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As idiossincrasias do governo levaram-no a um paradoxo lamentável. Ao se comprometer com o crescimento de 5% ao ano do país entrou voluntariamente em uma armadilha. A expansão econômica é conseqüência do ambiente produzido pelas ações somadas do setor público, das empresas e situação internacional. O governo, mesmo, tem uma participação limitada no cenário. É, sim, capaz de induzir grande parte de sua construção, mas pouco executa.
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Os investimentos são o primeiro exemplo do paradoxo. A média dos dispêndios públicos no primeiro mandato rondou os R$ 12,5 bilhões por ano, ou meros 0,7% do Produto Interno Bruto. Muito pouco. A soma dos investimentos — públicos e privados, nacionais e internacionais — estabelece o parâmetro para o crescimento. Quanto maior, mais rapidamente a economia se desenvolve.
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Para chegar aos 5% ao ano, seriam necessários R$ 500 bilhões, aproximadamente, de investimentos totais. O governo não tem. Mesmo se tivesse, não tem capacidade para tocar tantas licitações e obras simultaneamente, falta gestão. Depende, portanto, do interesse do setor privado, que tem recursos guardados ou pode tomar emprestado dos banqueiros.
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Mas os empresários só vão correr o risco de investir se as perspectivas de retorno forem boas. Ninguém são rasga dinheiro. Aí entra o governo. Com estímulos corretos, é capaz de incentivar os empreendedores a saírem da toca e enfiarem dinheiro em projetos, principalmente de infra-estrutura, área em que os investimentos ficaram muito aquém das necessidades do país. O sistema só vai funcionar se houver perspectiva real de lucro. Com regras dúbias, dúvidas na segurança jurídica ou retorno insuficiente, os investidores vão continuar aguardando momentos melhores.
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A única experiência federal com esse modelo que andou, e ainda assim, de forma vacilante, é no setor de geração de energia elétrica, montado pela atual ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, quando estava no Ministério de Minas e Energia. Estradas, portos e ferrovias estão quase como deixados pelo governo anterior. Passado o primeiro mandato, e um longo aprendizado, o governo volta-se para o modelo de concessões que são, na prática, privatizações, tão criticadas pelo PT. Mas é das poucas alternativas que restaram.
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Claro, o governo vai dizer que é tudo diferente, que as regras são novas. Mas o modelo não é. A experiência, como ensina o ditado, é a forma mais amarga de aprendizado.