sexta-feira, dezembro 14, 2012

Em Paris, Dilma defende não a imagem do Brasil, mas Lula


Veja online


 Chefes de estado em viagem ao exterior quando perguntados sobre problemas em seus países, costumam fugir da questão argumentando que se comentassem sobre o assunto incomodo naquele momento, poderiam ajudar a denegrir a imagem do país fora de suas fronteiras. O ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill avaliava que era uma boa astúcia, mas o problema vinha depois. Concluia, Churchill: “Ao voltar para casa, os governantes tampouco recuperavam o atraso.”

Embora pareça que não, foi o caso de Dilma Rousseff em viagem oficial a França. A presidente foi questionada sobre o depoimento à Procuradoria-Geral da República feito pelo publicitário Marcos Valério, operador do mensalão e condenado a 40 anos de prisão, no qual afirma que dinheiro do esquema pagou contas pessoais de Lula e que ele autorizou os empréstimos bancários ao PT, o partido do ex-presidente e de Dilma.

“É uma questão que devo responder no Brasil, mas não poderia deixar de assinalar que considero lamentáveis as tentativas de desgastar a imagem do presidente Lula. Acho lamentável”, disse ao lado do presidente da França durante entrevista coletiva aos jornalistas no Palácio do Elysée. Fica claro que Dilma prefere defender Lula que o Brasil em questões mais graves. Diferentemente como fez, por exemplo, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, ao declarar que as denúncias de Valério devem ser investigadas pelo Ministério Público. Salvo, evidentemente, se Dilma acha que Lula é o Brasil. Neste caso, a situação é mais séria.

Sobre as acusações, Lula apressadíssimo para se livrar da imprensa, rebateu com o de sempre: “É mentira.” Notícia significativa, mesmo, seria se Lula tivesse dito algo que não vem dizendo desde 2005. E de forma serena, sem o  estranho e permanente ar de fugitivo para um ex-presidente da República.  Constrangido e receoso de ser abordado sobre o depoimento de Marcos Valério, o ex-presidente anulou sua ida ao jantar de gala oferecido por François Hollande em homenagem a Dilma Rousseff, no Palácio do Elysèe.