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Leandra Peres
Sheila D'amorim
Da Folha De S.Paulo
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O Ministério da Fazenda vai reduzir de 3,7% para pouco mais de 3% a projeção de crescimento da economia para 2006, depois do fraco resultado da produção industrial em setembro, que apresentou queda de 1,4% em relação a agosto.Com isso, as projeções oficiais vão se aproximar um pouco mais daquelas feitas pelo mercado financeiro, que já foram revistas para até 2,7%.
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O Ministério da Fazenda vai reduzir de 3,7% para pouco mais de 3% a projeção de crescimento da economia para 2006, depois do fraco resultado da produção industrial em setembro, que apresentou queda de 1,4% em relação a agosto.Com isso, as projeções oficiais vão se aproximar um pouco mais daquelas feitas pelo mercado financeiro, que já foram revistas para até 2,7%.
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A redução da estimativa dá fôlego aos críticos da política de juros --a ala desenvolvimentista do governo responsabiliza o Banco Central, o que pode intensificar a disputa pelo comando da área econômica.
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O Ipea, instituto de pesquisa econômica vinculado ao Ministério do Planejamento, também já começou a rever para baixo suas estimativas para o desempenho da economia.
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A previsão atual de 3,3% cairá, mas o novo número só será divulgado no início do mês que vem, depois da publicação do resultado fechado do PIB (Produto Interno Bruto) no terceiro trimestre, disse o economista Estevão Kopschitz, do grupo de conjuntura do Ipea.
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A Folha apurou que a maior preocupação da equipe econômica é com a ampliação do efeito negativo do câmbio sobre a produção industrial e com a dificuldade que o governo tem para reverter ou mesmo amenizar esse quadro.
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Antes restrito a setores como calçados, têxteis e moveleiro, a valorização cambial já está afetando o setor de bens de consumo duráveis. A produção de eletrodomésticos, por exemplo, caiu 4,4% em relação a agosto, principalmente pelas importações no setor.
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A análise é que não é possível esperar uma reversão no quadro a tempo de salvar o PIB deste ano. A tendência é manter políticas pontuais de apoio aos setores que estão sofrendo mais --o que já vem sendo feito por meio de linhas especiais de crédito-- e manter a compra de dólares pelo BC para recompor as reservas internacionais.
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Mas a solução para a valorização cambial só virá, segundo a análise de fontes da Fazenda, com uma queda mais acentuada nos juros --ou seja, mais pressão sobre o BC de Henrique Meirelles. Isso faria com que a diferença entre a taxa de juros externa e interna se reduza, o que tornará o país menos atrativo para o capital internacional. Com isso, diminui a entrada de dólares e a pressão pela valorização do real.
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A equipe do ministro Guido Mantega ainda aposta num desempenho excepcional do setor de construção civil no último trimestre do ano para fazer com que o PIB alcance um crescimento de até 3,2%.
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Para isso, também será necessário que o setor automobilístico se recupere do fraco desempenho de setembro. A dúvida entre os assessores do ministro é se isso acontecerá ainda esse ano ou se parte da recuperação ficará para 2007.
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Apesar de ter sido considerado "um ponto fora da curva" até pelos chamados desenvolvimentistas do governo, o resultado da produção industrial em setembro promete intensificar a queda-de-braço travada nos bastidores do governo.Na avaliação de fontes ouvidas pela Folha, mesmo que não represente uma tendência, o indicador industrial mostra que o país ainda está limitado ao patamar de crescimento próximo a 3% ao ano, em função de gargalos na economia.Com isso, na média, o crescimento do governo Luiz Inácio Lula da Silva dificilmente atingirá um nível muito superior ao verificado na gestão de Fernando Henrique Cardoso.
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Em ambos os governos, o patamar médio registrado foi em torno de 2% ao ano. E esse é o ponto mais vulnerável da política econômica na disputa interna, já que é o que mais incomoda o presidente Lula. Os desenvolvimentistas sabem disso e sustentam que para crescer 5% ao ano, como prometeu o presidente na campanha eleitoral, será preciso mais ousadia na queda de juros.Só assim, será possível deslanchar a taxa de investimento e criar um ambiente favorável ao crescimento sem pressão na inflação. Parte do governo, no entanto, resiste à tese de queda mais forte nos juros, e o presidente tem sinalizado que não optará por esse caminho.
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Com isso, a aposta é que a política monetária não irá sucumbir a pressões políticas e que o ajuste virá do lado fiscal.