terça-feira, janeiro 31, 2012

Que benefícios o Supremo trará à sociedade descriminalizando a maconha?

Milton Corrêa da Costa, Tribuna da Imprensa

Os defensores da descriminalização da cannabis cada dia estão mais esperançosos. Além da propaganda subliminar, com divulgação de constantes pesquisas, tentando incutir na sociedade brasileira que a maconha é menos ofensiva que o álcool e o cigarro, o Supremo Tribunal Federal decidiu deliberar sobre a descriminalização do consumo da erva, e tudo leva a crer que a maioria do plenário tenda a favor, comenta o jornalista Merval Pereira, em O Globo.

Recorde-se que recentemente o STF já deliberou pela autorização da realização de passeatas reivindicatórias para a descriminalização de qualquer espécie de droga. Seria estranho observar, por exemplo, os cerca de um milhão de dependentes do crack no país – trapos humanos que vivem nas cracolândias da vida – (vejam o problema atual na capital de São Paulo), em passeatas invocando a descriminalização da ‘droga da morte’.

Por falar em crack, a questão é tão complexa que alguns estudiosos aconselham a internação compulsória para o tratamento dos dependentes. Outros consideram que na internação obrigatória o dependente, logo em seguida, voltaria ao vício. Para tal corrente o melhor é esperar a internação voluntária.

No entanto, é possível também que poucos consigam chegar com vida (1/3 dos dependentes morrem em cinco anos) até pedirem socorro para livrarem-se da dependência. Talvez o meio termo seja o caminho: tirar os traficantes de circulação forçando assim os dependentes a procurar ajuda.

Sobre o álcool, uma matéria publicada numa revista semanal de grande circulação no país, em setembro último, dá conta que o Brasil tem um número de alcoólatras estimado em 15 milhões, o dobro da população da Suíça. Mas a realidade, segundo a reportagem, pode ser ainda pior.

Os médicos da Associação Brasileira de Estudos de Álcool e outras Drogas, estimam que, na verdade, 10% dos 192 milhões de brasileiros, ou cerca de 19 milhões, tenham problemas graves com a bebida. O alcoolismo mata 32 mil pessoas por ano no Brasil, está por trás de 60% das mortes no trânsito e 70% dos homicídios.

Sobre o cigarro, segundo o Instituto Nacional de Câncer, os dados do tabagismo são assustadores. No país, 200 mil mortes anuais são causadas pelo uso do cigarro, sendo que 16% dos brasileiros adultos são fumantes.

Cerca de 8% dos gastos com internação e quimioterapia no Sistema único de Saúde são atribuídos a doenças relacionadas ao consumo do tabaco. O risco do infarto aumenta em 63% nas pessoas que fumam menos de dez cigarros diariamente. Essa possibilidade é 2,6 vezes maior para fumantes que acendem entre 10 e 19 cigarros e de 4,6 vezes para aqueles que fumam mais de 20 cigarros/dia.

O depoimento de um ex-viciado à Revista Veja, de 25/01/12, mostra a escalada perigosa do uso de drogas. Diz o jovem, hoje com 24 anos:”Conheci o crack aos 19 anos. Já havia experimentado maconha, cocaína, lsd e ecstasy. Quando meus pais descobriram, pararam de me dar dinheiro e tiraram meu carro. Aí passei a trabalhar com um traficante, que acabou morto pela polícia. Entendi que o meu destino seria igual, se continuasse naquela vida. Há dois anos, decidi me internar. Fui para uma chácara perto de Brasília, onde tinha de fazer limpeza, cuidar da horta e até fazer serviço de pedreiro. Isso me deu noção de disciplina, senso de coletividade. Fiquei lá um ano. Venci o crack. Hoje acredito que não sou mais um escravo dele”, disse.

Registre-se que o citado jovem primeiramente fumou maconha numa escalada chegando até a ‘droga da morte’. Nesse contexto de dúvidas, o que se deve discutir é se o álcool e o cigarro já fazem tanto mal à sociedade, por que legalizar ainda mais uma droga? Que benefícios reais traz para a sociedade a descriminalização da maconha?

O Supremo Tribunal Federal precisa ter isso em mente ao decidir sobre a maconha. Onde será consumida? Em praça pública? Ou em espaços delimitados, num ‘falso mundo colorido’? Poderá ser consumida nos pátios de colégios e universidades? Vamos implantar as narco-salas para consumo de maconha? Quantas precisarão ser implantadas no país? Vai ser vendida pelo próprio governo nas farmácias? Será permitido plantar em cada residência de maconheiro a cannabis para consumo próprio?

É esse o exemplo que os pais estarão darão aos filhos em casa? Já não basta os pais que sob o efeito do álcool chegam embriagados e trôpegos diariamente em suas residências, causando sequelas psicológicas aos filhos?

HOLANDA ESTÁ VOLTANDO ATRÁS
Pesquisas dão conta de que a maconha faz mal à memória, causa esquizofrenia e síndrome amotivacional, sem falar que, tal e qual o álcool, também é uma perigosa porta de entrada para as drogas mais pesadas.
Lembrem-se que o governo holandês declarou recentemente que vai nivelar a chamada “maconha de alta concentração”, vendida no país, na mesma classificação de tóxicos como a cocaína e o êxtase, drogas consideradas pesadas.

O ministro da Economia da Holanda, Maxime Verhagen, afirmou que a droga, com mais de 15% na composição de sua substância psicoativa, o tetrahidrocanabinol (THC), tem uma potência muito maior do que a forma mais leve da erva.

Segundo ele, o tóxico “causa um prejuízo crescente na saúde pública do país”. A medida é o passo mais recente do governo holandês para tentar reverter a notória política de tolerância da Holanda com as drogas.

O que de positivo mudará, na vida de milhões de jovens brasileiros, com a descriminalização da maconha? O Supremo terá que responder. Direitos e garantias individuais não podem sobrepujar o interessse maior coletivo. É preciso ter tal assertiva em mente.