Pedro Dantas - O Estado de São Paulo
Aulas em colégio alvo de atirador não foram retomadas; nesta quarta-feira, alunos foram ao cinema
RIO - Pais dos alunos da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na zona oeste do Rio, reclamam que quase um mês depois do massacre de 12 estudantes as aulas não foram retomadas e os psicólogos prometidos pela Prefeitura do Rio desapareceram. "Depois que a mídia foi embora, os assistentes sociais e psicólogos sumiram. Os pais que não podem pedir transferência já aceitam que o ano letivo foi perdido, pois a escola entrou em obras e até agora nada de aulas. Levam as crianças para passear e até trouxeram equipe de funk, mas nenhuma palavra sobre o estudo", disse Eliane Ferreira, de 26 anos, cujos dois filhos adolescentes presenciaram o massacre, mas não obtiveram o atendimento psicológico prometido pela Secretaria Municipal de Educação.
Tasso Marcelo/AE
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| Estudantes assistiram ao filme 'Rio' |
Nesta quarta-feira, 4, os alunos da Tasso da Silveira assistiram gratuitamente ao filme Rio, em uma promoção do shopping Sulacap, na zona oeste da cidade. A sessão de cinema foi tranquila, mas nem sempre os planos de diversão funcionam para os estudantes ainda traumatizados. Na terça, o som da equipe de funk Furacão 2000 assustou uma aluna. "A menina chegava à escola com o pai, mas saiu correndo quando ouviu as batidas da música e a gritaria das crianças", revelou Eliane.
Na opinião de alguns pais, outro passeio de gosto duvidoso foi levar os 50 alunos das salas onde o atirador matou 12 estudantes para visitar o Monumento aos Pracinhas, no Aterro do Flamengo (zona sul). Os alunos das turmas do 7º e 8º ano visitaram o museu com armas e roupas utilizadas pelos soldados na 2ª Guerra Mundial. Na ocasião, as professoras alegaram que a intenção da atividade era "retirar as crianças do ambiente da tragédia."
Desde o massacre ocorrido no mês passado foram feitos pelo menos 30 pedidos de transferências e 21 novos pedidos de matrículas na escola. Insatisfeitos, os pais planejam uma manifestação. O Estado tentou contato com a Secretaria Municipal de Educação, mas não houve retorno.
Memória.
Na manhã do dia 7 de abril, o ex-aluno Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, entrou no colégio com a justificativa de que pegaria um histórico escolar. Ele entrou em duas salas e matou 12 estudantes, com idades entre 12 e 14 anos. O atirador deixou cartas e vídeos nos quais alegava que a motivação da chacina era a vingança pelo bullying que sofreu na escola. Dois feridos permanecem internados, mas não correm risco de morrer.
