Tenente Melquisedec Nascimento (*), Blog Cláudio Humberto
Compete a qualquer órgão de inteligência produzir conhecimento, a fim de assessorar a autoridade, dando-lhe suporte para a tomada de decisões. No caso específico da Presidência da República, temos a Agência Brasileira de Inteligência, ABIN, órgão com a competência legal de emitir relatórios de inteligência, com o escopo de orientar o presidente da República, tanto em questões internas, quanto externas, sempre sob a ótica da defesa dos interesses do Brasil.
Compete a qualquer órgão de inteligência produzir conhecimento, a fim de assessorar a autoridade, dando-lhe suporte para a tomada de decisões. No caso específico da Presidência da República, temos a Agência Brasileira de Inteligência, ABIN, órgão com a competência legal de emitir relatórios de inteligência, com o escopo de orientar o presidente da República, tanto em questões internas, quanto externas, sempre sob a ótica da defesa dos interesses do Brasil.
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Causou-nos perplexidade a conduta do governo brasileiro, após a divulgação pela imprensa do relatório de inteligência do GTAM, Grupo de Trabalho da Amazônia, formado por representantes da Abin, das Forças Armadas e da Polícia Federal.
Causou-nos perplexidade a conduta do governo brasileiro, após a divulgação pela imprensa do relatório de inteligência do GTAM, Grupo de Trabalho da Amazônia, formado por representantes da Abin, das Forças Armadas e da Polícia Federal.
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O documento levanta fortíssimas suspeitas de espionagem na Amazônia por parte de nações estrangeiras, capitaneadas pelos Estados Unidos, cuja presença militar na América do Sul é um dos itens de maior preocupação do relatório, que assim informa a situação: " Um componente relativamente novo na questão da segurança da região amazônica brasileira é a crescente presença de assessores militares estadunidenses e a venda de equipamentos sofisticados às Forças Armadas colombianas, pretensamente para apoiar os programas de erradicação das drogas, mas que podem ser utilizados no combate às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e ao ELN (Exército de Libertação Nacional).”
O documento levanta fortíssimas suspeitas de espionagem na Amazônia por parte de nações estrangeiras, capitaneadas pelos Estados Unidos, cuja presença militar na América do Sul é um dos itens de maior preocupação do relatório, que assim informa a situação: " Um componente relativamente novo na questão da segurança da região amazônica brasileira é a crescente presença de assessores militares estadunidenses e a venda de equipamentos sofisticados às Forças Armadas colombianas, pretensamente para apoiar os programas de erradicação das drogas, mas que podem ser utilizados no combate às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e ao ELN (Exército de Libertação Nacional).”
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A presença militar estadunidense, que já se estende à Guiana, ao Equador, ao Peru, à Bolívia e, recentemente, ao Paraguai – aproveitando-se do vazio de nossa política externa em relação àquele país – por meio da utilização de bases militares, poderá se expandir a outros países sul-americanos para transformar a luta contra as drogas (e contra as Farc e o ELN) em uma empreitada militar sul-americana, e não apenas colombiano-estadunidense. O plano provavelmente faz parte da estratégia dos EUA para assegurar presença militar direta na região andino-amazônica e no Cone-Sul, em torno do Brasil."
A presença militar estadunidense, que já se estende à Guiana, ao Equador, ao Peru, à Bolívia e, recentemente, ao Paraguai – aproveitando-se do vazio de nossa política externa em relação àquele país – por meio da utilização de bases militares, poderá se expandir a outros países sul-americanos para transformar a luta contra as drogas (e contra as Farc e o ELN) em uma empreitada militar sul-americana, e não apenas colombiano-estadunidense. O plano provavelmente faz parte da estratégia dos EUA para assegurar presença militar direta na região andino-amazônica e no Cone-Sul, em torno do Brasil."
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Diante de tão assombroso quadro, assistimos recentemente a imprensa noticiar que os EUA planejam se aproximar mais do Brasil, a fim de apoiar-nos economicamente, tendo como motivação a estratégia estadunidense de conter e isolar a Venezuela de Hugo Chávez . Tal notícia foi celebrada por integrantes do governo brasileiro, como se fosse o início de um novo milagre econômico.Ora, como pode o governo brasileiro se aproximar ainda mais dos EUA, quando seu principal órgão de inteligência o alertou sobre as preocupantes ações estadunidenses contra nossa soberania? Ademais, se a finalidade da aproximação dos EUA é conter Hugo Chávez, a atitude de alguns membros do governo brasileiro é ainda mais estranha e preocupante, haja vista o mesmo relatório de inteligência do GTAM ter informado ao presidente Lula que " o governo Hugo Chávez sofre os efeitos de uma operação internacional da mídia que procura caracterizá-lo como louco e ditatorial", não por coincidência, as mesmas argumentações utilizadas pelo governo estadunidense contra Chávez.
Diante de tão assombroso quadro, assistimos recentemente a imprensa noticiar que os EUA planejam se aproximar mais do Brasil, a fim de apoiar-nos economicamente, tendo como motivação a estratégia estadunidense de conter e isolar a Venezuela de Hugo Chávez . Tal notícia foi celebrada por integrantes do governo brasileiro, como se fosse o início de um novo milagre econômico.Ora, como pode o governo brasileiro se aproximar ainda mais dos EUA, quando seu principal órgão de inteligência o alertou sobre as preocupantes ações estadunidenses contra nossa soberania? Ademais, se a finalidade da aproximação dos EUA é conter Hugo Chávez, a atitude de alguns membros do governo brasileiro é ainda mais estranha e preocupante, haja vista o mesmo relatório de inteligência do GTAM ter informado ao presidente Lula que " o governo Hugo Chávez sofre os efeitos de uma operação internacional da mídia que procura caracterizá-lo como louco e ditatorial", não por coincidência, as mesmas argumentações utilizadas pelo governo estadunidense contra Chávez.
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As relações Brasil-EUA têm que ser mais bem vigiadas pelo Congresso nacional. Há que se parabenizar a postura do Senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), que solicitou uma audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado para discutir as denúncias contidas no relatório de situação produzido pelo GTAM, porém diante da mais recente conduta do governo brasileiro em relação aos EUA, convém aos senadores instalarem uma CPI para apurarem possível crime de responsabilidade do presidente Lula.
As relações Brasil-EUA têm que ser mais bem vigiadas pelo Congresso nacional. Há que se parabenizar a postura do Senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), que solicitou uma audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado para discutir as denúncias contidas no relatório de situação produzido pelo GTAM, porém diante da mais recente conduta do governo brasileiro em relação aos EUA, convém aos senadores instalarem uma CPI para apurarem possível crime de responsabilidade do presidente Lula.
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Essa possibilidade se torna mais real quando lemos no alusivo relatório que “foi confirmado o conhecimento de que a questão indígena atinge uma gravidade capaz de pôr em risco a segurança nacional. Considerando a atual reivindicação de autonomia e a possibilidade de futura reivindicação de independência de nações indígenas, o quadro geral está cada vez mais preocupante, especialmente na fronteira Norte. As Organizações Não-Governamentais (ONGs), algumas controladas por governos estrangeiros, adquiriram enorme influência, na maioria das vezes usada em benefício da política de suas nações de origem, em detrimento do Estado Brasileiro."
Essa possibilidade se torna mais real quando lemos no alusivo relatório que “foi confirmado o conhecimento de que a questão indígena atinge uma gravidade capaz de pôr em risco a segurança nacional. Considerando a atual reivindicação de autonomia e a possibilidade de futura reivindicação de independência de nações indígenas, o quadro geral está cada vez mais preocupante, especialmente na fronteira Norte. As Organizações Não-Governamentais (ONGs), algumas controladas por governos estrangeiros, adquiriram enorme influência, na maioria das vezes usada em benefício da política de suas nações de origem, em detrimento do Estado Brasileiro."
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É inconcebível que diante desse relatório tão revelador, o governo brasileiro queira aceitar maior aproximação com os EUA. O governo brasileiro deve não só acatar os conhecimentos produzidos pelo GTAM, mas também investir seriamente na Abin, pois é inaceitável que a Argentina tenha mais escritórios de sua agência de inteligência na América do Sul do que o Brasil.
(*) Tenente Melquisedec Nascimento - é presidente da Associação dos Militares Auxiliares e Especialistas.
É inconcebível que diante desse relatório tão revelador, o governo brasileiro queira aceitar maior aproximação com os EUA. O governo brasileiro deve não só acatar os conhecimentos produzidos pelo GTAM, mas também investir seriamente na Abin, pois é inaceitável que a Argentina tenha mais escritórios de sua agência de inteligência na América do Sul do que o Brasil.
(*) Tenente Melquisedec Nascimento - é presidente da Associação dos Militares Auxiliares e Especialistas.