quinta-feira, maio 05, 2011

No reino da Confusão

Villas-Bôas Corrêa

A presidente Dilma Rousseff precisa cuidar da saúde, baixando o ritmo da sua agenda exaustiva de trabalho, reuniões, viagens, almoços e jantares, não apenas para tranquilizar o país, mas para afastar o risco de uma crise no pior momento.

A sua reeleição é esperada como certa, a solução natural que não atropela ninguém. Inclusive o milionário ex-presidente Lula, que cobra milhões por palestras pelo mundo e não tem mãos vagas na sua agenda.

É difícil tentar raciocinar com a cabeça dos outros. Mas, todos os roteiros lógicos apontam para Lula que ele descobriu a mina ao deixar o governo e viajar pelo mundo como o inesperado palestrante que lota os auditores, com cachês de milhões de salários-mínimos.

Saiu na hora, minuto e segundo exatos. Pode dispensar a leitura de jornais que nunca leu para desfrutar o lazer bem remunerado.

Talvez algum assessor que adora agradá-lo, tenha lido para ampla e reveladora matéria de O Globo, com chamada na primeira página de arrepiar: “Miseráveis somam 16,2 milhões no país”. E chamando o leitor para o texto da terceira página com o enxuto resumo: “O Ministério do Desenvolvimento Social informou que o Brasil tem 16,2 milhões de miseráveis (8,5% da população). São pessoas obrigadas a viver com a renda familiar per capitã de ate R$ 70 por mês. O numero de miseráveis, obtido a partir da versão preliminar do Censo de 2010, surpreendeu por ser bem maior que o estimado até hoje, com base no Pnad: 10 milhões de pessoas (5% da população). Com isso, ficará ainda mais difícil para a presidente Dilma Rousseff cumprir a promessa de erradicar a pobreza extrema em quatro anos. Ela lançará o Plano Brasil sem Miséria”.

Palavras o vento leva. Às vezes. Nunca as que denunciam a fome e cobram as promessas do governo. A presidente Dilma corre o risco de ser atropelada pelos compromissos assumidos na campanha e reiterados no exercício do cargo.

No exemplo da matéria assinada por Letícia Lima, em Gameleira, na região canavieira de Pernambuco, parte da população mora em casas de taipa, sem água tratada nem saneamento. A população, em sua maioria, faz de uma a duas refeições diárias e 50% dos atendidos pelas redes públicas de saúde são desnutridos.

Na Zona Rural a situação é dramática. A lavradora Cícera Maria da Silva, de 45 anos. Desabafa: “Quando acaba a safra a gente passa fome mesmo. Meu marido conserta motor de moto. Tenho Bolsa Família de R$ 68 por mês. É o que salva a gente”.