Por Guilherme Fiúza, em Política & Cia, em NoMínimo
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A diplomação de Lula está encoberta pela sombra da dúvida. É crise. O Conselho Nacional de Justiça autorizou aumento dos salários dos juízes acima do subteto nos estados. É crise. O governo vendeu a alma às raposas do PMDB e abriu o banquete de cargos para montar uma coalizão inescrupulosa. É crise.
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O Brasil está vivendo dois apagões: o dos aeroportos e o da opinião pública. Há muito tempo não se discutia com tal gravidade tamanho somatório de irrelevâncias. O país está tão magnetizado pelas falsas crises, que quando der de cara com as verdadeiras é capaz de se sentir numa tragédia grega.
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Depois da reeleição espetacular de Lula, inesperada pelo menos no que se refere ao placar, o Brasil parece ter caído numa depressão pós-parto. O país com tudo por fazer, com a força de um mito reconduzido ao comando da nação, caiu num marasmo de deixar suíço entediado.
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Nada acontece de importante na República. Só isso explica a crise inventada pelos aloprados do TSE, que resolveram buscar um pouco de holofote com essa história de ameaçar a posse de Lula. Evidentemente, se algo relevante estivesse acontecendo na política nacional, ninguém daria a menor bola para a bravata dos meninos de Marco Aurélio Mello – ou melhor, ela nem passaria por suas próprias cabeças.
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Enquanto isso, no país que não cresce, mas se crescer estará na iminência de um apagão energético – se correr o bicho pega, se ficar o bicho come –, nesse mesmo país que não sabe se vende as calças para cuidar de seus velhos ou se entrega todos para o Berzoini, no país, enfim, que não sabe mais de onde arrancar impostos da população e não tem dinheiro para tapar buraco de estrada (nem de orçamento), a discussão dominante pode ser os aumentos de salário dos juízes e dos promotores – que ninguém nem parou para ver se são justos ou não, mas já serviram para acionar a máquina do choro coletivo.
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A indignação no Brasil está no piloto automático. Se o ministro Marco Aurélio disser que para o verão de 2007 estarão suspensos os dias de sol, a opinião pública entrará de cabeça (sic) no debate, argumentando e contra-argumentando sobre os artigos meteorológicos da Constituição.
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Como a natureza detesta o vazio, ele acaba sendo ocupado por todas essas falsas crises, como a do governo vendido ao PMDB. Com cara de nojo e nariz torcido, os bem-informados deploram o arranjo de Lula com os Sarneys, Barbalhos e Temers – como se todos os governos, absolutamente todos, não tivessem feito o mesmo nas últimas décadas, isto é, sentar-se para conversar com os gigolôs do PMDB. Sente-se naquela cadeira, vire as costas para esse partido e veja o que te acontece…
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A nova polêmica é a tal coalizão articulada por Lula. É a feira de cargos, dizem uns. É a entrega do Estado aos políticos espertos, acusam outros. Não é nada disso. Pelo menos, não necessariamente. Assim como não é nada disso a formação do tal Conselho Político entre líderes partidários que vai, supostamente, gerir a coalizão.
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Não é nada disso, nem daquilo. Simplesmente, não é nada. Trata-se apenas de negociar apoio político no troca-troca de sempre – universal, diga-se de passagem. O resto são esses pactos fantasiosos, que só servem para justificar o emprego do Tarso Genro e para enredar a opinião pública em polêmicas inúteis.
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O Brasil real continua na sala de espera. Sentado.
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A diplomação de Lula está encoberta pela sombra da dúvida. É crise. O Conselho Nacional de Justiça autorizou aumento dos salários dos juízes acima do subteto nos estados. É crise. O governo vendeu a alma às raposas do PMDB e abriu o banquete de cargos para montar uma coalizão inescrupulosa. É crise.
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O Brasil está vivendo dois apagões: o dos aeroportos e o da opinião pública. Há muito tempo não se discutia com tal gravidade tamanho somatório de irrelevâncias. O país está tão magnetizado pelas falsas crises, que quando der de cara com as verdadeiras é capaz de se sentir numa tragédia grega.
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Depois da reeleição espetacular de Lula, inesperada pelo menos no que se refere ao placar, o Brasil parece ter caído numa depressão pós-parto. O país com tudo por fazer, com a força de um mito reconduzido ao comando da nação, caiu num marasmo de deixar suíço entediado.
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Nada acontece de importante na República. Só isso explica a crise inventada pelos aloprados do TSE, que resolveram buscar um pouco de holofote com essa história de ameaçar a posse de Lula. Evidentemente, se algo relevante estivesse acontecendo na política nacional, ninguém daria a menor bola para a bravata dos meninos de Marco Aurélio Mello – ou melhor, ela nem passaria por suas próprias cabeças.
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Enquanto isso, no país que não cresce, mas se crescer estará na iminência de um apagão energético – se correr o bicho pega, se ficar o bicho come –, nesse mesmo país que não sabe se vende as calças para cuidar de seus velhos ou se entrega todos para o Berzoini, no país, enfim, que não sabe mais de onde arrancar impostos da população e não tem dinheiro para tapar buraco de estrada (nem de orçamento), a discussão dominante pode ser os aumentos de salário dos juízes e dos promotores – que ninguém nem parou para ver se são justos ou não, mas já serviram para acionar a máquina do choro coletivo.
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A indignação no Brasil está no piloto automático. Se o ministro Marco Aurélio disser que para o verão de 2007 estarão suspensos os dias de sol, a opinião pública entrará de cabeça (sic) no debate, argumentando e contra-argumentando sobre os artigos meteorológicos da Constituição.
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Como a natureza detesta o vazio, ele acaba sendo ocupado por todas essas falsas crises, como a do governo vendido ao PMDB. Com cara de nojo e nariz torcido, os bem-informados deploram o arranjo de Lula com os Sarneys, Barbalhos e Temers – como se todos os governos, absolutamente todos, não tivessem feito o mesmo nas últimas décadas, isto é, sentar-se para conversar com os gigolôs do PMDB. Sente-se naquela cadeira, vire as costas para esse partido e veja o que te acontece…
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A nova polêmica é a tal coalizão articulada por Lula. É a feira de cargos, dizem uns. É a entrega do Estado aos políticos espertos, acusam outros. Não é nada disso. Pelo menos, não necessariamente. Assim como não é nada disso a formação do tal Conselho Político entre líderes partidários que vai, supostamente, gerir a coalizão.
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Não é nada disso, nem daquilo. Simplesmente, não é nada. Trata-se apenas de negociar apoio político no troca-troca de sempre – universal, diga-se de passagem. O resto são esses pactos fantasiosos, que só servem para justificar o emprego do Tarso Genro e para enredar a opinião pública em polêmicas inúteis.
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O Brasil real continua na sala de espera. Sentado.