quinta-feira, fevereiro 22, 2007

TOQUEDEPRIMA...

O crime compensa e recompensa : Janene se aposenta...
De O Globo:

"Um dos principais envolvidos no escândalo do mensalão, o ex-deputado e ex-líder do PP José Janene (PR) se aposentou com direito a receber da Câmara um benefício de R$ 12.847,20. Ele terá direito a 100% do valor da remuneração de um deputado porque alegou problemas de saúde — uma miocardiopatia grave —, no seu pedido de aposentadoria.

Janene protocolou o pedido de aposentadoria em 10 de outubro de 2005, logo depois que seu nome foi citado pela CPI do Mensalão e uma semana antes da abertura do processo por quebra de decoro contra ele no Conselho de Ética. Apesar da doença, foi a festas no Paraná e trabalhou ativamente na campanha eleitoral, em 2006."

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Vôo cego
Da coluna Painel da Folha de S.Paulo:

"Por meio de portaria cifrada no "Diário Oficial" que circulou nesta Quarta-Feira de Cinzas, o governo prorrogou pela segunda vez, agora por mais um mês, o prazo para um grupo interministerial propor mudanças no controle do espaço aéreo. Estão em jogo interesses de controladores, aeronautas e empresas aéreas, além de sugestões para "desmilitarizar" o setor.

O grupo foi criado em novembro, durante "reunião emergencial" convocada por Lula na esteira da tragédia do avião da Gol e do caos nos aeroportos. Para o ministro Waldir Pires (Defesa), seria "a solução" para a crise. Temia-se, então, o colapso do sistema em dezembro, com as viagens de fim de ano. Passado o Carnaval, a crise e o grupo de trabalho continuam no ar."
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O carnaval mais violento do Brasil
Do Jornal do Brasil:

"Arrastões, homicídios, balas perdidas e centenas de foliões agredidos. O carnaval da Bahia superou a festa dos outros Estados em violência. Na tarde da Quarta-Feira de Cinzas, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia tinha 1.622 registros de ocorrência, ao fim de sete dias de carnaval. Desses, seis homicídios e pelo menos 80 arrastões em ônibus. A maioria dos crimes aconteceu entre Barra e Ondina."

COMENTANDO A NOTICIA: E aí, Jacques Wagner, vais continuar acusando a Globo ? Ao invés de ficar irritado, o governador baiano deveria era cobrar dos 20,0 mil homens que diz ter colocado na segurança uma explicação mais convincente, e não ficar culpando a mídia por noticiar os fatos que ocorreram. A mídia não pode ser responsabilizada pela incompetência dos governantes!

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China faz da América Latina um negócio da China
Blog Josias de Souza
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Em 2004, Lula esteve na China. Na seqüência, Hu Jintao, o presidente chinês retribuiu a visita. Do Brasil, esticou até a Argentina e o Chile. Jintao soou generoso. Prometeu que Pequim financiaria obras bilionárias na região. Em troca, levou para casa o reconhecimento da China comunista como uma economia de mercado, feita por Brasil e Argentina.
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Pois bem, decorridos dois anos e meio, os investimentos chineses viraram conversa para ocidental dormir. Em 2005, Pequim enterrou na América Latina uma ninharia: R$ 2,8 bilhões (US$ 134,5 milhões no Brasil). É menos de 6% de todas as inversões que o mundo fez na China: US$ 47 bilhões.
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De resto, os chineses comem os mercados latinos pelas beiradas. Em 2007, depois de colecionar uma seqüência de vistosos superávits comerciais nas suas relações com a China, Brasil, Argentina e Chile vão amargar déficits. Ou seja, vão comprar mais do que serão capazes de vender.
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No espaço de um mandato (2003-2006), a vantagem que brasileiros, argentinos e chilenos mantinham no troca-troca comercial com os chineses sofreu uma lipoaspiração. As exportações de Pequim para as três praças anotaram um extraordinário aumento de 340% no período. Daí o infortúnio.
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Em 2003, o Brasil obteve um saldo comercial positivo com a China de US$ 2,2 bilhões. Desde então, a vantagem foi emagrecendo. Fechou 2006 em US$ 410 milhões. Deu-se coisa semelhante na Argentina –US$ 1,8 bilhão em 2003, queda atrás de queda, e US$ 523 milhões em 2006.
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No momento, a China olha para seus parceiros latinos tendo em mente uma máxima atribuída a Nikita Krushev: “Quando se esfola um cliente, deve-se deixar que alguma pele cresça no lugar, para que se possa esfolá-lo de novo.”

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Plebiscito não já!
Eliane Cantanhêde , Folha Online

Depois da Pensata da quarta-feira passada e de duas colunas na Folha de S. Paulo sobre o frenesi pela redução da maioridade penal, recebi centenas de e-mails e concluí: tomara que não haja um plebiscito agora, com sangue quente, sobre isso.
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As pessoas estão indignadas com os crimes bárbaros, com a rotina de roubos e assaltos, com a corrupção nas polícias, com a inépcia das autoridades estaduais e federais. E querem sangue.
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Se houver um plebiscito agora, será uma repetição do que aconteceu com o desarmamento. A grande maioria parecia a favor. Na hora do debate, a grande maioria se revelou contra. Ou seja: preferiu manter a sociedade armada, para alimentar o ciclo de violência sem fim.
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Recebi centenas de mensagens ponderadas, serenas, concordando em que não se pode transformar os menores infratores nos grandes culpados pela situação. Como também recebi dezenas no sentido contrário: duras, irritadas, algumas cheias de uma maldade de dar calafrio.
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Como esse tipo de debate envolve emoção, paixão, medo, crianças, mães, pais, quem acaba puxando o tom e o resultado é quem grita mais forte e demonstra mais indignação. E aí é que mora o perigo.
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A legislação vem sendo modificada aos poucos para comportar penas mais severas para menores que cometam crimes brutais, como assassinatos. Mas sem jogá-los às feras das penitenciárias de adultos. Deixem essas mudanças seguirem seu curso.
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Um plebiscito agora sobre redução ou não da idade penal, seja para 16, para 14, para 12 anos, acabaria se transformando numa caça ao Judas ou numa caça a Joana Darc.
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Na prática, não estaríamos apenas massacrando os menores de alta periculosidade -- o que já é terrível -- mas estaríamos também jogando crianças e adolescentes pobres e desprotegidas nas fogueiras da ira nacional por causa de um tênis, de um relógio, de uma imensa solidão.