sexta-feira, dezembro 15, 2006

Cabelos brancos

por Rodrigo Constantino, no Blog Diego Casagrande
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"Se você conhecer uma pessoa muito idosa esquerdista, é porque ela está com problema." (Presidente Lula)
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O presidente Lula usou seus cabelos brancos para justificar uma suposta mudança em sua postura política, da esquerda para o centro. Ele falava para uma platéia de empresários. Todos sabem – ou deveriam saber – que o presidente é afeito a uma boa dose de cinismo, e costuma puxar da cartola um discurso diferente para cada público. Falando aos colegas do MST, com certeza sairia algo completamente diferente. Mas ainda assim, podemos aproveitar a sua fala para algumas análises.
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Mas em primeiro lugar, preciso fazer uma "dolorosa" confissão. Dizem – e parece que Lula aderiu ao brocardo da boca para fora – que um jovem que não é socialista é um insensível, enquanto um idoso que é socialista é um idiota. Confesso: fui um desses insensíveis. É que desde muito cedo aprendi os conceitos de palavras como mérito, escassez e responsabilidade. Não considerava justo um professor reduzir a nota de um bom aluno e aumentar a de um fraco em nome da maior "igualdade". Tampouco achava correto o Estado tirar o brinquedo melhor de um vizinho para reduzir a desigualdade da vizinhança. Estranhava quando alguém prometia mundos e fundos sem explicar como entregar o prometido. Aceitei rapidamente a lógica matemática de que 2 + 2 = 4. Não acreditava em almoço grátis e sabia que dinheiro não nasce em árvore. Nunca achei que os males do país eram culpa de algum fator exógeno, tipo um império maligno ao norte. E com certeza jamais considerei um formigueiro como um modelo de vida a ser seguido, superior ao nosso. Logo, como fica claro, eu fui um jovem insensível, que já respeitava as diferenças individuais, os méritos distintos, as escolhas de estilo de vida, e sabia que a responsabilidade deve ser sempre do indivíduo. Não nutria simpatia alguma pelos insetos gregários e seu igualitarismo.
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Voltando ao presidente, seria o caso de perguntar o que ele faz então ao lado de tanta gente problemática. Afinal de contas, a quantidade de aliados próximos com cabelos brancos, mas de esquerda, é enorme, quase a totalidade de suas amizades. Não daria nem para começar a listar! No próprio Estatuto do Partido dos Trabalhadores, que Lula ajudou a fundar, consta que o objetivo é construir o "socialismo democrático". Pelo que eu sei, socialismo ainda não passou a ser coisa da direita, e o PT ainda é o partido do presidente. Lula, ele próprio, vive enaltecendo a figura asquerosa do seu amigo ditador, Fidel Castro. Parece que cabelos brancos – e barba até! – ele tem, além do que 80 anos merece ser considerado idoso até em Cingapura. Estaria Lula afirmando que seu grande amigo Fidel tem problemas? O mesmo vale para Hugo Chávez. A lista de camaradas do presidente que estão dentro do seu conceito de problemático é infindável. Já sabíamos que o presidente gostava de chamar para o governo amigos corruptos. Agora ficamos sabendo que o homem adora um problemático também.
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Por fim, o presidente concluiu que nos transformamos no "caminho do meio" quando os cabelos ficam brancos, e este seria "o caminho que precisa ser seguido pela sociedade". Eu gostaria de perguntar ao presidente se o meio é sempre bom mesmo. Antes, lembraria que a palavra medíocre vem de média. Mas depois perguntaria se o presidente acha o máximo ser meio inteligente e meio burro, ou meio honesto e meio desonesto. Não há nada de útil no socialismo que possa ser usado para um meio termo com o liberalismo. Misturar lama com sorvete não recupera a lama e estraga o sorvete.
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O presidente, ainda que tentando enganar sua seletiva platéia, está certo. De fato, um idoso ser de esquerda é atestado de um grave problema. Infelizmente, este problema, seja estupidez ou perfídia, ronda o Palácio do Planalto com força. Creio que os cabelos brancos de Lula não mudaram seu hábito de mentir...