segunda-feira, abril 23, 2007

Operação Têmis: investigados continuam trabalhando

Do G1, em São Paulo, com informações da TV Globo

A Polícia Federal e o Ministério Publico Federal terminaram nesse domingo (22) a triagem de documentos e computadores que poderão servir como prova no inquérito da Operação Têmis, deflagrada na sexta-feira (23). A PF não descarta desdobramentos da operação.
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Há mais de 40 pessoas acusadas, entre elas empresários, advogados e magistrados. São citados os juízes federais Maria Cristina Barongero e Djalma Moreira Gomes, além dos desembargadores Alda Maria Bastos, Roberto Luiz Haddad e Nery da Costa Júnior.
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Por enquanto, todos os magistrados continuam trabalhando normalmente e só depois da análise das apreensões podem ser convocados a depor. A assessoria de imprensa da Justiça Federal informou que a juíza Maria Cristina está fora de seu gabinete desde fevereiro porque está de licença-maternidade.
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Único dos magistrados que aceitou dar entrevista ao programa Bom Dia Brasil, da TV Globo, Nery da Costa Jr se defendeu das acusações: "Jamais autorizei funcionamento de Bingo. Na minha jurisdição, nenhum caça-níquel foi autorizado". Segundo a PF, os magistrados são acusados de vender dez decisões judiciais favoráveis a bingos e a donos de máquinas caça-níquel. As investigações apontam que magistrados recebiam propina para favorecer o jogo ilegal. Na sexta-feira de início da Operação Têmis - Têmis é a deusa grega da Justiça - os agentes cumpriram 80 mandados de busca e apreensão em gabinetes dos magistrados no Tribunal Regional Federal e nas casas dos suspeitos.

COMENTANDO A NOTICIA: A gente pode até não gostar da lei, mas se ela prevê que respondam em liberdade os juízes e magistrados presos na Operação Furacão da Polícia Federal, então cumpra-se a lei. E que a sociedade pressione o congresso a mudar a lei para acabar com o privilégio, sem dúvida imoral sobre qualquer aspecto. Muito embora não acredito que o Congresso se moverá no sentido de mudar uma lei que os privilegias tanto quanto.

Inadmissível, porém, é que investigados por crimes de corrupção, permaneçam trabalhando, como se nada demais acontecesse. Não se trata de pré-julgar ninguém. Apenas, e a bem do serviço público e dos próprios acusados, o melhor seria que os mesmos fossem afastados de suas funções, até que o caso se esclarecesse por completo. Nada se provando contra os funcionários, então os mesmos retornariam e reassumiriam suas funções. Não pode é permanecerem atuando nas mesmas funções em que são acusados da pratica de corrupção.