sexta-feira, janeiro 28, 2011

Corte de verbas : Dilma diz que governo não vai contingenciar o PAC

Fabio Vasconcellos , O Globo

RIO - A presidente Dilma Rousseff assegurou nesta quinta-feira que os recursos destinados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) serão poupados de eventuais contingenciamentos orçamentários a serem feitos pelo governo federal.

- Nós não vamos, nós não vamos - vou repetir três vezes - nós não vamos contingenciar o PAC - disse Dilma durante entrevista coletiva para anunciar a doação de moradias para desabrigados e desalojados pelas chuvas que mataram mais de 800 pessoas na região serrana do Rio de Janeiro.

A declaração da presidente Dilma contradiz a afirmação da ministra do Planejamento, Miriam Belchior , que na quarta-feira afirmou que o contingenciamento previsto para o início do governo Dilma Rousseff poderá atingir investimentos da segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-2). A declaração trouxe à tona a polêmica entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, acerca dos cortes do programa .

Presidente diz que não negocia o controle da inflação
A presidente Dilma Rousseff afirmou ainda que o governo vai manter o controle da inflação e que o Brasil continuará crescendo nos próximos anos.

- A economia brasileira vai crescer, nós vamos manter o controle da inflação, nós não negociaremos com a inflação e nós vamos manter a economia crescendo, sistematicamente.

Dilma acrescentou que, para ser um país rico, o Brasil terá que reduzir as desigualdades regionais:

- Um país rico só é de fato rico, se, e o Brasil pode ser um país rico, se nós formos capazes de reduzir a desigualdade regional e a desigualdade social. Por isso também vamos continuar buscando essa redução e essa redução, ela é uma combinação entre uma taxa determinada de crescimento econômico e políticas de governo, tanto do governo federal quanto do governo aqui do estado, que ontem, o Sérgio me deu uma boa notícia, que ontem ele teve aqui a informação de que mais uma empresa vem investir aqui (Rio de Janeiro), criando empregos.

***** COMENTANDO A NOTICIA:

É um direito de dona Dilma escolher onde vai aplicar o dinheiro à disposição do Executivo. Mas, sabendo-se que os cortes serão obrigatórios, até porque não existem alternativas para sustentar o equilíbrio fiscal, básico para a estabilidade econômica e a credibilidade no mercado financeiro, tão duramente reconquistada, a pergunta que fica é: vai cortar no que para garantir o equilíbrio das contas públicas?

Já vimos que na publicidade é que não será, tampouco no ministério de esportes conforme já se anunciou, até porque este ministério responderá pelos compromissos assumidos para a Copa Mundo e Olimpíadas.

Então, onde será? Na Educação? Na Saúde? Promoverá cortes de pessoal, o que duvido? Não tendo alternativas, e já afirmei isto aqui, para chegar ao número mágico de 60 bilhões a menos no orçamento, se não for nos investimentos, vai ser aonde? Creio que Dilma precisa vir a público e dizer, com urgência, o que de fato e onde seu governo fará cortes, até para que as pessoas e empresas possam se planejar. O que não dá para suportar é esta lenga-lenga de que não cortará isto ou aquilo. Tudo bem: venha a público e diga afinal o que será cortado das despesas da União para ajustar ao figurino do equilíbrio fiscal, ou, então, que diga logo que não fará corte algum. Pronto. D-e-f-i-n-i-ç-ã-o, é disto que a sociedade precisa para saber que rumo tomar. Chega de papo furado e enrolação.

Aliás, para quem foi eleita com o discurso que Dilma apresentou na campanha, já jogamos no lixo 27 dias de pura inutilidade. É sempre bom lembrar o monte de gente e de dinheiro gastos na fase de transição do governo de Lula para a Dilmaq Presidente, que aliás, esteve no poder desde 2003. Já era para ter alguma definição, não é mesmo?