.
O PRESIDENTE Hugo Chávez dedicou sua vitória eleitoral ao amigo Fidel Castro. Bem lembrado: depois do ditador cubano, seu pupilo de Caracas é o chefe de Estado há mais tempo no poder na América Latina e acaba de ganhar das urnas o direito de permanecer no cargo até 2013.
.
.
Em seu estilo usual, tão cru quanto o óleo que lubrifica o "milagre bolivariano", Chávez fala em aprofundar sua "revolução". Estaria aberto o caminho para mais uma escalada autoritária na Venezuela -e com a bênção do presidente Lula, que, rompendo irresponsavelmente os mais elementares protocolos diplomáticos, lhe emprestou apoio em plena campanha.
.
Note-se, porém, que a oposição ao chavismo está longe de ser desprezível na Venezuela. O governador Manuel Rosales, o candidato derrotado, reuniu forças que estavam dispersas e obteve quase 40% dos votos. Arrastado pela mesma maré petrolífera e enfurnado na mesma tentação autocrática, Vladimir Putin foi mais eficiente.
.
Reelegeu-se com 71% na Rússia. Nem se fale dos índices de aprovação nos "plebiscitos" que Saddam Hussein obtinha em seus tempos de petroditador.O acúmulo de forças oposicionistas, agora dentro das regras do jogo, é a melhor notícia destas eleições na Venezuela para quem preza as liberdades democráticas e a alternância no poder. Mais de quatro anos atrás, em abril de 2002, os adversários de Chávez enveredaram pelo golpismo. Apoiados por Washington, conseguiram deslegitimar-se enquanto pólo alternativo de poder e vitimizar um presidente então bastante fragilizado.
.
.
Note-se, porém, que a oposição ao chavismo está longe de ser desprezível na Venezuela. O governador Manuel Rosales, o candidato derrotado, reuniu forças que estavam dispersas e obteve quase 40% dos votos. Arrastado pela mesma maré petrolífera e enfurnado na mesma tentação autocrática, Vladimir Putin foi mais eficiente.
.
Reelegeu-se com 71% na Rússia. Nem se fale dos índices de aprovação nos "plebiscitos" que Saddam Hussein obtinha em seus tempos de petroditador.O acúmulo de forças oposicionistas, agora dentro das regras do jogo, é a melhor notícia destas eleições na Venezuela para quem preza as liberdades democráticas e a alternância no poder. Mais de quatro anos atrás, em abril de 2002, os adversários de Chávez enveredaram pelo golpismo. Apoiados por Washington, conseguiram deslegitimar-se enquanto pólo alternativo de poder e vitimizar um presidente então bastante fragilizado.
.
Erraram novamente as forças de oposição no ano passado, quando boicotaram as eleições legislativas, proporcionando a Chávez domínio absoluto do Congresso. Quer-se crer que aprenderam a lição, pois só como grupo que renuncia a soluções de força podem resistir com legitimidade aos tentames castristas que certamente virão do presidente no novo mandato.
.
.
Não há novidade no modelo chavista. Ele nasceu de uma política carcomida, quando um arcabouço institucional historicamente rarefeito desmoronou com a crise econômica e arrastou consigo os partidos tradicionais. À diferença de Evo Morales na Bolívia, Hugo Chávez não representa nenhum movimento social emergente. É fruto de uma ruptura na corporação militar, tendo desabrochado para a política numa tentativa frustrada de golpe de Estado, em 1992.
.
.
Beneficiado pela maior alta nas cotações do petróleo em um quarto de século, Chávez pôde exercitar-se no cesarismo. Seguindo os passos de Perón e congêneres, dá dinheiro aos pobres e os converte em massa eleitoral a serviço do governismo.
.
.
Por trás da fumaça "socialista" que encanta uma certa esquerda, o caudilho de Caracas reforça o modelo econômico que está na base da secular instabilidade venezuelana. Se o preço do petróleo cair abruptamente, o castelo de cartas que sustenta o chavismo correrá o risco de desmoronar sem deixar vestígio.