Ricardo Setti, Veja online
O presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Augusto Chagas, deveria ficar bem quietinho e comemorar com sua turma os 44,6 milhões de reais que ganhou de presente do Congresso e do governo Lula nos últimos dias da gestão do ex-presidente para construir a nova sede da entidade, no mesmo local – o Aterro do Flamento, no Rio — onde foi depredada em 1964, durante o golpe militar. (O terreno só foi recuperado judicialmente em 2007).
Em vez disso, Chagas disse a seguinte bogagem:
– Queremos desenvolver um espaço de cultura com feição democrática, de esquerda [o grifo é nosso], semelhante ao Centro Popular de Cultura [o CPC, que teve importante papel nos anos 60 e foi fechado pela ditadura militar].
Para Chagas, “democrático”, como se viu, é ser “de esquerda”.
Para ele, certamente não são democráticos governos como os da França, Alemanha, Reino Unido, México, Chile…
Em tempo: Chagas pertence ao PC do B, que manda na UNE há décadas, embora sua representatividade entre os estudantes seja perto de zero — como, aliás, ocorre na sociedade.
Por isso é que a UNE não realiza eleições diretas, tal como ocorria na ditadura militar. Em vez dos votos dos cerca de 6 milhões de universitários brasileiros, os comunistas se elegem e reelegem em congressos com 3 mil “delegados”.
Essa é a democracia da outrora gloriosa UNE.
