sexta-feira, novembro 10, 2006

NOTÍCIAS DO CÂMBIO

Economistas já vêem dólar em R$ 2,50 no ano que vem
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As perspectivas para 2007 são nebulosas no comércio exterior, na avaliação de alguns especialistas, com projeções de perda de vigor ou queda nas exportações e avanço das importações. Mas justamente a menor entrada e maior saída de dólares para pagamento das importações poderá elevar a sua cotação dos R$ 2,14 para algo entre R$ 2,30 e R$ 2,50 ano que vem - acima das projeções do mercado, de R$ 2,28 no fim de 2007, segundo a pesquisa Focus, do Banco Central (BC).
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Apesar desse refresco para a indústria nacional, os mesmos especialistas advertem que câmbio não é o principal entrave ao crescimento, mas os gastos públicos elevados, que restringem o investimento. “A questão cambial é importante e os que sofrem têm razão de chorar. Mas todo mundo deveria chorar de forma mais efetiva pela questão fiscal. Esse é o grande motivo que impede o crescimento sustentado”, diz o economista da MB Associados Sergio Vale.
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Para o sócio-diretor da RC Consultores, Fábio Silveira, o saldo comercial vai encolher de US$ 44 bilhões este ano para US$ 36 bilhões em 2007. O motivo é a redução das exportações e o avanço das importações. Uma das razões do recuo (de perto de US$ 130 bilhões em 2006 para US$ 122 bilhões em 2007, segundo a RC) é o “enfraquecimento” dos preços dos produtos exportados, em conseqüência da provável desaceleração da atividade global. Além disso, a consultoria destaca que cresce a oferta de produtos da Ásia.
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Como exemplo, Silveira cita que a cotação do petróleo já caiu, fruto, dentre outros motivos, do desaquecimento da economia americana. Ele comentou também que os preços de papel e celulose e de produtos siderúrgicos pararam de subir. Esse ajuste na balança comercial poderá levar o dólar a uma cotação “um pouco mais adequada”, entre R$ 2,40 e R$ 2,50, comenta o economista, junto à continuidade da redução dos juros. Essa mudança, segundo Silveira, pode fazer com que o câmbio seja “mais realista”.
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Para o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, há mais riscos esperando 2007: desaceleração mundial e elevação dos juros nos EUA e na China. “Caso se confirmem, haverá desaceleração mundial e queda no preço das commodities”, diz.
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Peso do dólar é maior em 5 setores
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A indústria brasileira perde duas vezes com a taxa de câmbio baixa. Além de as empresas nacionais sofrerem a concorrência direta de produtos importados no mercado doméstico com preços menores, há perda de competitividade na atividade de exportações. Isso acontece porque os mesmos tipos de produtos importados que entram no mercado brasileiro são vendidos pelos países fabricantes aos clientes da indústria brasileira.
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Alguns setores industriais estão sendo particularmente prejudicados por esse quadro, explica o economista da MB Associados, Sergio Vale.
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Levantamento feito pela MB mostra que cinco segmentos acumulam queda de produção este ano, de janeiro a setembro, na comparação com o mesmo período no ano anterior: madeira (-7,87%), vestuário e acessórios (-6,77%), calçados e artigos de couro (-3,42%), produtos de metal excluindo máquinas e equipamentos (-2,32%) e outros produtos químicos (-2,32%). E esses setores têm em comum duas características: sofrem os efeitos da política cambial e usam mão-de-obra mais intensiva do que a média da indústria.
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Um exercício feito pelo economista mostra que o resultado da produção da indústria nacional este ano estaria pouco acima do efetivamente registrado de janeiro a setembro caso, no lugar dos resultados negativos, esses segmentos estivessem ao menos repetindo o desempenho do ano passado. Assim, eliminada a retração que os cinco setores registraram, a indústria geral, que cresceu 2,7% até setembro, teria avançado 3,1%.
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Para Vale, contudo, embora o câmbio esteja fazendo estragos em alguns setores, não é o responsável por todos os problemas atravessados pela indústria. Há uma combinação de limitações para o País crescer com maior velocidade e de forma mais sustentada. Para isso, a avaliação geral é de que é preciso reduzir o gasto público e aumentar os investimentos em infra-estrutura.
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Impacto positivo
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De forma geral, o crescimento industrial deste ano está sendo influenciado favoravelmente pelo desempenho de segmentos como máquinas para escritório e informática (53,73%) e máquinas e aparelhos elétricos (11,97%), além da expansão de 7,44% que a indústria extrativa mineral (petróleo e ferro, principalmente) acumula no ano. O curioso é que o mesmo câmbio que atrapalha as exportações e expõe alguns setores a uma forte concorrência acaba ajudando os segmentos que usam muitos insumos importados.
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Vale explica que esse pode ser considerado um “impacto positivo” da supervalorização do real: a compra de insumos mais baratos por parte de segmentos da indústria nacional, o que permite baratear o produto final e aumentar, conforme o caso, a rentabilidade das empresas. O setor de informática, por exemplo, além de se beneficiar dos programas governamentais de incentivo à venda de computadores, usa, em boa parte, componentes comprados de outros países.
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Ainda assim, Vale enfatiza que o maior efeito provocado pelo câmbio fraco é mesmo negativo, porque retira a competitividade interna e externa de segmentos, com destaque para o de brinquedos e de calçados, que ainda sofrem com a competição da China.
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Fonte: Agência Estado
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Efeito câmbio preocupa o Minstério da Fazenda
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que não está preocupado com a queda de 1,4% registrada na produção industrial em setembro. Ele ressaltou que existem indicadores apontando para o crescimento da produção industrial em outubro, como é o caso da produção de veículos. “A gente não pode ficar assustado porque num mês cresceu menos e no outro vai crescer mais”, disse.
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No Ministério da Fazenda, porém, o fraco desempenho da indústria acendeu um alerta em torno do câmbio. “Há uma preocupação se a taxa de câmbio está tornando inviáveis alguns setores e estamos analisando essa questão”, disse ao jornal O Estado de S.Paulo o secretário-adjunto de Política Econômica, Nelson Barbosa. Ele admitiu que o governo pode rever sua projeção de crescimento deste ano, hoje em 3,7%, dependendo dos resultados do terceiro trimestre que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciará no fim do mês.
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Lula escolheu o crescimento acelerado com inclusão social como o centro de seu segundo mandato. Ontem, em palestra a educadores da área de tecnologia, o presidente deixou claro que pretende reforçar o desempenho da economia, mas isso não ocorrerá às custas de sacrifícios na área social. Foi um recado aos que defendem cortes nas despesas como condição para o crescimento sustentado.
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“Em vez de discutir onde vamos cortar, temos de discutir onde crescer, como crescer e como fazer justiça social neste País, que precisa de justiça mais do que nunca.” Ele defendeu aumento salarial para professores. “Tenho dito publicamente: chega de tentar economizar às custas do já miserável salário das pessoas neste país. É preciso que a gente economize em outras coisas, é preciso que a gente tenha consciência.”
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Para minimizar o impacto do desempenho negativo da indústria, Lula citou o desempenho das montadoras. Depois da queda na produção ocorrida em setembro, elas registraram em outubro crescimento na produção de 10,9%, semelhante ao de agosto, segundo dados divulgados ontem pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
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“Se você pegar hoje, a indústria automobilística já recuperou o que ela cresceu no mês de agosto”, disse. “A questão do crescimento está em curso”, salientou. “Estou convencido de que a economia está preparada para crescer mais do que estamos habituados.”
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A retração da atividade das montadoras foi a principal causa da queda de 1,4% no desempenho da indústria em setembro, em relação a agosto.
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O presidente evitou apresentar metas de crescimento para 2007, embora o ministro da Fazenda, Guido Mantega, insista em que o País entrará em um ciclo “vigoroso”, acima de 5% ao ano. A projeção constante do Orçamento é de um crescimento de 4,75%. O mercado, porém, projeta uma taxa mais modesta: 3,5%. Lula não se prendeu a essas estimativas e foi direto ao ponto. “Não tenho metas, tenho o compromisso de fazer a economia crescer. E vou fazer crescer”, disse.
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Para isso, Lula quer garantir novos investimentos na área de infra-estrutura, condição necessária para evitar os chamados “vôos de galinha” na economia. “O meu problema agora é tentar destravar tudo o que pode dificultar os investimentos”, afirmou. A precariedade das estradas, portos e ferrovias no Brasil são apontados como principais entraves a um período de crescimento sustentado.
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Fonte: Agência Estado