Por Carlos Chagas, na Tribuna da Imprensa
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BRASÍLIA - Quantas vezes o presidente Lula anunciou para dezembro o novo ministério? E quantas vezes disse que esperaria a eleição dos presidentes do Senado e da Câmara, em fevereiro, para só depois divulgar os nomes dos ministros? A resposta é: várias vezes, lá e cá. Ninguém tem obrigação de pensar igual a vida inteira. Os exemplos estão aí mesmo, na história da humanidade. Convenhamos, porém, deve um presidente dispor de um mínimo de coerência. Afinal, a equipe do segundo mandato será conhecida em dezembro ou fevereiro?
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Os partidos da base oficial andam às cegas, e, por isso, optam por caminhos próprios, ainda que de olho em maiores pedaços do bolo do poder. O PT antecipa-se e lança Arlindo Chinaglia presidente da Câmara, contrariando desejos do presidente da República, que às segundas, quartas e sextas gostaria de ver Aldo Rebelo reeleito, mas às terças, quintas e sábados deixa claro que o problema é dos partidos que o apóiam. O PMDB, reivindicando a condição de maior bancada eleita em outubro, entende ser prerrogativa sua indicar o novo presidente da Câmara, mas não afasta a hipótese de um acordo com o PT, desde que este se comprometa a apoiar um peemedebista no biênio 2009-2010.
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No Senado, talvez pelo fato de o presidente Lula defender a reeleição de Renan Calheiros, movimentam-se as oposições em torno de José Agripino, sabendo que a chave para a vitória de um ou de outro se situa nos recalcitrantes do PMDB. São seis ou sete senadores que, para demonstrar sua indisposição com o presidente Lula, admitiriam abster-se ou até votar no candidato do PFL.
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Exemplos de descompasso partidário saltam aos montes, neste final de legislatura, contribuindo para a conclusão de nada indicar que na próxima será diferente. Fica evidente não poder um maestro levar a orquestra a executar duas sinfonias ao mesmo tempo.
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Minas e o Brasil
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Discussão delicada marcou esta semana, no Senado, a inclusão de municípios de Minas Gerais no fundo constitucional do Centro-Oeste. O ponto de atrito girou em torno de poder, Minas, fazer ao mesmo tempo parte do Sudeste, do Nordeste e, agora, do Centro-Oeste. Os mineiros venceram na Comissão de Assuntos Econômicos por sete votos a favor, cinco contra e quatro abstenções. Municípios do Triângulo Mineiro passam a ter direito a verbas destinadas a municípios de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
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É simples a explicação, apesar de a maioria dos senadores presentes discordarem da inclusão, porque cinco mais quatro é igual a nove, maior do que sete. Acontece que Minas é uma síntese do Brasil. Incrustado no Sudeste, o estado é geográfica, geológica e economicamente semelhante a São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. No Norte de Minas, porém, a situação em nada difere dos estados do Nordeste, tanto que pertenceu à Sudene, enquanto ela existiu, beneficiando-se de suas vantagens.
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Mas alguém duvida de que também pela geografia, a geologia e a economia o Triângulo Mineiro e o Oeste do estado constituem um prolongamento do Centro-Oeste do País? Tem gente que acha o contrário, que o Centro-Oeste pode ser um prolongamento de Minas, mas insistir no tema seria provocação. De qualquer modo, uma vitória dos mineiros.
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Não tem conversa
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Assim como Jacques Wagner rejeita qualquer aproximação com Antônio Carlos Magalhães, a recíproca é verdadeira. Não haverá hipótese de pacificação na Bahia. Serão quatro anos de guerra aberta e declarada, quando não de guerrilhas. Longe de sentir-se derrotado, ACM afia a peixeira para não dar um momento de tranqüilidade ao novo governador. Perdeu alguns prefeitos, por conta das eleições passadas, mas já prepara as eleições de 2008, quando pretende confirmar e ampliar sua liderança nos municípios do interior.
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Uma vitória numérica nas prefeituras seria o trampolim para a reconquista do governo do estado pelo seu grupo. Sabendo da influência ainda forte do adversário, o governador Jacques Wagner traçou sua estratégia: contar com o apoio do governo federal para investir nos municípios do interior e atuar diretamente nas cidades de médio e grande portes. O presidente Lula já prometeu todo o respaldo ao companheiro, afinal o único que conquistou o poder num grande estado. O duelo será fascinante.
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BRASÍLIA - Quantas vezes o presidente Lula anunciou para dezembro o novo ministério? E quantas vezes disse que esperaria a eleição dos presidentes do Senado e da Câmara, em fevereiro, para só depois divulgar os nomes dos ministros? A resposta é: várias vezes, lá e cá. Ninguém tem obrigação de pensar igual a vida inteira. Os exemplos estão aí mesmo, na história da humanidade. Convenhamos, porém, deve um presidente dispor de um mínimo de coerência. Afinal, a equipe do segundo mandato será conhecida em dezembro ou fevereiro?
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Os partidos da base oficial andam às cegas, e, por isso, optam por caminhos próprios, ainda que de olho em maiores pedaços do bolo do poder. O PT antecipa-se e lança Arlindo Chinaglia presidente da Câmara, contrariando desejos do presidente da República, que às segundas, quartas e sextas gostaria de ver Aldo Rebelo reeleito, mas às terças, quintas e sábados deixa claro que o problema é dos partidos que o apóiam. O PMDB, reivindicando a condição de maior bancada eleita em outubro, entende ser prerrogativa sua indicar o novo presidente da Câmara, mas não afasta a hipótese de um acordo com o PT, desde que este se comprometa a apoiar um peemedebista no biênio 2009-2010.
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No Senado, talvez pelo fato de o presidente Lula defender a reeleição de Renan Calheiros, movimentam-se as oposições em torno de José Agripino, sabendo que a chave para a vitória de um ou de outro se situa nos recalcitrantes do PMDB. São seis ou sete senadores que, para demonstrar sua indisposição com o presidente Lula, admitiriam abster-se ou até votar no candidato do PFL.
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Exemplos de descompasso partidário saltam aos montes, neste final de legislatura, contribuindo para a conclusão de nada indicar que na próxima será diferente. Fica evidente não poder um maestro levar a orquestra a executar duas sinfonias ao mesmo tempo.
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Minas e o Brasil
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Discussão delicada marcou esta semana, no Senado, a inclusão de municípios de Minas Gerais no fundo constitucional do Centro-Oeste. O ponto de atrito girou em torno de poder, Minas, fazer ao mesmo tempo parte do Sudeste, do Nordeste e, agora, do Centro-Oeste. Os mineiros venceram na Comissão de Assuntos Econômicos por sete votos a favor, cinco contra e quatro abstenções. Municípios do Triângulo Mineiro passam a ter direito a verbas destinadas a municípios de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
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É simples a explicação, apesar de a maioria dos senadores presentes discordarem da inclusão, porque cinco mais quatro é igual a nove, maior do que sete. Acontece que Minas é uma síntese do Brasil. Incrustado no Sudeste, o estado é geográfica, geológica e economicamente semelhante a São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. No Norte de Minas, porém, a situação em nada difere dos estados do Nordeste, tanto que pertenceu à Sudene, enquanto ela existiu, beneficiando-se de suas vantagens.
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Mas alguém duvida de que também pela geografia, a geologia e a economia o Triângulo Mineiro e o Oeste do estado constituem um prolongamento do Centro-Oeste do País? Tem gente que acha o contrário, que o Centro-Oeste pode ser um prolongamento de Minas, mas insistir no tema seria provocação. De qualquer modo, uma vitória dos mineiros.
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Não tem conversa
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Assim como Jacques Wagner rejeita qualquer aproximação com Antônio Carlos Magalhães, a recíproca é verdadeira. Não haverá hipótese de pacificação na Bahia. Serão quatro anos de guerra aberta e declarada, quando não de guerrilhas. Longe de sentir-se derrotado, ACM afia a peixeira para não dar um momento de tranqüilidade ao novo governador. Perdeu alguns prefeitos, por conta das eleições passadas, mas já prepara as eleições de 2008, quando pretende confirmar e ampliar sua liderança nos municípios do interior.
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Uma vitória numérica nas prefeituras seria o trampolim para a reconquista do governo do estado pelo seu grupo. Sabendo da influência ainda forte do adversário, o governador Jacques Wagner traçou sua estratégia: contar com o apoio do governo federal para investir nos municípios do interior e atuar diretamente nas cidades de médio e grande portes. O presidente Lula já prometeu todo o respaldo ao companheiro, afinal o único que conquistou o poder num grande estado. O duelo será fascinante.