 bilhão. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, argumentou que o governo aceitou a posição do Judiciário de que não tinha como cumprir a decisão de cortar o orçamento.

A revogação foi publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (20), às vésperas da decisão, por parte do Supremo Tribunal Federal (STF), de determinar ou não a instalação, no Congresso Nacional, da CPI do Apagão Aéreo."O que baseou a decisão é que nossa projeção de receita está abaixo do que mandamos de orçamento para o Legislativo no ano passado. Acontece que há uma diferença pequena de cerca de R$ 5 bilhões que temos a menos e nos últimos dois meses há indicativos de que a receita vai subir", declarou o ministro Paulo Bernardo. "Achamos melhor fazer essa adequação. Acho que foi uma decisão sensata."

COMENTANDO A NOTICIA: A cumplicidade que Lula pede não é a mesma que ele oferece. Veja como repor o valor cortado ao orçamento do Judiciário é feito, por “coincidência”, na antevéspera de uma decisão do STF de interesse do governo.

No fundo, e na época comentamos sobre isto, não havia nenhuma razão para o corte. Porém, foi feito lá atrás, coisa de um mês se tanto, para barganhar agora.

Em relação aos empresários, por exemplo, todas a reformas que interessam Lula empurra com a barriga e, covardemente não as executa por medo de pagar um alto preço político junto aos eleitores. Mas quer que os empresários façam “investimentos” num quadro de tributação excessiva e insegurança jurídica.

Que Lula faça sua parte. Apresente propostas concretas, e apenas cartinha de boa intenções. Crie o governo o clima necessário para que os investimentos se realizem. Porque de conversa fiada, o saco já estourou !