Por Reinaldo Azevedo
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Ah, que pena! Há gente um tanto decepcionada comigo porque desprezo Pinochet. É mesmo? Estavam me confundindo. Nunca é tarde para me abandonar. Os único altares diante dos quais se ajoelha aqui é o dedicado ao Altíssimo e seus santos e o dedicado à democracia. Já disse que posso apostar, com base na experiência histórica, que, se o comunismo tivesse vencido a batalha no Chile — e Salvador Allende era um comunista —, em vez de 3 mil, os mortos poderia ter sido 300 mil. Regimes comunistas só se contentam com morticínio em massa. Merecem combate, repúdio. Mas não contem comigo para justificar gorilas de direita. Eu estou na oposição, não partidária, porque não reconheço o roubo como método para legitimar causas. Se não reconheço o roubo, também não reconheço a morte. Quem não aceita o menos não aceita o mais. O modelo liberal que acabou triunfando no Chile dispensava tortura, seqüestros, execuções sumárias. O liberalismo não precisa disso. Quem precisa é o comunismo.
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Ah, que pena! Há gente um tanto decepcionada comigo porque desprezo Pinochet. É mesmo? Estavam me confundindo. Nunca é tarde para me abandonar. Os único altares diante dos quais se ajoelha aqui é o dedicado ao Altíssimo e seus santos e o dedicado à democracia. Já disse que posso apostar, com base na experiência histórica, que, se o comunismo tivesse vencido a batalha no Chile — e Salvador Allende era um comunista —, em vez de 3 mil, os mortos poderia ter sido 300 mil. Regimes comunistas só se contentam com morticínio em massa. Merecem combate, repúdio. Mas não contem comigo para justificar gorilas de direita. Eu estou na oposição, não partidária, porque não reconheço o roubo como método para legitimar causas. Se não reconheço o roubo, também não reconheço a morte. Quem não aceita o menos não aceita o mais. O modelo liberal que acabou triunfando no Chile dispensava tortura, seqüestros, execuções sumárias. O liberalismo não precisa disso. Quem precisa é o comunismo.
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Quem abandona a lógica escolhe o arbítrio.
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Os defensores do método de Pinochet — e que agora me acusam de inocente ou equivocado — estão dizendo, indiretamente, que quem matou e torturou no Chile foi a iniciativa privada. Não foi. Foi o Estado. Tanto é assim que as leis de mercado continuam vigentes no país, e não se mata mais por razões políticas. Só fanáticos — e eles não me servem; de lado nenhum — matam por indústria em nome da liberdade; ainda que o pretexto seja combater o comunismo. “Ah, mas a esquerda exagerou; não foram 3 mil as mortes...” E daí? Que fossem mil, 500... Nas circunstâncias em que elas ocorreram, a prática é inaceitável. Uma coisa é a morte em combate, em confronto. Outra é o terror de Estado. Conheço duas famílias vítimas daquele Paladino da Liberdade. Num dos casos, o desaparecido nem mesmo era de esquerda.
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Vão pro diabo junto com seu guia os que estão furiosos porque acho que Pinochet era um lixo político e moral. Além das questões de princípio, há um lado oportunista na minha defesa, confesso: só defendo regimes em que eu possa viver como vivo. Sem ninguém para encher o meu saco — além daquelas obrigações normais de todo homem desde que Adão provou — e gostou dela — a maçã. Também gostei, hehe... Ganharás o pão com o suor etc e tal. Sei que seria censurado no regime de Pinochet. Como sei que o PT acabará instituindo a censura — já há uma um tanto discreta — se deixado à vontade..A “liberdade econômica” do Chile não justifica a ditadura e as mortes. Ou eu seria obrigado a reconhecer que, vá lá, podemos condescender com a podridão ética de petistas já que eles reconhecem a lei de mercado. Tou fora! Quero combater os esquerdistas, os comunistas, os estatistas. E não preciso de carabineros para isso. Se um dia precisar, num improvável levante comunista — não haverá porque a tática da esquerda hoje é outra —, eles terão de se comportar de acordo com a lei, submetidos ao controle civil e às regras que reconheço válidas para a civilização: o respeito à vida está entre elas..Quem estiver disposto a ler a defesa de ditaduras virtuosas pode mudar de blog. Aqui não, violão. Quem quiser fazer de Pinochet um paladino da democracia pode ir pescar em outras águas, que estas não são turvas. Era um imbecil sanguinário, cortejado por outros da mesma laia. E, para arremate dos males, está provado: era ladrão também, razão por que até a direita chilena quer distância dele. E nada disso me impede de considerar que Michelle Bachelet está se metendo numa fria ao propor a revisão da lei da anistia.
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Ora, dirão os exaltados, “mas esta é a tática da esquerda”. Eu sei. E tem de ser combatida com democracia. E não por uma escolástica tarada (que tenta juntar o inconciliável), justificadora de crimes. Se alguém se enganou até aqui, nunca é tarde para cair fora. Abaixo a ditadura! Comunistóide ou fascistóide. A direita liberal não usa farda. Se usa, liberal não é. E ponto final.