terça-feira, janeiro 31, 2012

Tributos 'detonam' empresas brasileiras no exterior, diz presidente da Vale

Renato Santiago, Portal Exame

Murilo Ferreira afirma que a Vale não tem reservado o valor cobrado pela Receita Federal

Divulgação/Vale
Murilo Ferreira presidente da Vale

São Paulo - O presidente da Vale, Murilo Ferreira, disse à revista Época que a mineradora não reservou em seu balanço os recursos necessários para pagar os R$ 26,7 bilhões cobrados pela Receita Federal sobre lucros de suas subsidiárias no exterior. O valor, que inclui também juros e multas, chega muito perto do total dos R$ 30,1 bilhões que a empresa lucrou em 2010.

Segundo a entrevista, a Vale mudou, em seu balanço, a perspectiva de pagamento da multa de  “remoto” para “possível”. Ferreira alega que só fará o provisionamento do dinheiro quando a perspectiva for “provável”. “Você precisa ter um grau de certeza muito forte para fazer a provisão. E nós não concordamos que somos devedores dessa quantia”, afirmou.

Ferreira afirmou também que a tributação que o Brasil impõe a quem investe no exterior “detona” as possibilidades de as empresas brasileiras crescerem no exterior e de se tornarem fortes globalmente. 

O presidente da mineradora cita o exemplo de Moçambique. “Fizemos um investimento vultoso lá, de R$ 1,8 bilhão. Se tiver de reconhecer isso aqui, depois de ter recolhido em [impostos] em Moçambique, qual vai ser nossa motivação para estar em um lugar daqueles? Esse conceito de tributação detona, acaba com a possibilidade de as empresas investirem no exterior.”

******* COMENTANDO A NOTÍCIA:
O Presidente da Vale faz uma observação que serve para todos os empresários do país como lição: enquanto o PT for governo, não se admitirá que ninguém ganhe dinheiro com trabalho no honesto. A ganância em se apropriar de modo infame e indecente da riqueza produzida pela iniciativa privada sempre foi mal vista pelas esquerdas. Acham que esta riqueza pertence não aos que a produzem, mas aos demais vagabundos que cruzam os braços e ficam à espreita para sorver o produto do trabalho alheio.

Ontem já comentamos que, por outro lado, os petistas jamais aceitaram de bom tom a privatização da Vale e a impossibilidade de, pela via legal, reestatizar a companhia. Em tudo que estiver a seu alcance para torpedear a empresa, não se negarão em fazê-lo. É bom o presidente da Vale se precaver, porque sua condução ao posto não foi para criticar a impostura governamental, ele lá está para aprender a ser genuflexo ao poder petista.  

Mas ainda voltarei ao assunto. Há um lado bem nebuloso deste ataque covarde feito pelo governo petista à Vale que o país precisa conhecer.