sexta-feira, novembro 10, 2006

TOQUEDEPRIMA...

Proteção e Segurança Aérea: poucos gastos e compras curiosas
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por Caroline Bellaguarda e Cecília Melo,
do site Contas Abertas
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A desordem no sistema aéreo brasileiro levantou suspeitas de como o dinheiro destinado ao programa “Proteção ao Vôo e Segurança do Tráfego Aéreo” (0623) vem sendo aplicado. Sendo assim, o Contas Abertas investigou os números referentes aos gastos e verificou que a maior parte do orçamento foi destinada às despesas correntes, como material de consumo, vigilância, passagens e diárias e não para investimentos na melhoria da proteção do espaço aéreo. Dentre as curiosidades, gastos com festividades e homenagens e até alimentos para animais.
O programa 0623 desembolsou R$ 291,1 milhões até o dia 6 deste mês, correspondente a 54,7% do orçamento previsto. Deste total, R$ 118,7 milhões quitaram dívidas referentes aos “restos a pagar” do ano passado, ou seja, somente R$ 172,4 milhões foram efetivamente aplicados com o orçamento deste exercício. O orçamento autorizado para 2006 foi cotado em R$ 531,7 milhões, um número distante das aplicações até o momento. As autoridades militares afirmam que os gastos serão acelerados até o fim do ano.
Do valor pago com o orçamento de 2006 (R$ 172,4 milhões), as despesas correntes totalizaram R$ 117,4 milhões. Cerca de R$ 19 milhões foram utilizados somente no pagamento de passagens e diárias. Para investimentos, restaram R$ 55 milhões. Dentre as compras, R$ 8,8 milhões foram gastos com novos aparelhos de controle aéreo.
A despesa mais significativa foi com serviços de terceiros realizados por pessoa jurídica, que corresponde a R$ 116,9 milhões, ou seja, 68% do total aplicado. Dentre estes serviços, a quantia de R$ 25,4 milhões chamou atenção do Contas Abertas, que apurou detalhadamente para quais fins este dinheiro foi utilizado. São serviços técnicos profissionais, como a implantação de radares para o controle do espaço aéreo, execução de serviços técnicos especializados de infra-estrutura no campo da engenharia mecânica e de software, este visando a implementação de um centro de operações militares, além de obras para alojamentos de vigilância e vila habitacional.
Curiosamente, o Contas Abertas descobriu alguns dispêndios que parecem não ser condizentes com o objetivo do programa 0623: proporcionar circulação segura e eficiente ao tráfego aéreo civil e militar sob a jurisdição do Brasil. Um deles, por exemplo, no valor de R$ 20 mil reais destinou-se à compra de alimentos para animais. Foram seis toneladas de ração para cães, sendo 5,7t para adultos e 0,3t para filhotes. O local de destino dos alimentos é um canil no 2º Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego em Curitiba (PR).
Segundo informações do quartel, os cães são utilizados para a segurança do local. Os gastos com festividades e homenagens, entre materiais e serviços, totalizaram R$ 21,4 mil.
Considerando as aplicações já efetuadas ainda resta uma boa quantia a ser gasta até o fim deste ano. As possibilidades de diminuição dos gastos para o próximo ano podem ser pertinentes se compararmos os números de 2005 e 2006. É notória uma redução dos recursos. Enquanto em 2005 a dotação autorizada foi praticamente toda paga incluindo os ‘restos a pagar’, este ano a execução deixa a desejar. Até agora, pouco mais da metade do orçamento inicial foi gasto, incluindo dívidas passadas.
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Auto-Reflexão E Autocrítica
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por Maria Sylvia Carvalho Franco
Publicada na Folha de S. Paulo
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Marco Aurélio Garcia prescreveu "auto-reflexão" para a imprensa, vezo subscrito por algumas redações. Argüir toda a mídia de inventar a mácula petista é uma contradição em termos. Marco Aurélio converte fatos em quimeras (nunca houve mensalão), mas os "erros" dos camaradas o desdizem. É preciso reavivar esses desvios para que o "agitprop" não logre desvanecê-los. Não há como eludir o caudaloso valerioduto, o contrato milionário assinado por dirigente distraído, o jipe recebido em troca de favores. Dinheiros fluem de fontes obscuras (como o dos aloprados) para fins escusos (como as contas paradisíacas de D. Mendonça) e surgem em cofres recônditos (peças íntimas).
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Assessores palacianos evoluem nessa ilícita ciranda. E Visanet, sanguessugas, bingos, Correios, cartões institucionais?
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O BNDES financia regiamente a Telemar, que, por sua vez, ajuda o filho do mais alto magistrado no país a passar de tostões a milhões. Ao se expor esse ganho, não se invadiu o círculo familiar do presidente; o fato originário foi que o seu círculo privado invadiu o público. Invencionice? Intimidados pela polícia não foram os autores desses atos, mas aqueles que os deram a conhecer.
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O presidente do PT, ao censurar a imprensa, fugiu à lógica. "Auto-reflexão" é uma cômica tautologia comparável à do candidato-presidente, que, anunciando benefícios, prometeu "universalidade geral" à educação, saúde etc. Como erro de apedeuta, admite-se tal vício lógico, mas não como lapso de um professor. A "reflexão", metáfora do pensamento que examina a si mesmo, só pode ser "auto". Aquela gafe trai um ato falho que denuncia arcanos da esquerda ortodoxa, a "autocrítica".
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Partidos autoritários, ágeis no domínio das consciências, adestram os filiados a ajustar suas mentes ao mandamento da burocracia partidária, fonte de certezas que vão da moral à ciência (o caso Lyssenko é exemplar). O militante interioriza doutrinas e ordens da direção e, nessas balizas, afere atos e conteúdos de seu espírito: faltando identidade entre convicções próprias e verdades partidárias, ele abjura o pensamento e cola-se à ideologia, por mais que ela contrarie as evidências. O auto-respeito sucumbe ao dogma.
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Garcia confunde tarefeiro partidário e imprensa ao exigir, desta, o sacrifício do intelecto. Que ele imponha silêncio obsequioso a jornalistas alinhados ao PT (há muitos), vá lá. Mas estendê-lo à toda a imprensa e, com ela, à opinião pública (que merece informação e juízos independentes) vaticina dias funestos. O prosélito, aliado a velhos gestores da ditadura, não só cala a si próprio mas, por toda parte, usa carga pesada para fechar espaços e silenciar vozes autônomas.
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CNI: Indústrias investem menos do que o previsto
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O baixo ritmo de crescimento da economia brasileira desestimulou os investimentos. Somente 36% das indústrias completaram os projetos planejados para 2006, enquanto que 21% adiaram ou cancelaram os planos. As outras 43% cumpriram parcialmente os projetos, informa a Sondagem Especial, divulgada nesta quinta-feira (09.11) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
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Conforme a pesquisa, os setores em que mais adiaram os investimentos planejados foram os de calçados, madeira e móveis. Entre as indústrias calçadistas, apenas 10% cumpriram os projetos de investimentos para 2006. No setor de madeira, esse índice foi de 18% e, no de móveis, de 25%.O estudo revela ainda que os investimentos se concentraram na expansão da capacidade de produção. Quase 60% das empresas aumentaram os parques fabris entre 2004 e 2006, com destaque para as indústrias dos setores de álcool, farmacêutico, papel e celulose, máquinas e materiais elétricos, veículos e limpeza e perfumaria. Mais de 70% das indústrias que atuam nessas atividades ampliaram a capacidade de produção entre 2004 e 2006.
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Na avaliação dos empresários, a atual capacidade de produção será suficiente para atender o consumo no próximo ano. Somente 16,1% das empresas acreditam que seu parque industrial é insuficiente para suprir a demanda em 2007. "A percepção de folga no parque produtivo ocorre, ainda que os investimentos previstos para 2006 ficassem aquém do planejado. Ou seja, os empresários acreditavam em uma expansão de demanda que não se concretizou", afirma o estudo.
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A pesquisa da CNI foi feita entre os dias 3 e 20 de outubro com 1.581 indústrias, das quais 1.366 eram de pequeno e médio porte e 215 de grande porte.
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