quinta-feira, dezembro 07, 2006

O assanhamento dos lobbies

Por José Paulo Kupfer, publicado em No Mínimo
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Nunca antes neste País os lobbies estiveram tão ativos, com ênfase óbvia na área econômica. Desde o dia seguinte da reeleição de Lula, grupos de pressão correram para oferecer suas “contribuições” ao segundo mandato, numa intensidade da qual não se tem notícia em outros tempos.
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No esforço para influenciar as decisões do governo, na partida para os próximos quatro anos, entidades de empresários, empresários em vôo solo, sindicalistas e entidades sindicais despejaram na mesa do presidente planos, programas e projetos com sugestões e mais sugestões. Todas, naturalmente, com o dom, segundo seus patrocinadores, de fazer o Brasil escapar do medíocre desempenho econômico das últimas duas décadas. Ou, simplesmente, como no caso das centrais sindicais, para bombar o salário mínimo também em 2007. E, é claro, facilitando ou, pelo menos, sem prejudicar a vida daqueles que patrocinavam planos e projetos.
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A indústria, como em qualquer lugar do planeta quando se fala em lobby na economia, é a mais assanhada. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) saiu na frente, mas nem por isso ofuscou a badalação de sua associada mais poderosa, a Fiesp, que reúne os industriais paulistas. Também como nunca ocorrera antes, o programa econômico da Fiesp para o segundo mandato veio com a chancela do Iedi, ativa ONG de industriais paulistas que, na sua origem, agrupou dissidentes da Fiesp.
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Apareceu até um superlobby, formado por uma centena de entidades empresariais, às quais se juntou a Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT). Essa multidão se reuniu em torno de uma proposta de reforma da Previdência, que unificaria servidores públicos e contribuintes do setor privado num único sistema.
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Mesmo ressalvando que as novidades só valeriam para os que ingressassem no mercado de trabalho depois da aprovação da proposta, não houve clima para levar a sugestão até Lula em pessoa, mas o projeto circulou largamente e está aí solto na praça. No quesito Previdência, por sinal um best-seller nos planos de reforma apresentados depois da reeleição, também chegou a Lula um plano de redução de gastos previdenciários, com base, como está na moda, num choque de gestão, patrocinado pelo empresário Jorge Gerdau Johannpeter.
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É tal, enfim, a movimentação dos lobbies que faz sentido tentar entender o que tudo isso significa. Pode ser medo de que Lula descambe para o gasto social ou uma sensação generalizada de que ele ainda não tem nada articulado para pôr em marcha no segundo mandato. Possivelmente são as duas coisas juntas. Mas, de todo modo, é menos mal que as pressões se façam assim, abertas e públicas, do que em cochichos atrás das cortinas.