terça-feira, janeiro 31, 2012

O que tanto Sergio Cabral, filho, faz em Paris?

Maria Helena Rubinatto R. de Souza, Blog do Noblat

Muitos hão de pensar: ela tem é inveja dele, que está sempre indo a Paris. É verdade.

Outros dirão: ela bem queria viajar de 1ª classe para Paris sempre que lhe desse na telha. Claro que sim.

Alguns hão de murmurar: hotéis 6 estrelas, em Paris? Vão me dizer que não é um dos sonhos dela? Ora, que dúvida!

E afirmarão: o que ela queria era estar no lugar dele. E estarão redondamente enganados.

Paris, a Paris da minha juventude, a Paris dos meus amores, a Paris que Léo Ferré, o grande chansonnier, em boa hora declarou ser onde se fazem os livros de imagens, não é cidade para bater pique. Ou vou para ficar no mínimo um mês, mínimo minimérrimo, ou não vou. Ou vou com o coração à larga, feliz, totalmente voltada para o que vou ver e rever, ou não vou.

Naturalmente, há casos e casos: um amigo ou parente em apuros; uma reunião política; um congresso; uma cirurgia; um casamento; um contrato a honrar; enfim, um motivo muito forte faria com que eu enfrentasse uma viagem curta e tudo o que isso significa de chatices – aeroportos, cansaços, fuso horário, malas. Mas sair daqui numa quinta e voltar numa quarta, apenas para dizer fui a Paris, essa não!

Nem na mais luxuosa primeira classe, nem no mais confortável dos hotéis, nem com todas as mordomias: nada disso substitui o prazer de flanar sem destino naquela cidade mágica, nada disso é mais agradável do que poder dizer, em alto e bom som para quem quiser ouvir: vou a Paris amanhã, volto daqui um mês, ciao!

Torno a perguntar: o que tanto Sergio Cabral, filho, faz em Paris?

Desta vez ele saiu do Rio na quinta, 19. Na quinta, 25, pela manhã, estava numa solenidade no Complexo do Alemão. O que significa que saiu de lá na quarta, 24. Total da viagem: seis dias.

Entre ida e volta, e tempo que perdeu nos aeroportos – até os miliardários enfrentam certas burocracias e se submetem aos procedimentos aeroportuários - o carioca-voador encarou, no barato, umas 24 horas incômodas.

Das 144 horas do passeio (6 x 24), já estamos com 120. Agora calculem, com toda a imprecisão possível, já que não somos ele, quantas horas ele gastou por dia com sua rotina e imaginem o que sobrou para Paris.

Raios, com curiosidade, a mesma que matou o gato: o que tanto Sergio Cabral, filho, faz em Paris? Nesse corre-corre?

Será que nós, cidadãos do estado do Rio, não merecemos o mesmo tratamento que os presidentes da República dão aos seus governados: a divulgação da Agenda Diária do governador?

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Da água para o vinho: prefeito Eduardo Paes – obrigada pela solidariedade e dedicação à cidade e aos moradores. Continue assim, mas não se iluda: do que precisamos é de mais fiscalização e disciplina!