Tales Faria , Informe JB
Não foi à toa que os chineses concluíram, há milhares de anos, que da crise é que surgem as soluções. As operações Navalha, Furacão, Vampiros, Sanguessugas e tantas outras da Polícia Federal deixaram claro que há duas coisas no Brasil que ainda precisam ser bastante aperfeiçoadas: a Lei de Licitações e a elaboração do Orçamento da União.
Essa é hoje uma opinião praticamente unânime no Congresso. Vai do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ao presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), passando pelo ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e pelo partido Democratas.
O senador Heráclito Fortes (DEM-PI), por exemplo, já apresentou 32 propostas de emendas à Lei de Licitações:
- Quando apareci com as propostas, olharam-me aqui meio atravessado. Agora que estouraram esses escândalos, todos me dão razão. Não dá, por exemplo, para os pregões eletrônicos ficarem restringidos, como estão atualmente, a um teto de R$ 360 mil.
Quanto ao Orçamento, olha o que disse ontem FH:
- Alguma coisa mais profunda tem que ser votada no Congresso. O sistema de fazer o Orçamento tem que mudar, porque, senão, é um caso aqui, outro ali. Tudo lamentável. Uma série de perpetuidades dos mesmos casos...
E quais mudanças estão sendo pensadas no Orçamento?
Arlindo Chinaglia promete apressar na Câmara o projeto de emenda constitucional já aprovado no Senado, de autoria de Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), que institui o Orçamento impositivo. Uma idéia defendida arduamente por Renan Calheiros:
- O projeto tem o cuidado de estabelecer uma série de situações, como calamidade pública, em que o presidente da República pode contingenciar ou cancelar verbas orçamentárias, desde que apresente razões de natureza técnica, econômico-financeira ou jurídica.
Renan, por sua vez, também elaborou o seu projeto, e conseguiu aprovar no Senado, faltando agora a votação na Câmara. Trata da reformulação da Comissão Mista de Orçamento.
O texto reduz pela metade o tamanho da Comissão, diminui os poderes do relator-geral, cria o cargo de relator exclusivo das receitas, impõe a troca anual de todos os seus membros e proíbe emendas de bancada, redigidas de forma genérica. Também impede os parlamentares de destinar emendas para entidades das quais eles próprios, ou parentes, sejam dirigentes ou sócios.
Ou seja, está tudo na cara do gol, pronto para ser feito. E já há consenso entre governo e oposição de que a coisa tem de mudar. Vamos ver se, desta vez, suas excelências o fazem.
As Mônicas
Logo após o discurso de Renan Calheiros, o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) cruza com o colega petista Eduardo Suplicy: - Mônica Veloso, Mônica Lewinsky... Quero distância de mulheres com esse nome! Suplicy balança a cabeça: - Pois é, Heráclito, eu não posso concordar com você. Minha namorada também se chama Mônica. Mônica Dallari.
Baixo clero contra
No caso da reforma política, a situação é semelhante à idéia de se mudar o Orçamento: tem consenso em praticamente todos os grandes partidos. O problema são os partidos médios e pequenos. O presidente do PP, Nélio Dias (RN), por exemplo, está trabalhando arduamente contra o projeto de Ronaldo Caiado (DEM-GO), que está pronto para ir a plenário e defende o voto em listas partidárias fechadas e o financiamento público de campanhas.
Ciro tiririca
O deputado Ciro Gomes (PSB-CE) voltou a reclamar com o presidente Lula da atuação da Petrobras no caso da implantação do Ceará, a ser implantada por uma empresa da Coréia mas que precisa de garantia de preço de combustível da Petrobras. Ciro disse a Lula que o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, "definitivamente, está trabalhando contra".
Ciro contido
Mas Ciro Gomes não quer briga. Ele ainda sonha sair candidato a presidente da República com o apoio do PT - e não só dos partidos que compõem o chamado Bloco de Esquerda. Para isso, não pode dar cordas a um rompimento definitivo com o PT.
Insensibilidade
Já estava em cima da hora de o presidente do Senado, Renan Calheiros, fazer seu pronunciamento sobre o caso de "paternidade não programada". A líder do PT, Ideli Salvati (SC), apressa-se em subir à tribuna para falar sobre o quê? Pois é, de pílulas anticoncepcionais... Não ligou lé com cré. E escolheu justo aquele momento para anunciar que a oferta gratuita de pílulas distribuídas em postos de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) vai saltar de 20 milhões de cartelas para 50 milhões por ano. E que o governo também vai oferecer cartelas a um preço entre R$ 0,30 e R$ 0,40 em farmácias e drogarias credenciadas no programa Farmácia Popular.
Mão nada santa
Ontem, o senador Mão Santa (PMDB-PI) fez mais um de seus intermináveis discursos. O problema é que ele costuma aparecer com esses pronunciamentos com o plenário vazio. Até aí a turma ainda aceita. Mas ontem, com a casa cheia, Mão Santa quase tirou os colegas do sério.
Tucanos em guerra
O pronunciamento de Renan Calheiros acabou abafando o seminário inaugural, em Brasília, do Congresso do PSDB, que teve como tema O PSDB e os novos desafios para o Brasil. Coube ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso encerrar o evento com a palestra Novos caminhos para o Brasil. Tudo muito bonitinho, com críticas públicas a governo, mas todos pisando em ovos quando se tratava de falar em Renan Calheiros. Nos bastidores, no entanto, o tema foi a guerra interna do partido, que agora pega fogo com a volta de Geraldo Alckmin ao Brasil.
Não foi à toa que os chineses concluíram, há milhares de anos, que da crise é que surgem as soluções. As operações Navalha, Furacão, Vampiros, Sanguessugas e tantas outras da Polícia Federal deixaram claro que há duas coisas no Brasil que ainda precisam ser bastante aperfeiçoadas: a Lei de Licitações e a elaboração do Orçamento da União.
Essa é hoje uma opinião praticamente unânime no Congresso. Vai do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ao presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), passando pelo ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e pelo partido Democratas.
O senador Heráclito Fortes (DEM-PI), por exemplo, já apresentou 32 propostas de emendas à Lei de Licitações:
- Quando apareci com as propostas, olharam-me aqui meio atravessado. Agora que estouraram esses escândalos, todos me dão razão. Não dá, por exemplo, para os pregões eletrônicos ficarem restringidos, como estão atualmente, a um teto de R$ 360 mil.
Quanto ao Orçamento, olha o que disse ontem FH:
- Alguma coisa mais profunda tem que ser votada no Congresso. O sistema de fazer o Orçamento tem que mudar, porque, senão, é um caso aqui, outro ali. Tudo lamentável. Uma série de perpetuidades dos mesmos casos...
E quais mudanças estão sendo pensadas no Orçamento?
Arlindo Chinaglia promete apressar na Câmara o projeto de emenda constitucional já aprovado no Senado, de autoria de Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), que institui o Orçamento impositivo. Uma idéia defendida arduamente por Renan Calheiros:
- O projeto tem o cuidado de estabelecer uma série de situações, como calamidade pública, em que o presidente da República pode contingenciar ou cancelar verbas orçamentárias, desde que apresente razões de natureza técnica, econômico-financeira ou jurídica.
Renan, por sua vez, também elaborou o seu projeto, e conseguiu aprovar no Senado, faltando agora a votação na Câmara. Trata da reformulação da Comissão Mista de Orçamento.
O texto reduz pela metade o tamanho da Comissão, diminui os poderes do relator-geral, cria o cargo de relator exclusivo das receitas, impõe a troca anual de todos os seus membros e proíbe emendas de bancada, redigidas de forma genérica. Também impede os parlamentares de destinar emendas para entidades das quais eles próprios, ou parentes, sejam dirigentes ou sócios.
Ou seja, está tudo na cara do gol, pronto para ser feito. E já há consenso entre governo e oposição de que a coisa tem de mudar. Vamos ver se, desta vez, suas excelências o fazem.
As Mônicas
Logo após o discurso de Renan Calheiros, o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) cruza com o colega petista Eduardo Suplicy: - Mônica Veloso, Mônica Lewinsky... Quero distância de mulheres com esse nome! Suplicy balança a cabeça: - Pois é, Heráclito, eu não posso concordar com você. Minha namorada também se chama Mônica. Mônica Dallari.
Baixo clero contra
No caso da reforma política, a situação é semelhante à idéia de se mudar o Orçamento: tem consenso em praticamente todos os grandes partidos. O problema são os partidos médios e pequenos. O presidente do PP, Nélio Dias (RN), por exemplo, está trabalhando arduamente contra o projeto de Ronaldo Caiado (DEM-GO), que está pronto para ir a plenário e defende o voto em listas partidárias fechadas e o financiamento público de campanhas.
Ciro tiririca
O deputado Ciro Gomes (PSB-CE) voltou a reclamar com o presidente Lula da atuação da Petrobras no caso da implantação do Ceará, a ser implantada por uma empresa da Coréia mas que precisa de garantia de preço de combustível da Petrobras. Ciro disse a Lula que o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, "definitivamente, está trabalhando contra".
Ciro contido
Mas Ciro Gomes não quer briga. Ele ainda sonha sair candidato a presidente da República com o apoio do PT - e não só dos partidos que compõem o chamado Bloco de Esquerda. Para isso, não pode dar cordas a um rompimento definitivo com o PT.
Insensibilidade
Já estava em cima da hora de o presidente do Senado, Renan Calheiros, fazer seu pronunciamento sobre o caso de "paternidade não programada". A líder do PT, Ideli Salvati (SC), apressa-se em subir à tribuna para falar sobre o quê? Pois é, de pílulas anticoncepcionais... Não ligou lé com cré. E escolheu justo aquele momento para anunciar que a oferta gratuita de pílulas distribuídas em postos de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) vai saltar de 20 milhões de cartelas para 50 milhões por ano. E que o governo também vai oferecer cartelas a um preço entre R$ 0,30 e R$ 0,40 em farmácias e drogarias credenciadas no programa Farmácia Popular.
Mão nada santa
Ontem, o senador Mão Santa (PMDB-PI) fez mais um de seus intermináveis discursos. O problema é que ele costuma aparecer com esses pronunciamentos com o plenário vazio. Até aí a turma ainda aceita. Mas ontem, com a casa cheia, Mão Santa quase tirou os colegas do sério.
Tucanos em guerra
O pronunciamento de Renan Calheiros acabou abafando o seminário inaugural, em Brasília, do Congresso do PSDB, que teve como tema O PSDB e os novos desafios para o Brasil. Coube ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso encerrar o evento com a palestra Novos caminhos para o Brasil. Tudo muito bonitinho, com críticas públicas a governo, mas todos pisando em ovos quando se tratava de falar em Renan Calheiros. Nos bastidores, no entanto, o tema foi a guerra interna do partido, que agora pega fogo com a volta de Geraldo Alckmin ao Brasil.