sexta-feira, dezembro 14, 2012

Trigo parado nos portos argentinos chega a 500 mil toneladas


Veja online
Com Agência Reuters 

Bloqueio já impacta os preços do produto no Brasil, que é o principal comprador do cereal argentino

 (stock.xchng) 
Argentina deve autorizar a exportação 
de apenas 4,5 milhões de toneladas da safra atual

A fila de navios abarrotados de trigo aguardando liberação nos portos da Argentina já soma um total de 550 mil toneladas do produto, o que colabora para a elevação de seus preços no Brasil (principal comprador do cereal), disse nesta quarta-feira um importante industrial. "Não houve nenhum embarque da safra nova", disse Lawrence Pih, um dos principais empresários do setor e integrante do conselho da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo).

De acordo com uma fonte do setor de exportação na Argentina, que não quis se identificar, os embarques podem ser retomados nas próximas horas, pois o "bloqueio informal" realizado pelo governo foi retirado, com a liberação de papeis necessários para a saída dos navios.

Os embarques do produto estão parados desde 5 de dezembro e, segundo Pih, não houve até agora nenhuma explicação das autoridades argentinas sobre as restrições aos embarques. "O mercado não está entendendo, mesmo porque estamos no auge da colheita (na Argentina)", lamentou.

O executivo diz que, ainda que ocorram liberações a partir do dia 15, quando as licenças de exportação da nova temporada entram em vigência, os moinhos brasileiros serão impactados. O Brasil está encerrando uma safra menor que a de 2011 em função da redução da área plantada e das chuvas.

Há vendedores pedindo até 800 reais por tonelada no norte do Paraná, disse um corretor da região. Ele lembra que a falta de trigo de qualidade no Uruguai e restrições às vendas no Paraguai são outros fatores que reduzem a oferta no mercado brasileiro. "É difícil achar lotes no mercado porque alguns produtores não querem fazer fixação de preços." Os preços do trigo medidos pelo Centro de Pesquisas Econômicas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (CEPEA-Esalq/USP) no norte do Paraná registraram aumento de quase 13% desde o início de novembro.

Prejuízo – 
Segundo Lawrence Pih, a conjuntura de restrições aos embarques na Argentina e alta nos preços preocupa as indústrias, na medida em que será difícil repassar todas as elevações de custos ao preço da farinha.

"Dependendo do momento que você calcula, pode ser 80% de aumento de custo", completou o executivo, citando também o aumento da cotação do dólar e a possibilidade de o trigo ter de ser comprado de países de fora Mercosul, com maior incidência de impostos.

Restrição – 
O mercado já trabalha com a possibilidade de que a Argentina autorizará a exportação de apenas 4,5 milhões de toneladas da safra atual, ante as 6 milhões de toneladas previstas anteriormente.