quinta-feira, maio 05, 2011

Balança comercial poderia melhorar muito ainda

O Estado de São Paulo

Segundo a pesquisa Focus, o mercado parece não acreditar que a balança comercial do ano ultrapasse US$ 18,05 bilhões, embora nos quatro primeiros meses se apresente com US$ 5,03 bilhões, ante US$ 2,16 bilhões no mesmo período do ano passado. Essa previsão considera que o preço das commodities não continuará a crescer, mesmo tendo contribuído para uma elevação de 31,3% das vendas ao exterior - 47,3% de bens básicos - no quadrimestre.

Outros observadores acham que a balança comercial poderá ultrapassar o resultado de 2010, de US$ 20,7 bilhões. Pensam que a alta das commodities continuará, enquanto as importações - numa economia que crescerá menos do que no ano passado - poderão diminuir. Comparando o resultado de abril com o do mesmo mês do ano passado, constatamos um aumento de 40,1% das exportações, ante 23% no ano precedente; enquanto, para as importações, as variações foram, respectivamente, de 38,9% e de 60,8%.

Se tomarmos os 13 principais produtos exportados, verificaremos que, enquanto em volume, no mês de abril, apresentam uma elevação de 19,7%, em preços o aumento foi de 37,3% em relação ao mesmo mês do ano passado. Nas commodities, o aumento de preços em abril deste ano, em relação ao mesmo mês do ano passado, variou de um mínimo de 3,7% (celulose) a um máximo de 88,3% (minério de ferro), e para cerca de 11 produtos o aumento registrado foi superior a 30%.

Falou-se de um recuo da economia chinesa, mas verificamos que em abril, relativamente a março, nossas exportações para esse país cresceram 62,5%; para a União Europeia cresceram 41,8%; para a Argentina, 41,7%; mas para os EUA, apenas 22,3%.

Na mesma comparação, pode-se verificar que nossas importações de bens de capital aumentaram 6,2%; as de matérias-primas e intermediários, 13,1%; as de bens de consumo duráveis, 20,1% (e 31,4% para automóveis); e as de petróleo bruto, 34,8%, em razão da alta do preço internacional dessa commodity.

Não se pode negar que a indústria nacional poderia melhorar sua oferta, desde que o governo reduzisse a carga tributária e social que pesa sobre a economia. Caberia, principalmente, aumentar a produção de bens intermediários por meio de um esforço tecnológico maior. E é possível esperar que, com o desenvolvimento da produção no pré-sal, nossa pauta de importações poderá ser significativamente reduzida. Como se verifica, existem muitas oportunidades para melhorar a balança comercial.