terça-feira, maio 29, 2007

As dúvidas continuam no ar

Jornal do Brasil

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não conseguiu enterrar ontem a denúncia de que o lobista Cláudio Gontijo, da construtora Mendes Júnior, teria arcado com parte de suas despesas pessoais entre janeiro de 2004 e dezembro de 2006. Em discurso de 24 minutos de duração, Renan disse que pagou - com cheques nominais, por exemplo - aluguel e pensão para uma filha de três anos, fruto de relação extraconjugal com a jornalista Mônica Veloso. Não comprovou, no entanto, a origem dos recursos que teria desembolsado antes do reconhecimento da paternidade da criança, em dezembro de 2005.

Essa não foi a única lacuna no discurso proferido no plenário da Casa, acompanhado de pé pela esposa de Renan, Maria Verônica Calheiros. O senador não fez menção à denúncia de que Gontijo lhe colocava à disposição um flat em hotel de luxo de Brasília, para encontros que exigiam discrição. Também não mencionou o nome de Zuleido Veras, acusado de coordenar o esquema de fraude em licitação pública. Dizendo-se vítima de "pseudo-escândalo", Renan preferiu restringir o caso a uma mera escorregadela familiar. E declarar que - além dele - o próprio Congresso estava sendo atacado.

Apesar do corporativismo reinante no Congresso favorecê-lo, o senador não foi bem-sucedido no esforço para abafar as suspeitas. Líderes de partidos governistas até saíram a campo para dizer que o caso estava encerrado. Puxaram uma corrente de aplausos e de cumprimentos depois do discurso. A oposição até ensaiou aderir ao coro, mas - ao deixar o plenário - admitiu a necessidade de mais esclarecimentos. O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), por exemplo, afirmou ser necessário analisar os documentos apresentados por Renan.

- O Conselho de Ética do Senado é bom para dar mais transparência à instituição e mais tranqüilidade ao próprio Renan - disse o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE).