sexta-feira, novembro 10, 2006

IBGE, por favor, mude a bola de cristal !

Do Estadão

A cada vez que o IBGE divulga suas previsões de safra, os agricultores são atacados por profunda indignação. Nesta semana, isto aconteceu mais uma vez, com o IBGE anunciando para 2007 safra recorde de grãos, acima de 130 milhões de toneladas, mesmo diante da reconhecida crise que abala a agricultura brasileira. Novamente, o anúncio mexeu com os mercados de commodities, provocando o início de uma depreciação dos preços dos grãos.

'Temos que perguntar: a quem interessa essas previsões, que mexem fortemente com os preços de mercado, e o IBGE vem errando sistematicamente ano a ano? É certo que, quando os mercados percebem que a safra não será a prevista, os preços começam a se recuperar. Só que, neste ínterim, muitos já ganharam muito dinheiro especulando', reclamou ontem João Sampaio, da Sociedade Rural Brasileira.

Para se ter uma idéia, para 2003, o IBGE previu uma safra de 134 milhões de grãos. Resultado final: 123, 6 milhões. Em 2004, nova onda de otimismo: o IBGE arriscou safra de 130 milhões de toneladas. Nova decepção, o ano fechou com produção de 119 milhões. Em 2005, sem olhar para trás, o IBGE exagerou de vez ao anunciar safra de 134,5 milhões. O ano acabou com o número fraquinho de 112,7 milhões. Sendo ou não culpa de São Pedro, somada à política arrastada do governo Lula para a agricultura, trata-se de um erro de quase 20%.
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COMENTANDO A NOTÍCIA:

Alguém precisa avisar ao pessoal do IBGE que sua bola de cristal está com prazo de validade vencido e, por isso, precisa ser trocada. Aliás, o IBGE é muito bom em estatísticas sobre fatos ocorridos. Mas ruim de adivinhação. No caso da produção agrícola, fica até suspeita esta tentativa do IBGE de prever o futuro.
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Existe um bom número de institutos de pesquisas e entidades que vivem a agricultura em tempo real, e com capacidade, portanto, de fazerem previsões com muito maior acerto do que o IBGE. Além do que, este tipo de “adivinhação”, induz a ações especulativas com perdas e ganhos em toda a cadeia produtiva. Aqueles que nada plantam mas vivem do “clima” bom ou mau da atividade, são os que geralmente se favorecem destes resultados premonitórios. Azar dos que plantam e colhem, que vêem seus lucros já minguarem num país sem política alguma e sem alternativas de ganhos em razão de um câmbio besta.
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Claro que por detrás desta ação do IBGE pode se esconder uma tentativa do governo federal para exibir números irreais para mascarar a sua ineficiência e incompetência pela falta de uma política agrícola minimamente decente. Coisa da qual não nos surpreenderíamos nem um pouco. O governo Lula tem sido pródigo na produz de mentiras e mais mentiras, de números falsos atrás de números falsos, apenas para posar para a torcida. Ocorre que a verdade da agrícola quando mascarada da forma como se está tentando fazer produz duas consequências inevitáveis: de uma lado, ao apregoar uma produção acima do real, pode no futuro colher o desabastecimento de alimento e o consequento aumento de preços. Por quê ? Porque com a depreciação de preços, o agricultor acaba na lona e chega a um ponto de não mais poder suportar prejuízos. Ou reduz a área plantada ou simplesmente abandona a atividade.
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Portanto, melhor faria o IBGE que se ativesse em dedicar-se à sua atividade principal que é o registro e a estatística de fatos ocorridos. Tentar atuar no campo adivinhatório da atividade agrícola há entidades com melhores condições de produzir números mais confiáveis do que o IBGE. Até porque, conforme se conclui pelo histórico de erros nos últimos anos, já se nota que sua bola de cristal não tá com nada, além dos estragos que suas projeções tem provocado no mercado de commodities.