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Ye Xie e Blake Schmidt, Bloomberg
Brasil está perdendo a confiança dos investidores estrangeiros com as tentativas do BC de conter o pior deslize do real
Getty Images
O BC vendeu dólares no mercado futuro e aliviou medidas de
controle de capital externo neste mês depois que o real caiu para o menor nível em três anos
São Paulo - O Brasil está perdendo a confiança dos investidores estrangeiros com as tentativas do Banco Central de conter o pior deslize do real desde 2008, ao mesmo tempo em que a presidente Dilma Rousseff sinaliza que uma moeda mais fraca pode ajudar a estimular a economia.
O Banco Santander Brasil SA, quinto maior banco do País em ativos, disse em 6 de dezembro que o dólar pode subir 8,5 por cento, para R$ 2,25 até dezembro de 2013, de R$ 2,0722 de ontem, ampliando o declínio de 9,9 por cento do real este ano, o maior entre as principais moedas avaliadas pela Bloomberg.
O Itaú Unibanco Holding SA, segundo maior banco, revisou sua estimativa para 2013 no mesmo dia de R$ 2,02 para R$ 2,15, enquanto o HSBC Holdings Plc disse que o dólar vai subir para R$ 2,30, uma valorização de cerca de 11 por cento.
O BC vendeu dólares no mercado futuro e aliviou medidas de controle de capital externo neste mês depois que o real caiu para o menor nível em três anos, eliminando medidas que tinham por objetivo conter a alta de 55 por cento na moeda entre 2004 e 2011.
“É muito confuso o que eles querem e, enquanto isso não está claro, o que fica claro é que eles abandonaram a flutuação livre da moeda e que o governo quer que o real fique em um determinado nível, ainda que não esteja claro que nível é esse”, disse Pablo Cisilino, que ajuda a administrar aproximadamente US$ 50 bilhões em títulos de dívidas de mercados emergentes, incluindo títulos brasileiros, na Stone Harbor Investment Partners em Nova York. “Isso é algo que tem incomodado o mercado.”
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Convenhamos que este mexe-mexe do governo Dilma nas regras do jogo acaba sendo prejudicial para o Brasil, na medida em que vamos jogando no lixo um legado de confiança junto aos investidores, conquistado às duras penas ao longo de muitos anos. O que transpassa deste circo, é que estamos diante de um governo sem projetos, sem metas (a não ser as eleitoreiras), sem rumo definido, e que age ao sabor do improviso.
E a que conclusão objetiva todos acabam chegando? A de que este governo está todo perdido e enrolado. Tal percepção não poderia vir em pior momento, quando o país mais precisa inspirar confiança junto aos investidores, para eles apliquem em projetos de extrema importância e indispensáveis ao crescimento do Brasil.
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