quinta-feira, dezembro 07, 2006

Dízima periódica

Fabio Grecchi, publicado na Tribuna da Imprensa
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Fica claro que alguma coisa está errada com a condução da política econômica e social brasileira. No fechamento de 2005, o País apresentou um crescimento do PIB que ficou à frente apenas do Haiti, que, infelizmente, é uma favela em forma de nação. Para este ano as estimativas não são alentadoras e corre-se o risco de, comparativamente, o Brasil voltar a apresentar o menor avanço em matéria de distribuição de riqueza na América Latina. (O Haiti, claro, é "café-com-leite". Sequer serve de parâmetro.)
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O relatório da Cepal divulgado segunda-feira conduz ao sombrio horizonte. Dados relacionados à redução da pobreza mostram significativos avanços, sobretudo da Argentina e da Venezuela. Não por acaso países que, nos últimos tempos, têm se insurgido contra ditames de organismos internacionais, sobretudo o Fundo Monetário Internacional. Mas não foram apenas estes dois que apresentaram avanços: o documento da Cepal coloca ainda Colômbia, Equador, México e Peru com uma razoável redução da pobreza, calculada em +4% sobre a avaliação de 2005.
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O Brasil mais uma vez sequer é citado, apesar dos programas assistencialistas do governo federal. Sinal de que o Bolsa Família ajuda bem menos do que alardeiam os marqueteiros palacianos. Sinal, também, de que redução da pobreza se faz com expansão do mercado de trabalho e, por conseqüência, consumidor. Eis aí a encruzilhada do presidente Lula: tal avanço passa pela redução da carga tributária e por uma eventual reforma nos impostos e contribuições.
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Neste ponto tem faltado imensa criatividade à área econômica. Enquanto tais dados eram divulgados, o ministro Guido Mantega (Fazenda) reclamava que, ao abrir mão de receita, seria complicado pôr o salário mínimo nos R$ 375 previstos inicialmente para 2007. O mais real, segundo ele, é R$ 367 - valor, aliás, que defende. De alguma maneira, a equação não fecha. Dá dízima periódica. Mas só no Brasil.
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Lembrando Jango
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A liderança do PDT na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) promove sessão solene pela passagem dos 30 anos da morte do presidente João Goulart, morto em 6 de dezembro de 1976. A cerimônia será hoje, às 19h. Segundo o deputado estadual Paulo Ramos (PDT), líder da legenda na Casa, a sessão tem por objetivo não só resgatar o episódio da morte no exílio, em um momento em que o presidente participava de uma articulação contra a ditadura que ficou conhecida como Frente Ampla, mas também recuperar e trazer a debate o papel fundamental desempenhado pelo presidente na história brasileira.