sexta-feira, dezembro 14, 2012

Trem-bala deve começar a operar comercialmente em 2020


Exame.com
Sabrina Craide, Agência Brasil

Queremos entregar essa obra o mais cedo possível. Vamos buscar entregar a obra em junho de 2018”, disse o presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL)

China Photos/Getty Images
Trem-bala de Pequim: o total de investimentos 
do operador da primeira etapa é R$ 7,6 bilhões

Brasília - O trem de alta velocidade, que ligará os municípios do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Campinas (SP), deve estar pronto em 2019 e o transporte de passageiros deve começar em junho de 2020. As regras para o leilão que irá definir o operador do trem-bala foram divulgadas hoje (13).

 “Queremos entregar essa obra o mais cedo possível. Vamos buscar entregar a obra em junho de 2018”, disse o presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo. O concessionário terá um ano para testar a tecnologia e o prazo de concessão será 40 anos.

O trem só entrará em operação quando toda a obra estiver concluída e não haverá liberação de operação parcial, por trechos. “Estamos fazendo serviço para atender a longa distância. Não tem nenhum ganho o serviço de curta distância, não é um serviço em que o trem de alta velocidade seja mais competitivo”.

O preço máximo da passagem da classe econômica entre Rio de Janeiro e São Paulo será R$ 250 (valor atual, que será atualizado até a data de operação). Nas demais classes, o preço será livre. O trem deverá trafegar em uma velocidade de cerca de 350 quilômetros por hora, e o tempo máximo de viagem para o serviço expresso será 99 minutos.

Nos horários de pico, deverá haver pelo menos três trens expressos (que faz a ligação São Paulo-Rio de Janeiro) por hora e um trem regional de longa distância (com paradas nas estações intermediárias). Pelo menos 60% dos 458 assentos do trem devem ser destinados à classe econômica. A expectativa é começar a operar com 40 milhões de passageiros por ano e chegar a 100 milhões.

 O primeiro leilão do trem de alta velocidade está marcado para o dia 19 de setembro de 2013 e irá definir a empresa que vai fornecer a tecnologia e será a operadora do trem. O vencedor do leilão será a empresa ou consórcio que apresentar a melhor relação entre valor de outorga e o custo de construção do trem-bala. 

A empresa deverá ter pelo menos cinco anos de experiência na operação comercial do sistema e não pode ter tido nenhum registro de acidente fatal. A segunda licitação, que vai definir a empresa que vai construir a infraestrutura do trem, deve ocorrer em 2014.

A participação da EPL no projeto aumentou de 30% para 45%. Segundo Figueiredo, o objetivo foi aumentar a atratividade no projeto. “Como não estamos trazendo nenhum elemento de mitigação de risco e demanda, resolvemos aumentar a participação pública porque é uma forma de compartilhar o risco com o investidor”.

O total de investimentos do operador da primeira etapa é R$ 7,6 bilhões. O BNDES irá financiar R$ 5,37 bilhões, a EPL irá investir R$ 1,03 bilhão e o concessionário R$ 1,27 bilhão. O custo total da obra está estimado em R$ 35 bilhões. Segundo Figueiredo, os grupos interessados na implantação do projeto são da Alemanha, da França, da Espanha, da Coreia e do Japão.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Já comentamos muito sobre este projeto megalômano de Dilma Rousseff. Primeiro, apesar do governo insistir que os investimentos serão de R$ 35,0 bilhões, isto não passa de pura ficção: ficaram de fora deste custo inúmeros itens indispensáveis para construção e operação comercial. Também precisamos considerar que, em obras públicas do PT, os custos iniciais acabam se multiplicando em muitas vezes o previsto. Terceiro, dado o volume de recursos necessários, dada a inaptidão do governo em cumprir prazos, dado, também, até o formato do modelo escolhido, não há a menor possibilidade deste elefante branco entrar em operação conforme prevê o governo federal. 

Mas há um empecilho extremamente grave: da mesma forma como o governo impôs a Infraero como sócia da concessão dos aeroportos, aqui se optou pelo mesmo modelo . A tal  EPL – Empresa de Planejamento e Logística será sócia do empreendimento. Ou seja, trata-se de um projeto tão engessado que fica difícil imaginar que o próprio governo não tenha que aplicar futuros arremedos no modelito para bancar sua teimosia em um sonho economicamente inviável ou duvidoso apenas para firmar sua autoridade.

Portanto, vemos que as decisões no Brasil são tomadas não por racionalidade, nem por viabilidade, mas sim apenas por birra. Coisa infantil, sabemos, mas este é o modus operandi deste governo.

Um detalhe: o último estudo independente sobre os custos do projeto chegou a um valor próximo de R$ 60 bilhões, portanto muito acima daquilo que o governo mentiu para o mercado na tentativa de atrair investidores. Mas com base na mentira, ele espera que alguém aceite o risco?

De qualquer maneira, como o leilão está marcado para setembro de 2013, até lá vamos ver se as regras do jogo serão mantidas, porque, senhores, só maluco se atira num projeto faraônico e bilionário como este e de olhos fechados, tendo que aguentar o governo federal como sócio. 

Assim, e como sempre, a conferir no devido tempo.