Por Gustavo Paul, EXAME
A demora na construção de uma eclusa no Pará é um exemplo da dificuldade de fazer obras públicas no Brasil.
Com seus 2 600 quilômetros navegáveis, os rios Tocantins e Araguaia, da bacia amazônica, poderiam constituir um canal natural de escoamento das riquezas do agronegócio e dos minérios dos estados de Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Maranhão e Pará. Desde 1975, porém, essa saída pelo Norte do país, economicamente vantajosa pela proximidade com os mercados da Europa e dos Estados Unidos, está fechada. Naquele ano, o governo federal iniciou as obras da usina hidrelétrica de Tucuruí, distante 300 quilômetros de Belém. A imensa parede de concreto da barragem interrompeu o fluxo de barcos do rio Tocantins. Para contornar a situação, começaram a ser construídas em 1981 duas eclusas ao lado da usina, ligadas por um canal de 5 quilômetros de extensão. Passados 26 anos, porém, apenas metade do projeto foi executado. Com isso, não sai do papel a hidrovia do TocantinsAraguaia, que poderia levar para Belém boa parte da soja produzida no Centro-Oeste -- hoje os produtores têm de enviar sua carga por caminhão até os portos do Maranhão ou, ainda mais longe, até Paranaguá, no Paraná, e pagam até quatro vezes mais do que custaria transportar o produto por rio. A não-conclusão da obra gera situações surrealistas, como a vivida pela siderúrgica Cosipar. A empresa transporta minério de ferro de sua unidade em Marabá, à margem do Tocantins, a Barcarena, no litoral paraense, onde fabrica o aço. Toda a carga das balsas é descarregada em um lado do rio, percorre em caminhões 4 quilômetros de estrada e é novamente carregada em barcaças do outro lado. "É uma operação que aumenta em 30% nossos custos", diz Luis Guilherme Monteiro, diretor da Cosipar.
Mesmo alardeada como prioridade por sucessivos governantes, a obra das esclusas nunca teve fluxo consistente de verbas e sofreu três paralisações, a última em 2004. Agora, é um dos projetos que constam do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e a promessa é que esteja concluído em 2009, ao custo de 1,2 bilhão de reais, valor quase 50% maior que o previsto em 1981. Se isso realmente ocorrer, caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurar a passagem -- algo que seus cinco antecessores não conseguiram fazer. A arrastada história das eclusas de Tucuruí é um exemplo contundente da imprevisibilidade das obras públicas no Brasil. A incerteza do término de projetos desse tipo explica a frieza com que foi recebido o PAC, já que há no plano uma declarada preferência por investimentos públicos em detrimento da iniciativa privada. "Obras do governo sempre foram uma corrida de obstáculos, que se transformam em pesadelo para quem contrata e para quem é contratado", diz Paulo Godoy, presidente da Associação Brasileira da Infra-estrutura e Indústrias de Base (Abdib).
Há 26 anos, a empreiteira Camargo Corrêa ganhou a licitação aberta pela antiga estatal Portobrás para tocar o empreendimento. Até 1984, quando a hidrelétrica foi inaugurada, as obras receberam dinheiro. Os recursos possibilitaram a construção da estrutura da primeira eclusa, mas ficaram faltando o canal e a segunda eclusa. Logo depois, porém, o repasse começou a minguar, até que, em 1989, foi zerado -- o governo Sarney considerou que a melhor forma de transportar o minério de ferro da região era pela ferrovia de Carajás. Durante oito anos, a obra ficou parada, sem receber um centavo. Em 1998, o projeto teve de ser atualizado e voltou a receber verbas. Danificadas, as portas de aço de 33 metros da primeira eclusa precisavam de manutenção para não comprometer a estrutura da barragem. Já no ano seguinte a construção parou de novo, mais uma vez por falta de recursos.
COMENTANDO A NOTICIA: E não é a única obra nesta condição. Existem muitas nesta mesma situação, esta pelo menos está ainda em construção. Existem centenas de outras que simplesmente ficaram pela metade. O que não faltam são hospitais que ficaram pelo meio caminho. Outros que estão prontos e equipados, e simplesmente parados, sem atendimento. Estradas, escolas, pontes, até aeroportos, são centenas de obras iniciadas por governantes canalhas, muitas com várias “inaugurações” inclusive, e que simplesmente não foram concluídas, estão abandonadas. Quanto de dinheiro público jogado no luxo ? E onde está o TCU para formalizar a denúncia e o Poder Judiciário para punir os culpados, sabendo-se que a grandiosa destes governantes cafajestes estão ainda soltos e cometendo a mesmas barbaridades e a população simplesmente pagando por tanto desperdício ?
Quando se chega a esta situação, é impossível continuar acreditando no “agora vai” com que muitos políticos nos querem enfiar goela abaixo ! Enquanto a justiça brasileira for apenas uma mera peça de ficção será difícil do Brasil entrar e andar nos trilhos.
A demora na construção de uma eclusa no Pará é um exemplo da dificuldade de fazer obras públicas no Brasil.
Com seus 2 600 quilômetros navegáveis, os rios Tocantins e Araguaia, da bacia amazônica, poderiam constituir um canal natural de escoamento das riquezas do agronegócio e dos minérios dos estados de Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Maranhão e Pará. Desde 1975, porém, essa saída pelo Norte do país, economicamente vantajosa pela proximidade com os mercados da Europa e dos Estados Unidos, está fechada. Naquele ano, o governo federal iniciou as obras da usina hidrelétrica de Tucuruí, distante 300 quilômetros de Belém. A imensa parede de concreto da barragem interrompeu o fluxo de barcos do rio Tocantins. Para contornar a situação, começaram a ser construídas em 1981 duas eclusas ao lado da usina, ligadas por um canal de 5 quilômetros de extensão. Passados 26 anos, porém, apenas metade do projeto foi executado. Com isso, não sai do papel a hidrovia do TocantinsAraguaia, que poderia levar para Belém boa parte da soja produzida no Centro-Oeste -- hoje os produtores têm de enviar sua carga por caminhão até os portos do Maranhão ou, ainda mais longe, até Paranaguá, no Paraná, e pagam até quatro vezes mais do que custaria transportar o produto por rio. A não-conclusão da obra gera situações surrealistas, como a vivida pela siderúrgica Cosipar. A empresa transporta minério de ferro de sua unidade em Marabá, à margem do Tocantins, a Barcarena, no litoral paraense, onde fabrica o aço. Toda a carga das balsas é descarregada em um lado do rio, percorre em caminhões 4 quilômetros de estrada e é novamente carregada em barcaças do outro lado. "É uma operação que aumenta em 30% nossos custos", diz Luis Guilherme Monteiro, diretor da Cosipar.
Mesmo alardeada como prioridade por sucessivos governantes, a obra das esclusas nunca teve fluxo consistente de verbas e sofreu três paralisações, a última em 2004. Agora, é um dos projetos que constam do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e a promessa é que esteja concluído em 2009, ao custo de 1,2 bilhão de reais, valor quase 50% maior que o previsto em 1981. Se isso realmente ocorrer, caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurar a passagem -- algo que seus cinco antecessores não conseguiram fazer. A arrastada história das eclusas de Tucuruí é um exemplo contundente da imprevisibilidade das obras públicas no Brasil. A incerteza do término de projetos desse tipo explica a frieza com que foi recebido o PAC, já que há no plano uma declarada preferência por investimentos públicos em detrimento da iniciativa privada. "Obras do governo sempre foram uma corrida de obstáculos, que se transformam em pesadelo para quem contrata e para quem é contratado", diz Paulo Godoy, presidente da Associação Brasileira da Infra-estrutura e Indústrias de Base (Abdib).
Há 26 anos, a empreiteira Camargo Corrêa ganhou a licitação aberta pela antiga estatal Portobrás para tocar o empreendimento. Até 1984, quando a hidrelétrica foi inaugurada, as obras receberam dinheiro. Os recursos possibilitaram a construção da estrutura da primeira eclusa, mas ficaram faltando o canal e a segunda eclusa. Logo depois, porém, o repasse começou a minguar, até que, em 1989, foi zerado -- o governo Sarney considerou que a melhor forma de transportar o minério de ferro da região era pela ferrovia de Carajás. Durante oito anos, a obra ficou parada, sem receber um centavo. Em 1998, o projeto teve de ser atualizado e voltou a receber verbas. Danificadas, as portas de aço de 33 metros da primeira eclusa precisavam de manutenção para não comprometer a estrutura da barragem. Já no ano seguinte a construção parou de novo, mais uma vez por falta de recursos.
COMENTANDO A NOTICIA: E não é a única obra nesta condição. Existem muitas nesta mesma situação, esta pelo menos está ainda em construção. Existem centenas de outras que simplesmente ficaram pela metade. O que não faltam são hospitais que ficaram pelo meio caminho. Outros que estão prontos e equipados, e simplesmente parados, sem atendimento. Estradas, escolas, pontes, até aeroportos, são centenas de obras iniciadas por governantes canalhas, muitas com várias “inaugurações” inclusive, e que simplesmente não foram concluídas, estão abandonadas. Quanto de dinheiro público jogado no luxo ? E onde está o TCU para formalizar a denúncia e o Poder Judiciário para punir os culpados, sabendo-se que a grandiosa destes governantes cafajestes estão ainda soltos e cometendo a mesmas barbaridades e a população simplesmente pagando por tanto desperdício ?
Quando se chega a esta situação, é impossível continuar acreditando no “agora vai” com que muitos políticos nos querem enfiar goela abaixo ! Enquanto a justiça brasileira for apenas uma mera peça de ficção será difícil do Brasil entrar e andar nos trilhos.