sexta-feira, dezembro 15, 2006

E isso é lá hora de piada?

Jornal Da Tarde – São Paulo
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Se não se tivesse iniciado com a trágica queda do Boeing da Gol, que resultou no maior caos da história da aviação comercial no País, a crise dos controladores de vôo já teria fornecido material de sobra para algum candidato a repetir Stanislaw Ponte Preta e seu 'Festival de Besteira que Assola o País'. Tentou-se, de todas as formas, inculpar os dois pilotos americanos do jatinho Legacy, que abalroou o avião nacional, até que ficou impossível esconder que tinha havido uma série de erros nas torres de controle nacionais e uma falha de comunicação provocada pelo comezinho fato de controladores e pilotos não falarem a mesma língua. Como apenas 3% de nossos controladores entendem inglês e os americanos não aprenderam português, uns não sabiam o que os outros falavam. Ainda assim, estes só voltaram aos EUA após indiciados pela Polícia Federal por porem em risco a aeronave. Na certa porque suas mães não podiam ser processadas por não lhes terem ensinado o 'inculto e belo' idioma inventado por Luís de Camões. Mais um detalhe tragicômico do episódio é o fato de que, vivendo fora do País, basta-lhes evitar voltar aqui para se livrarem das nefastas conseqüências do processo.
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Inquieta por não ter conseguido até agora tirar uma lasquinha de notoriedade na crise aeroportuária, a cúpula do Congresso resolveu adentrar o gramado com pedidos óbvios de demissão do ministro da Defesa, Waldir Pires, vulgo Waldir Moleza, e uma ameaça de entrar no caso para resolver o problema. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), produziu a pérola segundo a qual, já que ninguém se entende, o Legislativo resolveu meter o próprio bedelho.
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Bem, apesar de ser um Poder notoriamente dividido pela miríade de interesses lá representados, este se tem unido de forma invejável, como poucas vezes na história, para assegurar impunidade para seus membros. Na mesma ocasião, em que prometeu se intrometer em assunto que não lhe diz respeito, nosso Congresso eximiu de qualquer punição o último dos mensaleiros, José Janene (PP-PR). Com a autoridade moral desperdiçada na pizzaria geral nacional, os parlamentares têm tanta condição para intervir na crise de controle de vôo quanto o bei de Túnis, o califa de Bagdá e o rei de espadas do baralho.