sexta-feira, dezembro 14, 2012

União investiu menos da metade dos recursos previstos para 2012


Dyelle Menezes
Do Contas Abertas


Passados onze meses do início do ano, a União investiu apenas 45% dos R$ 90,4 bilhões previstos para 2012. O percentual equivale a R$ 39,7 bilhões aplicados entre janeiro e novembro deste exercício. Desse montante, cerca de R$ 23,4 bilhões foram provenientes de restos a pagar, ou seja, compromissos assumidos em anos anteriores, mas não pagos nos exercícios. Do total de recursos autorizados para o ano, R$ 58,8 bilhões foram empenhados, ou seja, reservados em orçamento.

O baixo ritmo de investimentos influenciou o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, que cresceu apenas 0,6% no último trimestre, surpreendendo economistas e o próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega. O PIB é a soma dos bens e riquezas do País.

O montante aplicado neste ano é 10,5% maior do que o do mesmo período de 2011 (R$ 35,9 bilhões), porém é 8,3% menor do que 2010, quando os investimentos chegaram à cifra recorde de R$ 43,3 bilhões e a economia cresceu 7,5%. Os valores foram atualizados pelo IGP-DI, da Fundação Getúlio Vargas. 

Em 2012, a nova projeção do ministro da Fazenda para o PIB é de 2%. Segundo Mantega, o governo aguarda os indicadores do quarto e último trimestre do ano para eventual alteração na previsão. "Dependemos do quarto trimestre que está em curso", disse.

Contudo, depois do terceiro trimestre ter apresentado crescimento de 0,6% na comparação com o segundo trimestre deste ano, analistas e investidores do mercado financeiro diminuíram mais uma vez a expectativa de crescimento da economia e baixaram a projeção de fechamento do PIB este ano de 1,54% para 1,27%.

O professor de economia da Universidade de Brasília, Flávio Basílio, ressalta que o investimento público é muito importante para a dinâmica do PIB. “Normalmente, o setor privado não tem dinheiro para realizar grandes obras, e o setor público é que  complementa e torna possível o investimento”, afirma. Assim, a relação entre o desempenho do investimento público e do privado é essencial para a expansão da economia.
Basílio ressaltou ao Contas Abertas outro problema. “O estímulo da nossa economia tem ido muito para o lado do consumo. O governo baixou o IPI, tem baixado os juros, o que estimula a demanda. A nova necessidade é tratar dos problemas estruturais, dos investimentos públicos”, afirma.

Segundo o economista Newton Marques, é primordial que o investimento público seja retomado para que a economia seja aquecida. “O setor público precisa sinalizar positivamente para o setor privado e isso só acontece por meios dos próprios investimentos. O setor privado acompanha o ritmo de investimento do setor público”, explica.

Marques acrescenta que para isso os investimentos da União precisam apresentar mais regularidade. “O governo precisa implementar medidas de longo prazo e não apenas apagar incêndios. A ideia é que tenhamos uma estratégia, um planejamento, como o plano de desenvolvimento dos militares, por exemplo. Os investimentos são insuficientes”, ressalta.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a retomada do investimento já começou no país. "A recaída da crise internacional que se deu em 2011 e 2012 prejudicou o ritmo dos investimentos neste ano, mas a retomada já começou", afirmou Mantega.

"Qualquer economista iniciado sabe que, em períodos de crise importantes, o investimento é o primeiro a se retrair e o último a voltar, depois que o consumo e a indústria reaceleram", completou. O ministro comparou ainda este ano a 2009, quando o investimento só foi retomado no último trimestre. Mantega afirmou também que, desde que assumiu a Pasta da Fazenda, em 2006, não faltaram investimentos até 2011.

"Nosso PIB cresceu em média 4,2% ao ano (de 2006) até 2011, uma das maiores médias de nossa história", disse Mantega. "E foi o investimento que puxou o crescimento nesse período, com uma expansão de 9,5% ao ano em média, mais do que o dobro do crescimento do PIB".

Crise à distância
Na semana passada, Mantega afirmou que a redução do desemprego e o aumento da renda no país, com consequente diminuição da desigualdade, como indicadores positivos de que o Brasil está se tornando "um grande país de classe média".

"A verdade é que a população brasileira conhece mais a crise pelos veículos de comunicação do que pelo seu dia a dia", disse. "Finalmente o crescimento econômico tem sido colocado a serviço da sociedade".

Mantega destacou também a redução dos juros, a desvalorização do real, que "reposiciona o Brasil na guerra cambial", a desoneração de impostos, a futura redução das contas de energia e os projetos de infraestrutura como fatores de uma "revolução silenciosa", que permitirão atingir um crescimento maior por um longo período.

"Naturalmente a crise da zona do euro e os problemas da economia norte-americana estão retardando os avanços da economia brasileira. O ano de 2012 foi difícil, começou com desaceleração da economia, mas termina com ela acelerando rumo a outro ciclo de forte expansão e dinamismo", concluiu.

Aumento com despesas correntes
Enquanto os investimentos não apresentaram regularidade entre 2010 e 2012, os gastos com despesas correntes só cresceram nos últimos sete anos. Em valores constantes, em 2006, R$ 462,5 bilhões foram despendidos para esse tipo de gasto. Neste ano, os valores chegaram a R$ 671,4 bilhões.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Fica muito fácil para Dilma Rousseff desfilar pela Europa passando receitas de crescimento e querendo ensinar aos países da Comunidade Europeia como vencer suas crises. Já seria ridículo desempenhar tal papel apenas sabendo-se que um continente inteiro, que foi atingido no espaço de exíguos 30 anos, por duas terríveis guerras mundiais, que vitimou milhões de pessoas, espalhando terror e miséria de ponta a ponta, conseguiu em curto tempo recuperar-se e superar todas as dificuldades que as duas guerras lhe causaram. 

Mas não é só isso. Os países europeus que vivem crises terríveis tem um histórico imenso de dificuldades causadas por governos que não souberam medir o tamanho do passo, ou seja, distribuíram benefícios sociais para seus povos, sem a necessária sustentabilidade de suas economias para garantir tais benefícios.Gastando muito além de sua capacidade de geração de receitas, foram tomando empréstimos atrás de empréstimos até o ponto em que chegaram atualmente. Corrigir a rota será dolorosa sim, e não há outro caminho para a retomada do crescimento. 

Contudo, vejam lá que não são todos os países do continente mergulhados em crise. São não mais do que meia dúzia e que saberão enfrentar suas crises e até superá-las sem  precisar receber lições de quem, sem crises nem guerras, não consegue levantar voo, mesmo dispondo de solo e subsolo riquíssimos.

Não temos nada a ensinar a quem quer que seja. Nossos problemas encontram suas causas todas aqui dentro mesmo. Centrada em uma estrutura de estado extorsiva e sufocante, tanto quanto ineficiente.  

Quando afirmamos que a resolução de nossas dificuldades estão todas no colo do governo federal, o fazemos com fundamentos, com fatos. Não se trata apenas de atribuir aos outros a culpa pelos nossos erros, coisas que as esquerdas adoram fazer. 

Mas vejam aí: menos da metade dos investimentos públicos previstos para o ano, é que foram efetivamente realizados. E, contudo, não cumprindo a parte que lhe cabe, nem assim o governo Dilma conseguiu cumprir sequer a meta de superávit fiscal projetado para o ano. Onde foi parar o dinheiro não investido e não poupado? Com a palavra o Ministro Mantega.  Aliás, a gente até sabe: foi o exorbitante aumento em gastos correntes.

Há algumas semanas, também reproduzimos outros dados demonstrativos da má gestão do governo Dilma em relação ao que ele mesmo se propôs realizar em seu orçamento. Do lado dos  aeroportos, (e nem precisamos indicar a importância deles para o país face os compromissos assumidos com a comunidade internacional para 2013 e, 2014 e 2016), em 2012, a Infraero não conseguiu ir além de 39,1% do programado, e nos portos, a coisa foi ainda pior: cumpriu-se apenas 19,4% dos investimentos previstos para o ano. Depois, dona Dilma vem e anuncia um bombástico programa para os portos chutando algo em torno de R$ 54 bilhões de investimentos para o setor, o mesmo setor em que  projetando investir R$ 1,1 bilhão neste ano não se conseguiu ir além de magros R$ 219,8 milhões. Nem sei se é caso para rir ou para chorar.  
Considerando os investimentos totais previstos em orçamento para o ano de 2012, o governo sequer realizou a metade.  Como pode desejar receber o diploma de de "aprovado" o aluno que não consegue fazer seu próprio dever de casa! E este aluno relapso ainda se acha no direito de querer dar aula de boa conduta! Patético, ridículo, prepotência em seu mais elevado grau.   

Sem destravar seus próprios investimentos, fica difícil acreditar nas projeções de crescimentos prá  lá de otimistas acenadas pelo governo Dilma. Agora imaginem que animal estúpido da iniciativa privada será capaz de investir num país sem educação, sem infraestrutura, sem regras estáveis, com uma carga tributária asfixiante, e uma burocracia prá lá de retrógrada, e com um governo que , além de querer ser sócio de tudo, ainda tem a pretensão de tabelar lucro por decreto? 

Portanto, antes de sair pela Europa com ares professorais espalhando receitas de crescimento, melhor fariam nossos governantes e autoridades econômicas se voltassem aos bancos acadêmicos para aprenderem alguns princípios básicos de economia, além de um prolongado e necessário tratamento com chás de humildade. 

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