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O presidente Hugo Chávez, que acaba de se reeleger folgadamente para mais um mandato de seis anos, não ilude o seu eleitorado. O seu “projeto bolivariano” está definido há anos e ele não tem se afastado um centímetro do plano que traçou quando disputou as eleições de 1989, depois de liderar duas tentativas fracassadas de golpe militar.
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Os primeiros oito anos na presidência não foram mais que um período de transição para o que ele chama de “socialismo do século 21” e também de “bolivarianismo”. Ninguém sabe exatamente o que significam esses termos, mas todo mundo sabe quais são os objetivos do coronel. Usando as vulnerabilidades da democracia, Hugo Chávez conseguiu o controle quase absoluto da máquina governamental e das instituições do Estado – controla integralmente o Judiciário e o Legislativo e só não tem o controle total dos Estados – e intimidou ou cooptou a grande maioria dos meios de comunicação.
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Agora começa o processo propriamente dito de implantação do “socialismo”. É evidente que do socialismo clássico, de esquerda, Hugo Chávez só tem o discurso. De fato, um de seus tutores políticos foi um conhecido militante da extrema direita peronista e entre os seus ídolos, um pouco atrás de Bolívar, está o general peruano Velasco Alvarado. Não é à toa que o político esquerdista venezuelano Teodoro Petkoff afirma que o discurso de Chávez é “uma mistura de stalinismo tresnoitado com fascismo. Em sua conduta há evidentes elementos fascistóides, como o culto à violência como instrumento da política e o culto da tradição heróica”.
.Mas a verdade é que, quando se trata de construir a “nova sociedade”, ou o “novo homem”, os radicalismos da esquerda e da direita desembocam nas mesmas fórmulas. Antes mesmo de ser reeleito, Chávez anunciou que proporá o que ele chama de “reeleições indefinidas”. Não quer ser rei, adverte, mas não abrirá mão de permanecer no poder pelo menos até 2021, talvez até 2030. Também já anunciou a criação de um “partido único” – mas, como é um democrata, foi logo avisando que se referia às forças que o apóiam, e não às oposições. É bem verdade que também comunicou ao distinto público que há uma revolução em curso e “não há outro projeto possível na Venezuela”.
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.Mas a verdade é que, quando se trata de construir a “nova sociedade”, ou o “novo homem”, os radicalismos da esquerda e da direita desembocam nas mesmas fórmulas. Antes mesmo de ser reeleito, Chávez anunciou que proporá o que ele chama de “reeleições indefinidas”. Não quer ser rei, adverte, mas não abrirá mão de permanecer no poder pelo menos até 2021, talvez até 2030. Também já anunciou a criação de um “partido único” – mas, como é um democrata, foi logo avisando que se referia às forças que o apóiam, e não às oposições. É bem verdade que também comunicou ao distinto público que há uma revolução em curso e “não há outro projeto possível na Venezuela”.
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Já deixou claro que promoverá uma reforma no sistema educacional, para ensinar às crianças, desde tenra idade, os “valores da revolução”. O sistema bolivariano de pensamento único será também aplicado aos serviços públicos de saúde, onde já atuam alguns milhares de “asesores” cubanos.
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Mas o mais surpreendente é que Chávez pretende acabar com o capitalismo na Venezuela, substituindo-o por um sistema de escambo, principalmente nas comunidades carentes. E o que surpreende não é o fato de alguém pretender, em pleno século 21, instituir um sistema que foi usado no mundo pré-feudal, antes da monetização da economia. É o fato de esse alguém ser Hugo Chávez, o governante cuja política econômica tem proporcionado riquezas nunca sonhadas pelos capitalistas venezuelanos. Naquele país, duas atividades, além da petrolífera, vão de vento em popa: o jogo na Bolsa de Valores, cujo índice, este ano, já teve alta de cerca de 130%; e a bancária, com depósitos que cresceram 84% nos últimos 12 meses.
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Enquanto cresce a “boliburguesia”, como os venezuelanos chamam ironicamente a burguesia que floresce à sombra do bolivarianismo, a pobreza aumenta assustadoramente no país. Com Chávez no poder, o número de venezuelanos que estão abaixo do nível de pobreza aumentou cerca de 40%. No entanto, o lumpemproletariado apóia Chávez entusiasticamente.
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Isso ocorre porque, em primeiro lugar, o coronel fala a linguagem das massas. Depois, porque ele criou programas assistenciais – à semelhança do Bolsa-Família de Lula – que distribuem dinheiro. E, finalmente, porque institui as “misiones”, que dão à população pobre serviços de saúde e educação, e os “mercales” estatais, que fornecem mantimentos da cesta básica a preços de 30% a 40% mais baratos que os supermercados.
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Chávez pratica, em tudo e por tudo, o populismo escrachado do presidente Carlos Andrés Perez, que ele tentou derrubar – também sustentado por um boom de preços do petróleo.