terça-feira, maio 29, 2007

Manifestação não afasta as suspeitas

Sérgio Pardellas , Jornal do Brasil

O discurso do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não foi capaz de satisfazer por completo o plenário da Casa nem de colocar uma pá de cal no assunto, apesar da boa vontade dos parlamentares com o colega e com o espírito de corpo reinante no Congresso. Logo depois do pronunciamento, o corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), requisitou a documentação apresentada por Renan a fim de iniciar uma investigação preliminar.

Tuma disse ontem que pretende ouvir o jornalista da Veja que escreveu a matéria sobre as relações entre Renan e o lobista Cláudio Gontijo, Policarpo Júnior, para esclarecer a incongruência de valores: aquele apresentado pela reportagem - de R$ 16,5 mil - e o mencionado por Renan - R$ 8 mil de assistência, mais o aluguel de um imóvel. Também não está descartada a tomada de depoimento da jornalista Mônica Veloso, mãe da filha de Renan.

Se Tuma decidir que cabe um processo por quebra de decoro, um partido ou a Mesa tem de apresentar uma representação. Um relatório deverá ser produzido em 30 dias.

- Achei o discurso convincente mas vamos proceder às investigações necessárias - declarou Tuma. - Entregarei meu relatório à Mesa Diretora.
Ontem, PSOL deu a entender que pode ser a legenda autora da representação. O partido tem um senador: José Nery (PA). Segundo o deputado Chico Alencar (RJ), a ex-senadora e presidente do PSOL, Heloisa Helena (AL), chega a Brasília hoje para decidir sobre o assunto.

- É provável que o partido apresente essa representação. Cabe, no mínimo, um processo no Conselho de Ética - declarou Alencar.

O senador Renato Casagrande (PSB-ES), integrante da bancada governista, foi outro que saiu a campo para defender o aprofundamento das investigações. Para Casagrande, as suspeitas não foram afastadas.

- O discurso foi firme mas precisa ser embasado por documentos. O caso não está encerrado com um discurso.

Na mesma linha de Casagrande, o senador José Agripino (RN), líder do Democratas no Senado, disse que o caso não está totalmente esclarecido.

- Não tenho nenhuma razão para duvidar do que ele disse mas essa documentação levada por Renan vai ser ainda avaliada.

O presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), também elogiou a firmeza do colega, mas defendeu a análise do assunto pelo Conselho de Ética do Senado.

- O Conselho de Ética é bom para dar mais transparência à instituição e para dar mais tranqüilidade ao Renan.

Para Jereissati, agora é melhor que o presidente do Senado submeta todos os documentos aos colegas.

- O Renan apresentou documentos que levam a crer que ele estava falando a verdade, mas quero que os papéis sejam examinados também pelos senadores - disse Jereissati.

Já os líderes governistas e a cúpula do PMDB preferiram enaltecer a iniciativa de Renan. Para o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), Renan convenceu.

- Ele esclareceu tudo e mostrou no discurso que fez depósitos em conta bancária e que houve desconto em folha de pagamento.

O líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), considerou as explicações de Renan suficientes para encerrar o assunto. O mesmo entendimento teve o presidente nacional o PMDB, deputado Michel Temer (SP).

- Acho que o assunto está encerrado porque ele foi muito convincente.